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a-liberdade

Em um post anterior, iniciou-se uma discussão sobre liberdade.

Eu honestamente acredito que liberdade não existe. Liberdade é uma palavra utilizada para descrever relações impossíveis. Sendo simplista, com um exemplo radical, não podemos escolher não dormir. Dormiremos, hora ou outra.

O conceito de liberdade não cabe em um mundo científico. Seria incompatível dizermos que podemos prever fenômenos físicos, mas não psicológicos; que fenômenos físicos são determinados, mas não os psicológicos. Seria incompatível especialmente no mundo de hoje, em que se demonstra com crescente grau de certeza o quanto nosso comportamento depende da estrutura cerebral (pura biologia ou, em outras palavras, pura química ou, em outras palavras, pura física).

Conhecendo as variáveis, conhecemos o que vai ocorrer. Um lançamento de dados pode ser previsto. O comportamento humano também. É obviamente mais fácil prever o lançamento dos dados do que o comportamento humano. Isso ocorre porque as variáveis que afetam os dados são consideravelmente mais simples do que afetam o comportamento.

Liberdade, em um sentido possível, é a ignorância que temos em relação ao que determinou o comportamento atual e em relação ao que vai acontecer com o comportamento. Podemos formular hipóteses, mas ainda é impossível (e não acredito que um dia será possível) identificar todos os fenômenos relacionados a um comportamento, por mais simples que este seja.

Para existir uma ciência psicológica, tem-se que aceitar que os comportamentos são determinados. Caso contrário, não se tem ciência: apenas opiniões. Por mais interessantes que opiniões possam ser, não penso que são adequadas em um contexto profissional.

Claro que a idéia de liberdade como ignorância (ou como percepção) não deve agradar muito. Claro que a idéia de que não existe liberdade produz alguns problemas. No papel, todos os criminosos seriam inocentes, os sistemas de regulação do comportamento seriam inválidos, etc. Por outro lado, criminosos jamais serão libertados e leis não deixarão de existir. O caso é simples: o ser humano se defende. Criar leis, afastar criminosos está determinado. É possível questionar; no entanto, no máximo, uma lei será trocada por outra.

Não podemos ignorar os fatos científicos. Temos que trabalhar a partir deles.

Categories: Ciência, Filosofia, Psicologia
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