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como divulgar a ciência?

Ontem vi a reportagem sobre o médico, com consultório nos arredores da Av. Paulista em São Paulo, que vende pílulas que curam o câncer. O preço? R$15.000,00 por 30 comprimidos. Ele é um dos comerciantes de esperança, e faz eco ao “O Segredo”, à homeopatia e aos curandeiros espirituais. O Dr. da Paulista, porém, utiliza uma técnica diferente: ele afirma que o medicamento é uma maravilha da ciência; ao contrário dos outros ladrões, não lida com causas internas ou místicas.

Todos esses comerciantes larápios se aproveitam de um problema brasileiro: o analfabetismo científico. A escola não ensina, os programas educativos não vendem, as revistas sobre o tema são lidas por poucos. Por que isso acontece?

Uma das muitas razões é o baixo apelo emocional da ciência. Explicar as coisas de formas fantásticas parece ser, para a maioria, mais compensador do que uma explicação simples. Além disso, os absurdos que vemos, como o caso da homeopatia, levam a crer que é mais reconfortante pensar que uma pílula, um ritual, um livro ou uma força inexplicável podem resolver problemas e explicar o mundo, do que estudar e entender o método científico, com seus conceitos “difíceis”. A ciência tem uma qualidade que se transforma em um defeito para quem não a entende: alguns fenômenos ainda não podem ser explicados. O mesmo não ocorre com os místicos e a pseudocientistas, que têm resposta para tudo. Tudo!

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Qualquer divulgação científica que ignorar a necessidade humana da esperança, do cuidado e do conforto vai falhar, invariavelmente. É terrível essa constatação, mas a ciência precisa ser vendida com a mesma paixão que se vendem rituais sem sentido. Seus resultados devem ser demonstrados com furor! Os professores devem apresentar o pensamento científico com olhos brilhando de admiração por sua maravilha. Aprender ciência é aprender a pensar e a não ser enganado. É um conhecimento necessário para o bem estar geral. Apresentar a ciência apenas por meio de explicações racionais não é o suficiente para acender as vela e fazer desaparecer os demônios (usando a imagem de Sagan): é preciso mostrar como a ciência pode ser bonita.

Outro ponto fundamental para a divulgação científica é compreender o porquê da existência da pseudociência e de pessoas que nela confiam. Os místicos que o são por interesse não merecem respeito; os que acreditam no que fazem devem poder ter acesso a outro tipo de explicação dos fenômenos. É precisso tentar entender a motivação das pessoas para defenderem suas crenças tão fervorosamente, mesmo diante de dados que mostram o contrário. Utilizar ironia, imagens zombeteiras, xingamentos disfarçados, não ajuda em nada. É preciso ter respeito a todas as opiniões. O modo de pensar da ciência deve ser apreendido pelo que ele é: o mais belo e atualmente o mais perfeito método de obtenção de conhecimento formulado pelo homem.

1. Um blog dedicado à ciência.
2. Uma análise um pouco mais direta da Ciência vs Terapias Alternativas.
3. Outra análise crítica.
4. Veja aqui o problema da homeopatia.
5. Uma crítica ao “O Segredo”.
6. Uma crítica a “Quem Somos Nós?”. Outra. E outra.

Categories: Ciência
  1. November 27, 2007 at 12:49 am

    Excelente tema! E muito bem abordado. Estou com umas idéias, depois conversamos…

    Abraços,

  2. November 27, 2007 at 7:55 am

    Fiquei bastante curioso…
    Abraço.

  3. November 27, 2007 at 2:22 pm

    É por isso que um dos meus poemas preferidos do Drummond termina assim:
    “Chegou um tempo em que a vida é um ordem
    A vida, apenas, sem mistificação”

    A ciência pode ser explicada da forma como você aponta, e em muitos casos já foi. Carl Sagan, Mundo de Beckman (só eu era viciada nisso? rs), O professor, Super Interessante (com todos os seus poréns), Os caçadores de mitos… enfim. É preciso fazer com que isso chegue ao resto da população. Ensinar aos professores a usar estes recursos, a instigar seus alunos para a ciência.

    Mas sei lá… gosto demais disso. Sou daquelas poucas que frente a uma explicação mística passa raiva, frente a uma explicação cientifica não consegue conter o sorriso.

    “Ignorar convida a tentar. A ignorância é um devaneio e o devaneio curioso é uma força. Saber, desconcerta às vezes, e desaconselha muitas.(…) Tais casos, digamo-lo de passagem, são a exceção, e tudo isto não tira nada à ciência, que fica sendo regra. O ignorante pode achar, só o sábio inventa”. p.230, Os Trabalhadores do Mar, Victor Hugo

    bjos

  4. December 2, 2007 at 10:59 pm

    Eu também era viciado no mundo de Beakman!
    Existem essas iniciativas, mas elas são poucas perto do ataque maciço da pseudo-ciência. Lutemos, pois!
    Beijo!

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