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o que é a psicologia – parte 3: o início da Psicologia I

Já falei de como a Filosofia e a Biologia influenciaram a nova ciência: Psicologia. Agora vou descrever o início da Psicologia, mostrando experimentos e as primeiras concepções acerca do que deveria ser a nova disciplina.

Neste post, continuo utilizando como base o livro de Schultz & Schultz. Compare os preços do livro “História da Psicologia Moderna”.

Lembrete: Diferentes abordagens serão apresentadas por meio do seu autor principal para simplificar o texto. É importante deixar claro que houve outros estudiosos que defendiam as abordagens descritas.

O primeiro laboratório criado exclusivamente para estudar Psicologia foi fundado por Wundt, em 1879 na Alemanha. Ele é considerado o primeiro psicólogo. O método dos seus estudos, claro, era experimental. As investigações de Wundt tinham o objetivo de descrever a consciência. A idéia do autor era a de que ela pode ser dividida em partes e cada parte pode ser estudada separadamente. No entanto, os elementos por si não eram suficientes, constituindo apenas de um caminho para compreender o dinamismo da consciência. O problema dos experimentos de Wundt era o treino necessário para que fossem levado adiante. O psicólogo utilizava a introspecção dos sujeitos como método, mas os sujeitos antes de iniciarem o estudo necessitavam passar por um longo treino de auto-observação. Esses treinos, além de tornarem os experimentos pouco ágeis, influenciavam nos resultados.

A Psicologia de Wundt teve alguns seguidores, como Titchener, que continuou, nos Estados Unidos, a tradição de realizar experimentos sobre velocidade de reação, aspectos psicológicos da visão e da audição, os sentimentos despertados por diferentes objetos, entre outros. Definiu sua Psicologia como estruturalista. Ao contrário de Wundt, Titchener estava mais preocupado em estudar os elementos da consciência de forma isolada, não pretendendo entendê-los em sua relação total. Titchener foi fortemente influenciado pela filosofia mecanicista da causa-efeito. Entre seus objetos de estudo estavam as sensações provocadas por objetos: cheiros, visões, sentido do tato, etc. A concepção estruturalista de consciência foi duramente criticada pelos funcionalistas, representados principalmente por William James.

O funcionalismo foi influenciado, entre outros elementos, pela teoria da Evolução de Charles Darwin. E aqui chegamos a um primeiro grande problema na Psicologia. A obra de Charles Darwin fala de adaptação, e não de qualidades dos seres. Por Darwin, podemos dizer que as baratas estão melhores adaptadas do que nós, no sentido de enfrentar uma onda atômica. No entanto, o primo de Darwin, um cara chamado Francis Galton corrompeu as afirmações de Darwin e criou o pensamento eugênico. Ele criou os chamados testes mentais, para avaliar diferenças individuais. Outros pensadores na linha de Galton aplicaram esses testes em larga escala, especialmente nos Estados Unidos. O problema é que os testes favoreciam os cidadãos de cultura americanas, o que produzia baixo número de acertos pelos imigrantes. Esses testes incompetentes foram utilizados como argumentos para políticas anti-imigratórias promovidas pelo governo americano. Até hoje, os testes psicológicos recebem muitas crítitcas. Eles mudaram muito de lá para cá, mas não os conheço suficientemente para falar de suas qualidades.

Felizmente, a teoria de Darwin não teve apenas impactos ruins dentro da Psicologia. Mais tarde, nesta série sobre a Psicologia, vamos ver outra abordagem influenciada por Darwin, que utiliza esses conhecimentos para lidar com problemas humanos reais, incluindo socialização de pessoas com necessidades especiais.

No próximo capítulo, vou falar sobre o desenrolar do funcionalismo, focando William James. Ele foi um funcionalista sem relação com a má utilização de Darwin e sua obra foi fundamental para a Psicologia do séc. XX.

Leia também:

O que é a Psicologia – introdução
O que é a Psicologia – Parte 1: os primórdios filosóficos
O que é a Psicologia – Parte 2: os primórdios da biologia
O que é a Psicologia – Parte 3: o início da Psicologia I
O que é a Psicologia – Parte 4: o início da Psicologia II

Categories: Crítica, Psicologia
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