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Archive for November, 2007

como divulgar a ciência?

November 26, 2007 4 comments

Ontem vi a reportagem sobre o médico, com consultório nos arredores da Av. Paulista em São Paulo, que vende pílulas que curam o câncer. O preço? R$15.000,00 por 30 comprimidos. Ele é um dos comerciantes de esperança, e faz eco ao “O Segredo”, à homeopatia e aos curandeiros espirituais. O Dr. da Paulista, porém, utiliza uma técnica diferente: ele afirma que o medicamento é uma maravilha da ciência; ao contrário dos outros ladrões, não lida com causas internas ou místicas.

Todos esses comerciantes larápios se aproveitam de um problema brasileiro: o analfabetismo científico. A escola não ensina, os programas educativos não vendem, as revistas sobre o tema são lidas por poucos. Por que isso acontece?

Uma das muitas razões é o baixo apelo emocional da ciência. Explicar as coisas de formas fantásticas parece ser, para a maioria, mais compensador do que uma explicação simples. Além disso, os absurdos que vemos, como o caso da homeopatia, levam a crer que é mais reconfortante pensar que uma pílula, um ritual, um livro ou uma força inexplicável podem resolver problemas e explicar o mundo, do que estudar e entender o método científico, com seus conceitos “difíceis”. A ciência tem uma qualidade que se transforma em um defeito para quem não a entende: alguns fenômenos ainda não podem ser explicados. O mesmo não ocorre com os místicos e a pseudocientistas, que têm resposta para tudo. Tudo!

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Qualquer divulgação científica que ignorar a necessidade humana da esperança, do cuidado e do conforto vai falhar, invariavelmente. É terrível essa constatação, mas a ciência precisa ser vendida com a mesma paixão que se vendem rituais sem sentido. Seus resultados devem ser demonstrados com furor! Os professores devem apresentar o pensamento científico com olhos brilhando de admiração por sua maravilha. Aprender ciência é aprender a pensar e a não ser enganado. É um conhecimento necessário para o bem estar geral. Apresentar a ciência apenas por meio de explicações racionais não é o suficiente para acender as vela e fazer desaparecer os demônios (usando a imagem de Sagan): é preciso mostrar como a ciência pode ser bonita.

Outro ponto fundamental para a divulgação científica é compreender o porquê da existência da pseudociência e de pessoas que nela confiam. Os místicos que o são por interesse não merecem respeito; os que acreditam no que fazem devem poder ter acesso a outro tipo de explicação dos fenômenos. É precisso tentar entender a motivação das pessoas para defenderem suas crenças tão fervorosamente, mesmo diante de dados que mostram o contrário. Utilizar ironia, imagens zombeteiras, xingamentos disfarçados, não ajuda em nada. É preciso ter respeito a todas as opiniões. O modo de pensar da ciência deve ser apreendido pelo que ele é: o mais belo e atualmente o mais perfeito método de obtenção de conhecimento formulado pelo homem.

1. Um blog dedicado à ciência.
2. Uma análise um pouco mais direta da Ciência vs Terapias Alternativas.
3. Outra análise crítica.
4. Veja aqui o problema da homeopatia.
5. Uma crítica ao “O Segredo”.
6. Uma crítica a “Quem Somos Nós?”. Outra. E outra.

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Categories: Ciência

está chegando…

Aguardem…

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Categories: Indefinido

um ano em uma ilha deserta

November 24, 2007 1 comment

O Marcus me pediu para responder a um meme. São raros o que eu gosto. Um tipo que sempre tento responder são aqueles que nos forçam a tomar decisões sobre nossas coisas favoritas. Simplesmente pensar nelas é um jogo gostoso. Então, vamos para a ilha.

Você vai passar exatamente um ano em uma ilha deserta, onde existe uma certa infra-estrutura, mas ela é limitada. Além de você não haverá mais ninguém na ilha, mas você terá acesso a alguns privilégios limitados. Com isso em mente, seguem as perguntas:

1. Na ilha você terá água à vontade e frutas nativas. Se souber pescar, com sorte vai poder comer um peixe de vez em quando. Fora isso, você terá que escolher apenas um tipo de comida salgada e um tipo de comida doce para comer todos os dias, o ano inteiro (podem ser cruas ou cozidas). Quais você escolhe?

R: Certamente, eu levaria arroz, feijão, batatas fritas, frango grelhado, salada de alface, cenoura e beterraba, temperada com vinagrete (eu tempero saladas com vinagrete) e muito azeite. É uma comida que não enjoa; nunca. Todos os doces enjoam… mesmo assim eu levaria chocolate com amendoim.

2. Além da água (e, também com sorte, água de côco se você estiver disposto(a) a subir no coqueiro) não há nenhuma outra bebida na ilha, mas você pode também escolher um único tipo de bebida, fria ou quente, alcoólica ou não, para ter à sua disposição ao longo do ano. Qual você escolhe?

R: Aquela bebida de rótulo vermelho.

3. Para manter a tradição, você pode também levar um único livro. Que livro você leva?

R: Levaria “Os Cem melhores Contos Brasileiros do Século”. Leria um a cada 3,65 dias (ou com mais freqüência, relendo os favoritos). Fácil, fácil, leitura para o ano inteiro, sem muita repetição.

4. Igualmente, você poderá levar um único filme para assistir. Que filme você leva?

R: Eu enganaria todo mundo e levaria dois filmes em um único CD: “Hair” e “Matrix”. Já vi cada um mais de 10 vezes, e ainda quero vê-los novamente.

5. Você terá um notebook à sua disposição, mas com um único programa instalado. Mas você não pode usar um programa de comunicação (como email ou mensagens instantâneas). Qual programa teria mais utilidade para você e por quê?

R: Levaria o Macromedia Fireworks. Por três razões: permite textos, permite desenhos, da categoria, é o que entendo mais. Textos e desenhos são suficientes para uma boa história do meu ano solitário.

6. Você poderá acessar a internet, mas este acesso é limitado a um único site, o ano todo. (Se você escolher o Google, por exemplo, não poderá navegar para os links dos resultados da sua busca, que estão fora do Google). Também não pode ser seu webmail, Meebo e afins ou sites de notícias (o que elimina os portais). Fora isso, não há restrição nenhuma ao tipo de site, inclusive os que permitem comunicação de outros tipos. A qual site você quer ter acesso por um ano e por quê?

R: Eu acessaria alguma tirinha que fosse atualizada diariamente (de verdade).

7. Você também poderá ouvir música. Mas, claro, você terá que ouvir a mesma música o ano todo, pois só pode escolher uma. Qual você leva? E se fosse um CD?

R: “Time”, do Pink Floyd. A música é ótima, eu conheço a letra e ela faria total sentido para mim nessa expedição sem sentido. Se fosse um CD, levaria “Dark Side of the Moon”, pois “Time” está lá.

8. Você poderá escolher um dia do ano para fazer uma única ligação para uma única pessoa, com quem poderá falar por 10 minutos. Para quem você vai ligar, quando e por quê?

R: Ligaria para a minha namorada. Porque eu amo. No dia do nosso aniversário de namoro.

9. Você poderá escolher um programa de TV para assistir ao longo deste ano na ilha – limitado à freqüência de uma vez por semana. Você só não poderá assistir nenhum tipo de noticiário, fora isso não há restrições. Que programa você quer assistir?

R: Sem dúvida nenhuma, algum programa erótico. A solidão não faz cessar os desejos.

10. Quando for seu aniversário, você terá direito a receber uma carta de um(a) amigo(a) ou familiar que tenha uma novidade para contar (sobre si próprio ou não). De quem você gostaria de receber a carta e com qual notícia?

R: Qualquer pessoa da minha família, dizendo que ganhou na Mega Sena. Nada mal, hein?

11. Como não queremos que você transforme uma bola de vôlei no seu melhor amigo imaginário e a única pessoa na ilha será você, você terá direito a levar um animal de estimação para lhe fazer companhia (veja como estou facilitando sua vida!). Que tipo de animal você escolhe e por quê? É um animal que você já tenha?

R: Levaria um cachorro pimpão.

12. Do que você acha que sentirá mais falta? (Contato com as pessoas? Tecnologia? Não saber o que está acontecendo no mundo? Etc…)

R: Ouvir vozes de pessoas que posso tocar.

13. Por outro lado, o que você acha que será positivo, proveitoso ou benéfico na experiência? Ou divertido?

R: Eu endureceria sem perder a ternura.

14. Por fim, você tem direito a levar 3 outros itens à sua escolha que:
a) não entrem em contradição com nenhuma das perguntas anteriores
b) não seja algo que você vá usar para sair da ilha, como um barco, por exemplo.
O que você vai levar e por que?

R: Levaria um video-game com um jogo de esporte, um guarda-chuva e uma bicicleta.

Agora passo a bola desse pequeno Meme para:
Henrique,
Lucas e
Maga.

Categories: Indefinido

fora do ar

November 22, 2007 7 comments

Hoje o blog ficou fora do ar por algumas horas. O limite de transferência mensal do meu plano de hospedagem foi ultrapassado. Eu não sei como funciona a tal transferência. Aparentemente, qualquer pessoa que entra no site deixa alguns dados e recebe outros, e isso conta como transferência. Ingenuamente, eu havia pensado que essa característica significava apenas a quantidade de downloads e uploads feitos a partir do meu domínio.

Vivendo, aprendendo e gastando dinheiro para a aumentar a transferência mensal. Se o blog sair do ar novamente (caso meu novo limite de transferência não dure até o fim do mês), podem voltar no primeiro dia do mês que vem, quando o limite é zerado.

O pessoal que hospeda meu site, ao menos, é gentil e veloz nas ações.

Meu primeiro pane internetístico. Estou virando hominho.

Categories: Indefinido

clones, não mais?

November 21, 2007 2 comments

Na mesma semana em que coloquei aquela dúvida sobre a alma e as religiões diante dos sentimentos de um clone, cientistas revelaram uma técnica maravilhosa que pode manter a minha dúvida para sempre. Veja aqui: Equipes criam em laboratório célula igual à embrionária.

Essa técnica, quando aperfeiçoada, dispensará a utilização médica dos “clones”. Não acredito que isso resultará no fim das pesquisas em clonagem, mas elas agora devem ficar restritas à curiosidade científica e a ricaços excêntricos que querem ser seus próprios herdeiros.

Categories: Ciência

esta é muito boa

November 20, 2007 2 comments
Categories: Indefinido

dois livros que ajudam a pensar

November 20, 2007 6 comments

Depois de uma Idade Média sem leituras, voltei ao mundo dos livros que não são de Psicologia. Ainda não voltei à literatura, porém.

Estou lendo dois livros que ajudam a pensar. Vou falar mais sobre cada um deles:

Cultura Geral
Quando eu vi esse livro na prateleira, fiquei coçando de vontade de comprar. Dei uma folheada e percebi que o livro abrange muita, muita coisa. Essa aparente qualidade normalmente se desdobra em um problema: uma abordagem resumida demais dos fatos.

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Clique no livro para pesquisar seu preço

Agora o estou lendo e vejo que estou certo, os fatos são apresentados de maneira resumida. Eu estava errado, porém, quando pensei que isso era um problema. O autor, Dietrich Schwanitz, mostra os acontecimentos de forma fluente e às vezes bem humorada. Conta uma história do mundo, descrevendo desde os gregos os caminhos que nos tornaram quem somos. Fala do caminho da política e da economia, da arte plástica, dos filósofos, da literatura e das línguas.

O fato de o livro ser resumido e deixar, necessariamente, muita coisa de fora, produz a vontade de conhecer mais. O livro me fez ter vontade de pesquisar vários tópicos, o que me fez ter uma visão mais aprofundada do tema. É um livro que leva a outros, e leva à curiosidade. Ele está na minha cabeceira, esperando-me paciente para me contar um pouco sobre o mundo todo. É meu avô de cabeceira.

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O mundo assombrado pelos demônios
Este livro do Carl Sagan todo mundo conhece, já ouviu falar. Um dia é preciso pegá-lo na mão e lê-lo. Estou fazendo isso agora, com uma voracidade crescente. Sagan fala sobre a ciência e sobre a pseudociência, dando exemplos de ambas. Defende a superioridade do método científico em conhecer a natureza e utiliza, dentre outros, um argumento muito bacana: a ciência nos torna novamente crianças curiosas, prontas a saber de tudo e a duvidar de qualquer coisa que nos pareça errada.

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Clique no livro para pesquisar seu preço

O modo como Sagan escreve me lembra das aulas do meu professor de Psicologia Experimental, com o qual posteriormente trabalhei enquanto estava na graduação. Ambos vão desfiando diversos temas seguidamente, dando a impressão de que eles não se relacionam e, então, falam alguma frase ou palavra mágica, e todos aqueles temas se juntam em uma compreensão geral da natureza da ciência ou da bobagem pseudocientífica.

Estou tremendamente curioso para saber a opinião de Sagan a respeito da Psicologia. Ele deixou antever que a considera uma ciência, mas não sei o quanto tratará dela e com que habilidade, já que é um astrônomo. A opinião me interessa muito porque Sagan considera a Psicanálise e a Parapsicologia como pseudociências, como eu. O que é ciência psicológica?

O livro é um monumento à arte de pensar.