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o que é a psicologia – parte 1 : os primórdios filosóficos

Qualquer tentativa de falar sobre a Psicologia vai ter um viés. E o meu viés é a análise do comportamento.

As teorias discutidas aqui serão expostas muito rapidamente. Vários leiores não devem possuir vocabulário de Psicologia desenvolvido. Então, minha idéia é expôr as concepções principais de cada autor, ou grupo filosófico e/ou fisiolófico, e seguir em frente.

Etimologicamente falando, Psicologia é o estudo da alma. Acredito que nenhum psicólogo hoje em dia estude a alma, mas o termo permanece, e alma pode muitas vezes ser substituída por mente, inconsciente, cognição, etc. Tal substituição pode ser feita por uma razão: em maior ou menor grau, a maioria dos psicólogos atribuem a uma entidade interna o controle do comportamento. O maior ou menor grau, no caso, refere-se à importância dada ao ambiente pelas diferentas abordagens psicológicas.

A Psicologia nasceu de duas outras áreas: biologia e filosofia. Daqui para frente, a fonte de dados usada foi o livro “História da Psicologia Moderna”, de Schultz e Schultz.

Antes de chegar à Psicologia, vamos começar com a Filosofia:

Um dos filósofos que influenciou a Psicologia foi Descartes, e sua idéia de separação mente-corpo. A idéia foi herdada de Platão, que afirmava que a mente pode exercer grande influência sobre o corpo, mas o corpo não tinha muito poder sobre a mente. Além disso, Descartes fortaleceu a noção da realidade como sendo causa-efeito. Muitas das teorias psicológicas existentes hojes usam a separação mente-corpo, ainda que chamem mente de cognição, por exemplo. Parapsicólogos levaram à idéia ao extremo, afirmando que a mente pode modificar não apenas o corpo, mas interagir diretamente com o ambiente físico, ou com outras mentes. As posições de Descartes, tanto com relação à ciência simplista causa-efeito, quanto com relação à divisão mente-corpo foram superadas por outros pensamentos psicológicos.

O positivismo foi outro movimento norteador para a Psicologia. Ainda era mentalista, e afirmava que os objetos de estudo de qualquer ciência deveriam ser apenas objetos observáveis. Aplicado à Psicologia, isso quer dizer que a mente existe, mas ela não serve como objeto científico, pois não pode ser acessada. Com algumas raízes no positivismo, surgiu o empirismo, para o qual o homem é uma tábula rasa, isto é, nasce em branco e é inteiramente moldado pelo ambiente. Esta posição tão estranha hoje em dia, quando sabemos tanto sobre a influência genética sobre o comportamento, foi fundamental para a formação da Psicologia. Um dos principais defensores do empirismo e da tábula rasa foi Locke. Essas concepções também foram, felizmente, superadas.

Uma noção filosófica que mais tarde tornou-se importante para a análise do comportamento foi o pragmatismo, desenvolvido por Peirce e William James. De acordo com os autores, é impossível fazer qualquer afirmação categórica sobre a realidade. Não existem maneiras de confirmar se realmente existe alma, mente, Deus, etc. Qualquer afirmação sobre qualquer assunto está irremediavelmente impregnada de experiências pessoais. James e Peirce concluíram, então, que a única maneira de afirmar que uma teoria é melhor do que é outra é por meio da análise dos seus resultados. Isso quer dizer que o melhor conhecimento é aquele que produz melhores conseqüências. Sendo o objetivo da Psicologia explicar o homem, a melhor teoria é aquela que conseguir explicar mais comportamentos da maneira mais fácil. Essa afirmação, aparentemente tão simples, tem um corolário fenomenal: não existe melhor teoria por muito tempo, pois o título de melhor sempre será transferido para uma nova teoria, que explique mais coisas.

Na próxima parte, vou falar sobre as influências biológicas na Psicologia.

O que é a Psicologia – introdução
O que é a Psicologia – Parte 1: os primórdios filosóficos
O que é a Psicologia – Parte 2: os primórdios da biologia
O que é a Psicologia – Parte 3: o início da Psicologia I
O que é a Psicologia – Parte 4: o início da Psicologia II

Categories: Crítica, Psicologia
  1. Léo
    August 2, 2007 at 11:06 am

    Olá Robson,

    Eu sou um entusiasta da Psicologia Comportamental, apesar dessa ciência não fazer parte da minha área. Encontrei seu site por acaso, numa busca pelo google, e gostaria de manter contacto via e-mail, pois gostei de boa parte do li aqui neste blog.

    Bem, incialmente, minha intenção não era comentar neste post, mas sim no post “e quem não tem deus ou algo assim?”, pois tenho muito interesse em informações a cerca deste tema — claro, do ponto de vista comportamental. Só respondi aqui porque é o post mais recente e, teoricamente, o mais provável de ser lido por você.

    Fica o contive a uma conversa.

  2. faggiani
    August 2, 2007 at 11:48 am

    Fala, Léo.
    Fique à vontade para mandar e-mails.
    Agora você tem o meu.
    Vamos conversar.
    Abraço.

  3. August 3, 2007 at 11:17 pm

    Em Fedro, livro de Platão que é a transcrição de um dialogo de Socrates com o jovem Fedro ele fala da psicogogia ou capacidade de conduzir almas. Interessante, né?

    Achei bacana você ter deixado claro no incio do texto que a Análise do comportamento é o teu filtro, afinal isso aparece em vários momentos do texto e foi bem perspicaz da tua parte deixar avisado.

    De resto vou continuar acompanhando…

    Beijos

  4. faggiani
    August 6, 2007 at 8:19 am

    Valeu, Maga!
    Coloquei o aviso sabendo que eu nunca poderia desvestir a camisa…
    Dá um trabalhinho fazer essa série… Hoje devo falar sobre os primórdios da biologia.

    Beijos.

  5. August 6, 2007 at 11:18 am

    Bela iniciativa!

    Agora, reportando-se ao comentário da Maga, que coisa conceber a psicologia como ‘condutora’ de almas! Deixa de ser estudo da alma, e passa a ser prescrição moral!

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