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Archive for the ‘São Paulo’ Category

um pouco de decepção com o metrô

September 19, 2007 4 comments

Não é segredo que estou cansado de São Paulo. 90% desse cansaço vem das filas e do trânsito. O metrô, apesar de sempre estar cheio, continua a melhor maneira de se transportar pela maior cidade do Brasil. Não demorou para eu me tornar fã de carteirinha. Pesquisei a história desse excelente meio de transporte. Investiguei como ela se instalou no Brasil. Fui atrás. Empolgado.

Sou fã da velocidade, da arquitetura, da limpeza, da educação dos funcionários, etc. Quando fiquei sabendo, há muito tempo atrás, da amplicação do metrô, fiquei contente. Significa uma opção barata de transporte e menos trânsito na cidade. Seria ótimo se sampa inteira fosse recheada de metrô. A melhoria de qualidade de vida seria incrível!

Nos últimos meses, porém, venho me decepcionando com o sistema de transporte. Começou com o desabamento. Aquilo foi um absurdo. Eu sempre acredito no erro do dinheiro: um tipo de erro humano bastante comum nesses dias. Funciona assim: gasta-se menos, embolsa-se mais e arrisca-se mais. Bom, ao que tudo indica, o desabamento foi culpa do erro do dinheiro. Vergonhoso. Esse, de todos, foi o maior erro já cometido no metrô. Acredito que toda a população ficou decepcionada.

Pouco antes do desabamento enorme ocorrido em Pinheiros, houve um desabamento menor na região do Largo da Batata. Não houve feridos, ainda bem. Teria sido erro humano ou erro do dinheiro?

Depois tiveram ataques às estações. Bombas caseiras. Não foi culpa deles, a priori. Fiscalizar milhões de paulistanos diariamente tornaria tudo um caos. Eles tentaram. Durante um tempo, colocaram detectores de metal em alguma estação. Já tiraram. Na época, tiraram a lixeira de algumas estações, pois a bomba caseira foi encontrada nessas lixeiras. Isso causou um aumento enorme da quantidade de sujeira. Não foi uma história bacana.

Agora, outro problema. Na construção da linha amarela, dois túneis que deveriam se encontrar estão desalinhados. As obras vão atrasar. É provável que os custos aumentem…

Espero voltar a falar bem do meu meio de transporte favorito.

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Categories: São Paulo

crônica rápida de um dia no transporte

Rapaz estudioso tem reunião às 10h
Acorda às 6h45. Muito sono
Toma café às 6h55. Muito frio
Banho de 10min. Troca de roupa
Sai de casa às 7h30
Chega ao ponto às 7h45
O ônibus passa ás 8h
Lê durante o percurso
De pé
Leitura chata, por sinal
Chega no metrô às 8h30
Entra no trem às 8h35
Chega na “Paraíso” às 9h05
Faz baldeação às 9h07
Chega na Clínicas às 9h15
Alcança o ponto às 9h17
O ônibus passa às 9h25
Chega no ponto destino às 9h50
Anda sossegadamente
Chega à reunião às 9h57
A reunião começa às 10h30
Termina às 12h
Almoça em 30min
Chega em casa às 15h
Acordou às 6h45
Chegou às 15h
Por 1h30 de reunião
Ele é feliz?

Categories: Crônica, Diarices, São Paulo

mais um em são paulo

O paulistano precisa aprender sobre o pensamento oriental.

Existe um livro genial, chamado “Zen em Quadrinhos”, em que excelentes parábolas zen-budistas são contadas por meio de, adivinhem?, quadrinhos. É uma delícia de ler, e permite algumas reflexões geniais.

Uma dessas tirinhas pode ser adaptada para o cotidiano dos paulistanos e afins. Na tira, uma pequena e triste gota d’água fica feliz ao perceber que faz parte do oceano. A gota compreende que faz parte do todo, sendo constituída e constituinte desse todo…

Em São Paulo, diariamente, às 18h, na Marginal Tietê, milhares de motoristas ficam putos uns com os outros por estarem se “atrapalhando” mutuamente. Alguns chegam a perguntar a si mesmos, desesperados, “por que esses idiotas aí da frente têm que estar nesse trânsito? Eles pioram tudo”.

transito.jpg
Um parte vendo as outras

Acontece que os incomodados não têm a habilidade de perceber que incomodam. Eles são parte do trânsito… A presença deles aumenta a fila, aumenta o cansaço, aumenta o tempo longe de casa.

Não adianta ficar bravo com o prefeito, com o governador, com o que for, por serem poucas as vias de tráfego. Mais pessoas estão em São Paulo porque outras cidades não possuem tantos empregos. As outras cidades são inocentes, o país está construído assim. O mundo, da mesma forma, é o turbilhão que fizemos dele.

A solução é aceitar ser parte, compreender que o egocêntrico irritado é também uma parte-do-todo irritante. Diluir-se.

E, claro, agir.
Pressionar para a melhoria da cidade, do estado, do país, do mundo.
Tudo para transformar o oceano em um espelho.

Categories: Coisologia, São Paulo

como são paulo pode fazer de você uma pessoa pior

A grande qualidade de São Paulo, citada por todos, como um mantra, é sua imensidão de possibilidades: encontra-se de tudo. Esse potencial, no entanto, não é facilmente aproveitável. Culturalmente, São Paulo é zilionária. Os eventos, porém, mesmo os gratuitos, custam muito: muito trânsito, muito longe, muita fila, mais fila, mais fila ainda, pouco ingresso.

Eu morei em Florianópolis, uma cidade pequena, onde os eventos eram raros. Comparativamente, tenho mais dinheiro em São Paulo do que eu tinha lá. Ainda assim, aqui vou em muitos menos eventos do que ia em Florianópolis. A maioria dos eventos acontecia no CIC, alguns no teatro do centro, raros em outro lugar. Um ônibus e eu estava em qualquer desses pontos. Quando não ia de bicileta, curtindo a beleza da ilha. Em Sâo Paulo preciso montar um plano antes de ir. Decidir a via, a hora a chegar, se estou disposto a ficar em filas, etc.

É preciso ter paciência. Uma das maneiras de São Paulo fazer de você uma pessoa pior é diminuindo sua fome de busca à cultura. Muitos podem me negar neste ponto, e eu concordo com a negação. Se você tem paciência, este argumento não se aplica a você. Vamos a outros:

Transportar-se exige uma sabedoria não facilmente encontrável. Seja apertado no metrô às 18h, ou engarrafado na Marginal, o corpo humano reage ferozmente. Nosso corpo não foi construído para receber doses diárias de estresse. Pelo contrário, o estresse avisa que tipos de situações devemos evitar. O acúmulo de não-vontades diminui os sistemas de defesa do organismo, produz brigas em casa com pessoas inocentes, como irmãos, pais, filhos, cônjuges, etc.

A segunda maneira de São Paulo fazer de você uma pessoa pior é por meio do estresse produzido pelo aperto, e o mal convívio que isso pode causar com as pessoas queridas.

Transportar-se rouba você de você mesmo. O tempo gasto em locomoção e filas diminui o tempo que você pode usar para desenvolver atividades de lazer, desenvolvimento de hobbies, etc. Torna o trabalho urgente, e o prazer um luxo dispensável. Esse problema pode criar os “extrapoladores”, que descontam toda a sede de prazer em atos exagerados nos fins de semana. Isso poderia ser evitado com diversões equilibradas durante a semana.

São Paulo pode fazer de você uma pessoa pior roubando o tempo que você dedica a hobbies, lazer e desenvolvimento de projetos próprios.

A soma da falta de lazer com um emprego exigente podem fazer de uma pessoa um “escravo corporativo” sem personalidade (exagero ilustrativo?). Empregos exigentes existem em qualquer cidade, mas São Paulo é uma cidade competitiva. É preciso engolir sapos para se garantir no emprego. O caso se agrava quando não há prazer no que se faz. Um emprego ruim e exigente sugam a personalidade.

O quarto modo como São Paulo pode fazer de você uma pessoa pior é por meio de empregos exigentes e nada prazerosos, que despem sua personalidade e o transformam em massa.

É impossível conhecer todas as pessoas de uma cidade grande. Puxar conversas com desconhecidos pode ser falta de educação, e não o contrário. É quase impossível encontrar alguém novamente: a educação é opcional. Os amigos do trabalho moram muito longe… ou querem seu cargo. Seus vizinhos chegam cansados. Em seu bairro não há espaços para o lazer. Você está sozinho. A comunicação entre pessoas é rara. A solidão é triste. Não dividir traz sofrimento.

São Paulo pode fazer de você uma pessoa pior silenciando seus lábios. Não discutir, não dividir cria pessoas tristes.

Chega!
A preguiça é um mal do qual sofro. Com certeza eu poderia pensar em mais coisas. Poderia também escrever um texto dizendo como São Paulo pode fazer de você uma pessoa melhor. Ou não? Mas, como eu dizia, a preguiça é um mal do qual sofro. Ajudem, pois. Completem a lista, discordem dela, argumentem que São Paulo é uma maravilha.

Categories: Coisologia, São Paulo

São Paulo : 453 anos

Grande São Paulo, fazendo aniversário. Uma cidade idosa, mas não como os velhinhos simpáticos e sábios com os quais gostamos de falar. São Paulo é daqueles velhos chatos e nojentos, que fazem comentários horríveis quando belas garotas passam, e escondem dos netos sua crescente e quase incontrolável pedofilia. São Paulo é um nojo com suas histórias falsas. Mas São Paulo não é uma pessoa, é uma cidade.

Uma cidade repleta de oportunidades. Pode-se ser de banqueiro a vendedor de balas; pode-se ser CEO de grandes multinacionais ou líder de facção criminosa. Uma cidade de sobreviventes e estressados. De tráfego e tráfico intensos.

São Paulo comemora seus 453 anos envergonhada por seu Metrô; a instituição da qual eu mais me orgulhava agora é demonstração de falta de habilidade e insegurança. Além do buraco aberto, algumas estações tiveram suas lixeiras retiradas para evitar abrigo a bombas. É muito triste.

São Paulo das cheias! São Paulo da desigualdade! São Paulo da violência! 453 anos!

Eu já amei São Paulo. Ainda amo, de algum modo. Mas sou um neto decepcionado querendo sair de perto do avô corrompido.

Pobre São Paulo.

Categories: São Paulo

Rua dos Banheiros Quebrados

Os sádicos governantes de São Paulo não instalaram banheiros públicos nas estações de metrô, forçando os apertados passageiros a se virarem pelos bares que banham as entradas das estações. Faz-se uma peregrinação singela rumo às espeluncas.

Não sei que centelha de auto-flagelação comanda meus rins e bexiga a ficarem próximos de estourar justamente quando chego à Rua dos Banheiros Quebrados.

Em qualquer dia, em qualquer bar próximo à Estação Tucuruvi, o banheiro não estará funcionando. Uma onda-Murphy varre a possibilidade de alívio dos transeuntes necessitados na Rua dos Banheiros Quebrados. É uma rua sem esperança: o deserto do bom funcionamento, o cemitério do extravasamento… assim é a triste Rua dos Banheiros Quebrados.

Não adianta ser simpático com os funcionários dos bares, o banheiro estará indisponível para uso. Apenas uma solução: consumir assim que chegar ao bar. Pedir o banheiro antes de tomar alguma coisa (peça algo de comer, não tome), ouvir “quebrado” e depois sugerir consumo desmentiria o dono do bar e o orgulho egoísta e mesquinho dele não permitira isso…

Certa vez eu me encontrava no estágio bailarino da inundação bexigal: contorcia-me como um dançarino de hip-hop. Aquela centelha de auto-flagelação levou o problema, claro, diretamente à Rua dos Banheiros Quebrados. No meu bolso estava apenas a passagem de ônibus.

Abandonai toda a esperança, disse aquele rapaz Dante depois de Cristo…
Antes de Cristo, escreveram no I-Ching: “o persistente encontrará fortuna”.
Murphy sorria para mim com olhos de ressaca.

Entrei no bar, uma pastelaria, dançando a minha dança da contorção. Olhei nos olhos do rapaz do caixa. Creio que ele compreendeu tudo. Implorei pelo banheiro. E…

Categories: Crônica, Diarices, São Paulo

Saddam, Cicarelli e o fim do mundo

O que o Saddam e a Cicarelli têm em comum? São mais dois famosos do TouTube e afins. A segunda é tão famosa quanto o primeiro e muitas vezes mais idiota.

É absurdo o nível a que a excucação chegou. Estão vendendo bonecos do enforcado. Não vou criticar a execução do ditador, até porque ainda não decidi se sou ou não a favor da pena de morte. Às vezes sou sim, a favor. Outros países condenam o ato americano. Cidadãos comemoram, cidadãos choram, eu odeio tudo isso. Só estou curioso em saber por que ele foi o único ditador a ser executado… E mais curioso ainda em saber o que vai ser do velho país. Algo pior que Saddam, talvez?

A Cicarreli conseguiu a proeza de tirar o YouTube do ar para o brasileiros. Claro que isso não acabou com a proliferação do video em que ela e o namorado transam na praia. Existem outros sites que fazem a mesma coisa. Além do mais, é ridículo pensar que um site pode controlar milhões de usuários. É possível fazer o upload do video com diversos nomes, barrando qualquer tipo de bloqueio. Estão planejando boicote aos seus programas, e sabe-se lá o que mais acontecerá. Ela mexeu com a raça dos internautas, que Deus a ajude.

Eu sou da opinião de que o mundo está chegando ao seu limite. Já não há mais relações saudáveis entre nada e ninguém. Eu quero fugir para alguma cidade mais “natural” e menos estupidamente tecnológica, superpopulosa e repleta de ridículos. Nunca mais quero, por exemplo, ver qualquer tipo de propaganda. Nem trânsito, nem ameaças de bomba no metrô, nem chacinas, nem ônibus queimados. Credo!