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como é a biblioteca de babel de borges?

Jorge Luis Borges, o escritor argentino, tinha muitas idéias interessantes. Para nossa sorte, era um contista maravilhoso. Confesso que não li muitos dos seus textos. Mesmo assim, tenho uma paixão louca por algum dos seus contos.

Um dos textos mais impressionantes de Borges é a “A Biblioteca de Babel” (link para o conto completo em espanhol), que fiquei conhecendo neste post do Alessandro Martins. A idéia de uma biblioteca em que todos os possíveis livros existem é genial. A Biblioteca é o Universo em sua infinitude. É impossível para qualquer ser humano conhecer um pedaço significativo do todo, por mais dedicado que seja em sua busca.

biblioteca-de-babel-1.jpg
Uma versão da Biblioteca de Babel

 

O livro que você sempre quis ler está na biblioteca, mas a probabilidade de que você o encontre é infinitesimal. Vale a pena passar a vida a procurá-lo? A minha imaginação não me permite visualizar uma biblioteca infinita, sou travado pelo conhecimento do que consigo enxergar. Gosto de pensar na distribuição dos livros principalmente na horizontal, e não em uma torre. Não gosto de olhar o infinito de baixo.

biblioteca-de-babel-2.jpg
A Biblioteca de Babel em outra versão

 

Há algum tempo atrás eu encontrei, no Ueba, esta obra maravilhosa. Ela pode ser considerada uma representação ínfima de como seria a verdadeira Biblioteca de Babel. Se você clicar no link, vai para uma página em que estão TODAS as possíveis combinações de palavras com 4 letras. Todas! Use a ferramenta “localizar” do seu browser para se divertir. Essa quantidade imensa de palavras é praticamente nula quando comparada à biblioteca de Borges. Para se ter uma idéia, basta lembrar que no Universo do argentino existe um livro para cada ordem em que essas combinações de palavras de 4 letras é apresentada…

biblioteca-de-babel-3.jpg
Esta é minha versão preferida

 

Existe um livro, ou muitos deles, que revela, letra a letra, toda a história da sua vida. E outros que registram todos os seus pensamentos. Este texto está escrito em algum livro da Biblioteca. Talvez em alguns bilhões deles.

biblioteca-de-babel-4.gif
Como é a Biblioteca por dentro?

 

Outro conto do qual gosto muito é o “Funes, o memorioso” (link para o conto completo). Ao mesmo tempo em que gosto da descrição do homem que não podia esquecer e, como conseqüência, não formava conceitos, imagino uma versão alternativa do Funes. Pensei, certa vez, em escrever um conto chamado “O outro Funes”. Esse novo Funes também seria incapaz de esquecer, mas ao mesmo tempo teria a habilidade de controlar o fluxo de pensamentos. A memória dele seria tão completa e complexa, que ele poderia viver uma situação agradável quantas vezes quisesse, sem que precisasse de qualquer esforço senão decidir revivê-la. Imaginei-o um homem magro, atrofiado, anêmico, vivendo do ontem como se fosse, literalmente, hoje. E o que seria do inconsciente psicanalítico em um homem que não pode esquecer? Talvez eu brincasse com isso também.

Categories: Literatura
  1. September 11, 2007 at 11:45 pm

    Nossa! As possibilidades de seu novo Funes podem ser ainda mais assombrosas. E que tal um outro personagem absolutamente sem memória? É tão difícil de imaginar quanto os outros dois.

  2. September 12, 2007 at 12:31 am

    Olá Robson!

    Eu adoro estes dois contos que você citou!

    O Funes, tive contato aind ano primeiro ano de faculdade primeiro por uma citação do professor de filosofia, e segundo por um texto do Julio De Rose, sobre equivalência de estimulos. Peguei-o na internet e o re-li varias vezes…
    Só esse ano fui ler um livro do Borges: Nova Antologia Pessoal. E há um mês li o segundo: Ficções (onde, aliás, estáo publicados ambos os contos citados neste post). Vários textos do Ficções estavam no primeiro livro que li… e muito eu só fui compreender nesta segunda leitura. Descobri que, para mim, Borges é um autor para ser relido.
    Alias, estou com muita vontade de lê-lo mais, e começaria imediatamente um livro dele se não fosse os livros que leio para a pós (que felizmente é em Literatura Brasileira hehehe).

    As ilustrações deste post estão muito bacanas! E o link que você achou está ótimo!

    Beijos
    ps.: http://www.mennabarreto.com.br/originais/Q206A.jpg link para a torre de babel vista pelo pincel da Sonia Menna Barreto.

  3. September 12, 2007 at 7:40 am

    Oi, Alessandro.
    Os personagens sem memória são realmente assustadores. Felizmente, graças ao cinema podemos ter uma idéia de como se comportariam, ainda que em um contexto cômico. Lembra do filme Procurando Nemo? Uma das personagens não consegue reter memória.
    Valeu pela indicação do conto. Talvez eu não tenha agradecido quando li o post.
    Abraço.

  4. September 12, 2007 at 7:41 am

    Como assim?
    Você está fazendo uma pós em literatura brasileira? Estou impressionantemente admirado, e com um pouco de inveja!
    Qualquer dia você tem que explicar essa pós deliciosa.
    Adorei o desenho indicado!
    Obrigado.
    Beijos.

  5. September 12, 2007 at 11:50 am

    Uau, belo post! Não tem aquele negócio de que a biblioteca é hexagonal (ou octogonal, não me lembro)?

    Borges é sempre muito bom

    abração,

  6. September 13, 2007 at 11:17 am

    Oi, Catatau.
    Fico me perguntando por que Borges descreveu a biblioteca como sendo hexagonal… Será por conta das cadeias de carbono? Acho que não…
    Outro conto do qual gosto muito é o Imortal e O Aleph.
    Realmente, Borges é sempre muito bom.
    Abraço.

  7. September 13, 2007 at 7:56 pm

    Oi Robson, acho que ele descreveu como hexagenal pelo formato, primeiro das colméias, depois porque assim cada “célula” da biblioteca se encaixaria perfeitamente na outra, possibilitando o formato “infinito” dela…

    Beijos

  8. September 13, 2007 at 10:44 pm

    Maga, acho que você matou a charada!
    Outras formas também permitiram isso, mas o hexágono parece a forma por excelência para esse tipo de distribuição.
    E você ainda não me falou sobre sua pós.
    Beijo.

  9. September 13, 2007 at 10:52 pm

    Acho que é bem por aí que a Maga disse…

    Mas e essa história de jornada de aec na ufscar? (hehe)

    abração,

  10. September 14, 2007 at 1:32 am

    Maga não deixou nada para eu comentar…. rsrsrsrsrsrsr!!!!

    Robson, vou ler pelo link que você indicou.

    Abraços!

  11. September 14, 2007 at 7:22 am

    A Maga tá dando aula mesmo.
    Depois me fala o que achou.
    Abraço.

  12. September 14, 2007 at 7:25 am

    Essa jornada ocorre todo ano em São Carlos. Fiz uma busca rápida no google, mas não encontrei a data para te informar, Catatau.
    Sei que vai haver um encontro de Análise do Comportamento em Curitiba (http://www.epac.ufpr.br/)
    Abraço.

  13. November 7, 2007 at 10:41 pm

    Cara, também adoro Borges. Uma vez li que um grupo de pesquisadores em ciências da computação nos EUA haviam criado uma imagem virtual da Biblioteca de Babel. Nada a ver com as outras imagens… E embasado na pira matemática do texto do Borges. Se eu achar, posto aqui.
    abraço

  14. June 9, 2009 at 7:08 pm

    Excelente post!!!! Acabo de ler o conto do Borges e vindo na internet ler algo mais a respeito me deparei com esse excelente comentário! Obrigado!

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