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sou fã – parte vii: livros

Eu não sou um crítico de artes. Acredito que os outros “sou fã” deixaram isso claro. No entanto, não posso negar o efeito que a arte tem sobre mim, especialmente a arte escrita. Por isso estou ansioso para falar dos meus livro favoritos. Não são necessariamente os melhores textos que eu já li, mas certamente são aqueles que mais me mudaram. E ainda que eu não possa criticá-los como um literato, posso criticá-los como um apreciador das palavras. E amo as palavras desses livros:

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O Pequeno Príncipe

 

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Este foi o livro que mais vezes li. O livro que mais vezes ganhei. O livro com que mais vezes presenteei. Enfim, meu livro preferido. O autor é Antoine de Saint-Exupéry, francês, aviador e excelente em fábulas.

A minha parte favorita do livro é a da raposa. Não no momento da famosa frase “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, mas por toda a cena, pela idéia de como cativar uma pessoa e pela descrição de como os campos de trigo mudarão após a passagem do Principezinho. É uma passagem muito bonita.

A cobra que engoliu um elefante também é dos momentos altos para mim. De vez em quando eu digo às pessoas “você só está vendo chapéus”. Quem entende a frase, merece um apreço especial. Eu me policio. Não quero me tornar um homem sério. Infelizmente, já sou um pouco fã de números.

Um livro para ler e reler, para ganhar de presente muitas vezes e para presentear bastante. Enfim, para ser o seu livro preferido.

Compare Preços do Livro O Pequeno Príncipe.

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Ciência e Comportamento Humano

 

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Neste livro, Skinner explica o universo humano de acordo com a perspectiva da análise do comportamento, permitindo que vislumbremos quais práticas atuais precisamos mudar e quais devemos manter para que possamos produzir um mundo melhor para todos. Parece romântico, mas o autor utiliza argumentos científicos para defender suas idéias. Skinner explica relações humanas complexas utilizando um quadro científico prático e relativamente simples.

O livro mudou a minha concepção do homem. A partir dele, tornei-me analista do comportamento e é por causa dessa ciência que sou satisfeito na minha profissão. O que mais gosto em ser um cientista é saber que abandonarei todas as minhas concepções tão logo outra mais produtiva chegue ao meu conhecimento. Como disse Skinner, uma das características de um bom cientista é estar preparado para abandonar as próprias idéias.

Vale a pena ler esse livro, seja você psicólogo ou não. É possível aprender bastante sobre nós mesmos. O autor conta o que é a memória, o que são as instituições como escolas, religiões, etc. E mais importante: conta para nós como são criados os prazeres e motivações. Tudo, lembrando, com termos e bases científicas.

Compare Preços do Livro Ciência e Comportamento Humano.

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Cem Anos de Solidão

 

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Eu não entendo esse livro. Sério. Eu o li extasiado, mas não o entendi… Para mim, ele é uma coleção de palavras bonitas juntas, palavras que descrevem acontecimentos fantásticos e que me fazem desejar visitar Macondo e conhecer os Buendía. Mas não consigo dizer mais do que isso. Sou péssimo para entender simbologias e todo essa inabilidade se manifestou mais fortemente quando li esta obra.

Apesar da minha incompreensão, este livro é tão fluído, viciante e possui tantos trechos lindamente surreais, que eu me remeto a ele sempre que penso em escrever. Quero escrever com a fluência do Márquez! E logo.

Adoro a frase inicial do livro: “Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo”. Diz Márquez que a partir do momento em que leu o livro “A Metamorfose”, de Kafka, desejou começar todos os seus livros com frases belas e significativas. Na “A Metamorfose”, Kafka começa assim: ” Certa manhã, ao acordar de sonhos inquietos, Gregor Samsa viu-se transformado num gigantesco inseto”.

Faz assim. Leia os dois.

Compare Preços do Livro Cem Anos de Solidão

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A Construção Social da Realidade

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Skinner começou e Berger e Luckmann terminaram de formatar a minha concepção de realidade. Apesar de os autores criticarem Skinner, eu vejo mais pontos de contato do que de afastamento entre as duas obras. Claro que cada livro tem sua própria concepção e seu próprio nível de análise, mas no fundo ambos falam da mesma coisa: o poder do ambiente de moldar quem somos.

No “A Construção Social da Realidade”, os autores descrevem como nossas concepções são primoridalmente formadas pela comunidade onde estamos inseridos e como essas concepções chegam até nós sem que saibamos por que elas existem. O livro me inspira a julgar todas as nossas práticas sociais e a me julgar em qualquer idéia que eu tenho. Esta obra me transformou em um crítico e em um relativista infinito.

A parte mais bacana do livro é o enorme trecho em que os autores descrevem a criação de uma pequena comunidade. A descrição é detalhada e faz muito sentido. Convenceu-me imediatamente das idéias defendidas por Berger e Luckmann.

De todos os livros desta lista, este é o que recomendo mais fortemente para leitura imediata. Repito o que o professor que me indicou me disse: “depois de ler, você vai me agradecer pela indicação”. Eu agradeci. Voltem à caixa de comentários, se for o mesmo caso. Vou gostar de saber que vocês leram.
Compare Preços do Livro A Construção Social da Realidade.

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A Ilha

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Eu adoro esse livro. Todos dizem que ele deve soar como uma crítica. Para mim, soa como um bando de boas idéias juntas sobre como deve ser uma comunidade ideal. Antes de descrever algo sobre a comunidade desenhada por Huxley, é preciso falar do seu defeito: ela fica em uma ilha, isolada do restante da civilização e, ao mesmo tempo, à mercê de outras comunidades que não a compreendem.

O fantástico da sociedade que fica na Ilha é a combinação de ciência e espiritualidade. Espiritualidade tomada simplesmente como o simbólico, não necessitando que alguém acredite que existam forças sobrenaturais. A idéia é simplesmente viver em contato e aproveitando o poder dos símbolos.

Na comunidade descrita por Huxley, as pessoas são, sobretudo, cooperativas e compreensivas. Cada um pode ser o que quiser. As pessoas praticam yoga e yoga do amor (sexo feito direito) para se sentirem mais felizes. O controle populacional espontâneo evita pessoas desempregadas e todos os outros problemas advindos da superpopulação. Durante seu crescimento, a criança pode viver em várias casas e aprende diversos tipos de trabalho. Há um esforço para prever o comportamento das pessoas e direcioná-las para atividades mais adequadas a elas, ao mesmo tempo em que há a liberdade para que cada um decida seu caminho e evite o que lhe é designado. Não há forças armadas, há baixas taxas de crimes (todos alimentados, com casa e trabalho).

As idéias de Huxley só poderiam ser implementadas na nossa civilização depois de algumas décadas de trabalho intenso e paciente. Ou melhor dizendo, talvez seja impossível, tão presos estamos aos nossos costumes. Leia o livro, certamente ele lhe fará pensar em vinte coisas ou trinta.

Compare Preços do Livro A Ilha.

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Coerção e Suas Implicações

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Este livro descreve em detalhes a máxima “violência gera violência”. O autor mostra, por meio de experimentos e de uma linguagem simples e gostosa, como situações aversivas produzem comportamento agressivo que, por sua vez, produz situações aversivas e assim por diante.

Em outras palavras, o livro mostra por que existem guerras, pessoas se machucando e famílias que se odeiam. Tudo por causa de uma verdade incoveniente: na maioria das vezes, punir é mais fácil do que compreender e ensinar. Por exemplo, um filho que não pára quieto. Ao invés de conversar com ele, trazê-lo para o lado etc, é mais fácil dar uns tapas no moleque e fica tudo certo. Não fica não! A criança vai ter raiva do agressor: e o agressor é o pai dele.

Este livro é recomendado para todos os pacifistas. É um manual de argumentos do porquê a violência e a punição não são alternativas válidas. Mais do que isso, é uma leitura deliciosa! É ótimo ver uma parte tão significativa do mundo explicada tão claramente pela ciência! Murray Sidman fez muito bem.

Infelizmente, o livro está esgotado. É o único dessa lista que eu não tenho em casa. Já procurei tanto… O próximo passo é nos sebos gigantes de sampa. Se acharem, comprem imediatamente. É um ótimo investimento.

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Sidarta

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A princípio, pensei que fosse a história de Sidarta Gautama (o Buda), contada por um ocidental. Mas o livro não é bem isso. O Sidarta da trama é diferente de Gautama (esse sim o Buda, presente no livro).

O personagem é um jovem que sai para a vida, contrariando a família, para aprender. Ele passa por diversas fases, de comerciante e aprendiz das artes do sexo, a ermitão e barqueiro. Inclusive, chega a encontrar o Buda e declina dos ensinamentos do mestre, justificando que precisa seguir o próprio caminho.

Não é o melhor livro de Hermann Hesse, mas foi o que mais me marcou. Quando eu o li, estava meio perdido, sem saber o que fazer da vida. E a reflexão que o livro me permitiu fazer é que somos construídos o tempo todo. Não existe um momento vazio.

Compare Preços do Livro Sidarta

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Maga, depois de séculos, respondi àquele pedido para que eu indicasse meus livros mais próximos. Agora, peço para que três amigos falem dos seus: o Marcus, a Renata e o Lucas.

sou fã – parte vii: livros. Homem e Mundo. Análise do Comportamento. Terapia Comportamental. Terapia. Psicologia.

Categories: Arte, Diarices, Literatura
  1. September 7, 2007 at 8:31 pm

    Bem… sendo intimado desta forma… espere e verás.
    😀

  2. September 8, 2007 at 9:01 am

    Valeu, Luchésio.
    Fico esperando sua obra, para mostrar a esse mundão lindo.
    Abraço.

  3. September 8, 2007 at 11:56 am

    Calma lá que vou falar dos meus. Espalhando memes hein? hehe boa

  1. February 8, 2008 at 5:05 pm
  2. February 8, 2008 at 5:07 pm

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