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da vontade / necessidade de escrever

Imagino que, assim como eu, todos os usuários de blogs gostam de escrever.

Mas escrever é só parte do pacote maior “expressar-se”. Seja em letras, em tintas, em latas, em cortinas, em notas ou até em fofocas, a galera curte se expressar.

Eu tenho uma fissura louca em entender por que tantas pessoas gostam / necessitam disso.

Fico me perguntando como faziam nossos antepassados bem bem distantes, que tinham o mesmo corpo que nós, mas não tinham palavras ainda. Pintavam cavernas? E antes disso, também?

Então, expressar-se deve ser da nossa natureza.

Ou é algo social? Alguém se expressaria apenas para si mesmo?
Como saber qual é a essência desse delicioso comportamento? Apenas recompensas em uma vida?

Ajudem-me a matar minha curiosidade. Deixem nos comentários histórias de como começaram e por que gostam de escrever.

Muito obrigado.

Categories: Indefinido
  1. August 15, 2007 at 11:47 pm

    O meu primeiro poema eu escrevi uns 10 dias antes de fazer um blog, isso com 19 anos. Então fiz um blog, por curiosidade, e acabei escrevendo um texto para ele. Quanto terminei pensei: poxa, não sabia que eu sabia escrever assim. Afinal, não era um dissertação. Também não era um relatório. Era um texto falando da vida… algo bem inédito. Sei que só escrevo algo hoje por causa do blog. Se não fosse ele (ou alguma outra contingência parecida), provavelmente não escreveria nada hoje. Acredito que o blog aconteceu no momento certo (afinal havia escrito um poema poucos dias antes) e que, além disso, ele foi modificando a minha forma de escrever, me permitiu entrar em contato com outras formas de escrita, artes, ampliar horizontes… tudo isso tem refletido na forma como escrevo. E sim: o contato com outras pessoas, no meu caso, é crucial.

    Relendo o primeiro “poema” que escrevi, vejo que, sem querer, ele praticamente define o que tenho procurado escrever ao longo deste tempo. Por isso o reproduzo aqui:

    Um poema

    Quero um poema
    que fale sobre a vida
    e a arte de vive-la.

    Quero um poema
    em que cada palavra
    seja um lindo sorriso
    e que cada entrelinha
    seja um profundo olhar
    de compreenção.

    Quero um poema
    em que cada ponto
    indique um fim.
    E que cada nova estrofe
    indique um começo,
    porém de uma maneira
    em que o começo só seja
    compreendido depois que
    se souber do fim anterior.

    Quero um poema
    que fale de amizade,
    porém nesta estrofe
    não posso por um ponto
    final… nesta eu colocarei
    apenas reticencias… pois
    as amizades mudam,
    mas nunca acabam….

    Este poema não precisa
    ter um final feliz.
    Até por que ele
    fala de uma vida que
    não se acabou…
    Este poema fala de
    uma vida em construção.

    Quero um poema.
    Um simples, porém
    belo poema,
    em que cada frase
    seja uma pequena
    surpresa. Não quero
    um poema sério.

    Quero um poema
    que traga alegria
    aos que o lêem.

    Marcela Ortolan
    25/11/2003

    beijos

  2. August 16, 2007 at 3:19 pm

    Não é estranho essa história de escrever?

    Inspiração é o nome que a gente dá ao antes. Satisfação, ao que vem depois.

    E, o mais interessante, que isso não explica nada…

    Acho que, em alguns casos, escrever é uma atividade que é um fim em si mesma… talvez, uma das poucas que existem.

    Abraço!

  3. faggiani
    August 16, 2007 at 5:32 pm

    Bacana, Maga!
    Gostei da história e do poema. No meu caso, o blog moldou muito do que eu escrevo. Continua moldando.
    Não sei mais se quero escrever um livro…
    Beijo.

  4. faggiani
    August 16, 2007 at 5:34 pm

    Será, Aécio?
    “Um fim em si mesma” é um jeito bastante poético de se pensar sobre uma atividade. Ainda mais sendo analista do comportamento.😉
    Gostei!
    Abraço.

  5. August 16, 2007 at 10:17 pm

    hahaahahhahha

    é o prazer da atividade lúdica…

  6. August 17, 2007 at 1:47 pm

    Caro Robson,

    Acredito que é expressar e só. Por mais que alguém diga que escreveu, ou pintou, ou moldou, para si mesmo, sempre pensa que será lido, visto e observado por outro. A expressão é um prazer humano e dividir este prazer é mais humano ainda.

    (a Maga é fantástica, não?)

    Abraços!

  7. faggiani
    August 20, 2007 at 9:07 am

    Pois é, Marcio.

    Parece que essa é a resposta possível. O complexo prazer de se comunicar. Nós, donos de blog, conhecemos bem isso.

    (A Maga é mesmo fantástica).

    Abraço.

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