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o que nos fazem pensar

Acabo de ler uma reportagem da revista Superinteressante sobre energia nuclear. Alguns defensores do meio-ambiente voltaram atrás na condenação da energia nuclear e começam a reconhecer que este tipo de produção de energia é menos maléfica ao meio-ambiente do que a produção comum, por meio de petróleo, sobretudo; muito mais barata do que fontes solares e eólicas de energia; e, além disso, torna desnecessária que sejam criadas represas artificiais. Outros defensores do ambiente não compraram a idéia ainda.

O mais interessante no debate, no entanto, não é se a energia nuclear é maléfica ou não, mas sim como diferentes eventos mudam nossa maneira de pensar. Os acontecimentos que tornaram a fissão nuclear inimiga da opinião pública foram o desastre de Chernobyl e as bombas americanas no Japão. Foram, realmente, momentos terríveis na história da humanidade. Mas, por alguns motivos, precisam ser relevados, no contexto de produção de energia.

Primeiro, produção de bombas e produção de energia são coisas diferentes. Assim como são diferentes utilizar gasolina em automóveis e em coquetéis molotov. Além disso, há evidências fortes de que o desastre de Chernobyl foi causa de erro humano. Novas medidas de segurança reduzem ao mínimo a possibilidade de novos problemas. Bom, todos continuamos dirigindo nossos carros, que matam infinitamente mais do que usinas nucleares. Infinitamente mais. Para finalizar, a energia nuclear é barata, eficiente e evita, além do represamento, que diversos países fiquem dependentes dos produtores de petróleo.

Toda a opinião pública contrária à energia nuclear foi criada por ondas, honestas e compreensíveis, de indignação. Não houve ponderação do ocorrido, ao menos não por parte de grande parte da população. Os ecologistas rapidamente hastearam bandeiras contra a energia nuclear, baseados na paixão. E muitos de nós compramos a idéia, ainda que não tenhamos visto as bombas ou conheçamos a fundo o ocorrido em Chernobyl.

O tempo, e os dados, estão mudando a opinião de muita gente. Agora que a paixão passou, as pessoas estão prestando atenção ao que importa no nosso novo contexto: fontes de energia baratas e alternativas ao petróleo. Análises aprofundadas de custo e mesmo de poluição estão mudando concepções cimentadas há muito tempo. Muitos entrevistados da superinteressante, incluindo ecologistas, pensam que a energia nuclear é uma esperança contra o aquecimento global.

Vendo tudo isso, é interessante fazer duas perguntas:

O quanto o aquecimento global e as guerras em nome do petróleo poderiam ter sido evitadas não fossem opiniões apaixonadas?

Quantas opiniões apaixonadas nos impedem de vermos maneiras mais eficazes de fazer as coisas?

É sempre bom deixar claro: não sou contra a “paixão”, sou a favor da ponderação.
PS: Há ainda um problema. O lixo… Por enquanto está dando “certo”. Estão estudando novas maneiras de lidar com ele

Categories: Ciência, Coisologia
  1. July 29, 2007 at 10:57 pm

    Adorei o texto!

    Vou até na super ler a reportagem (esqueci da revista deste mês! O.o)

    Ah… só uma coisa…
    “Novas medidas de segurança reduzem ao mínimo a possibilidade de novos problemas.” Mais alguém ai pensou no Hommer? rs

    beijos

  2. July 30, 2007 at 1:07 am

    Caro Robson,

    Aqui no Chile há uma preocupação muito forte sobre esta questão. Enquanto ambientalistas rechaçam a idéia a realidade mostra que o país não tem muita escolha. Essa é a questão principal: poder escolher.

    Abraços!

  3. faggiani
    July 30, 2007 at 2:18 pm

    Não tem como o Homer não vir à cabeça, não é?

    Inclusive, eu, em minha eterna paranóia positiva, penso que a reportagem da Super foi uma propaganda do filme dos Simpsons, que estréia em agosto e tem a temática relacionada à energia nuclear. Essa idéia só fica mais forte quando você a capa, baseada no desenho…

    Beijo.

  4. faggiani
    July 30, 2007 at 2:19 pm

    Bacana a informação.

    Aqui no Brasil estamos tão sossegados com o nosso potencial hidrelétrico, que nem conseguimos imaginar como outros países lidam com o aumento da demanada de eletricidade.

    Um abraço.

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