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psicologia em cidade pequena

A cidade em que estou morando (São José dos Quatro Marcos) tem pouco mais de 20mil habitantes. São poucos: não chegam a um bairro da minha cidade natal São Paulo. Muita gente se conhece diretamente ou, no mínimo, por ligação com um amigo comum. A rede é pequena, mas tem muitos fios. O resultado final é que todo mundo sabe da vida um do outro.

Estou convivendo com a psicologia clínica daqui e por conta disso pude identificar alguns fenômenos interessantes que ocorrem com esta profissão. Imagino que essas observações se apliquem à maioria das cidades pequenas:

1. Muitas pessoas não procuram terapia por conhecerem o terapeuta. O medo disso é grande.

2. Outras muitas pessoas têm medo de que um vizinho ou conhecido a vejam no terapeuta. Isso demonstra um grande preconceito com a Psicologia.

3. A maioria dos clientes da clínica-escola da Faculdade de Quatro Marcos é de uma cidade vizinha: Mirassol D’Oeste. Aqui, eles permanecem anônimos. O pessoal de Quatro Marcos prefere evitar. Há exceções, claro.

4. O maior problema: alguns terapeutas têm medo de fazer intervenções com os pais de crianças com dificuldades. Têm medo de que esses pais, especialmente os que têm influência na cidade, prejudiquem sua imagem e enterrem seu futuro profissional.

5. O boca a boca chega à clínica. Um terapeuta já ouviu falar do cliente do outro, e vice-versa. Fico imaginando se certas “informações privilegiadas” inadequadas não passeiam por aí…

Seria muito bacana uma pesquisa abrangente sobre essas características: tanto das percepções dos terapeutas quanto dos clientes. Poderia mostrar qual a melhor forma de divulgar o trabalho do psicólogo em cidades pequenas.

Enquanto isso, vou supervisionando meus alunos. É possível que semana que vem, ou na outra, eu mesmo comece a atender.

Categories: Psicologia
  1. March 23, 2009 at 10:15 pm

    Lembro de quando era pequena e morava em uma cidade de 7 mil hab, a psicologa (digo “a” porque era a unica) acabou levando fama de louca…

    As relações são delicadas na cidade pequena. Não existe a proteção que o anonimato das cidades grandes proporciona.

    Um abraço e boa sorte

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