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às novas descobertas

Estou há alguns dias procurando um assunto. Os da moda não me interessam. Aliás, a moda de assuntos não anda lá muito nova. É sempre a mesma coisa: congressista ladrão e caos nos aeroportos. É um país lindo.

Decidi escrever um texto sobre o tédio.

Quando eu era mais garoto, nada era chato. Qualquer programa era feito na hora, sem erro, empolgado, tudo fácil. Mas fui crescendo, aprendendo e os programas começaram a se repetir. Ir sempre para o mesmo bar, marcar gol nas mesmas traves, dirigir de dia, de noite, de madrugada. Até que chegou a um nível crítico: todas as praias se tornaram apenas areia e água. Os detalhes que faziam os programas únicos foram se fundindo e desaparecendo, até sobrar uma parede branca em que só se vê o óbvio. E o óbvio, galera, é um saco.

Chega um momento em que um programa tem que enfrentar seu julgamento definitivo. Ou ele se torna um ritual e é repetido com ardor muitas e muitas vezes, ou se torna um programa entediante… O resultado do julgamento depende, claro, da quantidade de prazer que o programa proporciona. Eu tenho alguns rituais. Você também. E temos um monte, mas muitos mesmo, de nomes na lista dos “entediantes”.

o-rei-cansado.jpg
o rei cansado

Depois de um tempo, o que começa a fazer a diferença nos programas são as pessoas com quem convivemos. Restaurantes podem ser bem diferentes, mas o que importa realmente é aquele figura que conta as piadas mais engraçadas da vida, do universo e tudo o mais, e aquela gata inteligente que te dá bola. As outras pessoas possuem a maravilhosa qualidade de não ser nós mesmos. É por isso que elas podem fazer com que vejamos novamente os detalhes, ou tudo por outro ângulo. Graças a elas eu reparo que algumas areias são mais fofas, as águas mais limpas e o vento agitado.

Ih, mas tem pessoa que é chata. É verdade. Conseguem estragar qualquer programa com discussões sobre nada, observações sem sentido ou mesmo uma cara de amargo que dá vontade de chutar. Meu conselho é não conviver com essas pessoas. Se forem amigos antigos, daqueles que você sente saudade de verdade, só vá a programas velhos para evitar que o mala estrague um miraculoso ambiente novo. Se for conhecido recente, desconheça.

E, finalmente, quando uma pessoa bacana te convidar pra sair, não pense “ah, já fui naquele bar”, ou “não gosto de ir em parques, já fui muitas vezes”. Lembre que essas são as pessoas que podem te levar a novas descobertas. Ou redescobertas.

No mais, salvem os rituais.

PS: Se for ao mesmo restaurante, sente-se em mesas diferentes. Na praia, mude o guarda sol de lugar. É pouco, mas ajuda.

Categories: Coisologia
  1. Marcela Ortolan
    July 5, 2007 at 11:38 pm

    Adorei o texto!!!! Quando era pequena ficava entediada muito fácil… engraçado, mas precisei crescer para entender a beleza de muitas coisas (que dizem que as crianças apenas percebem). Acho que a televisão e todas as outras mídias eletrônicas ajudam a anestesiar os sentidos, fazem tudo parecer banal, a vida real parecer lenta demais… Mas são apenas elocubrações “sobre o nada” rs.

    Gostei bastante do texto… e o principal: ele não me causou tédio.

    beijos

    ps.: “Ih, mas tem pessoa que é chata” -> chata não significa entediante… sempre dá pra rir depois da fria em que você entrou ahahahahhaahha

    Resposta:
    Acho que, no fim das contas, todas as elocubrações são sobre o nada. E daí, todas são válidas.
    Beijo!

  2. July 5, 2007 at 11:52 pm

    Tédio- Biquini Cavadão (Bruno Gouveia)

    Sabe esses dias em que horas dizem nada
    E você nem troca o pijama, preferia estar na cama
    Um dia , a monotonia tomou conta de mim
    É o tédio , cortando os meus programas, esperando o meu fim

    Sentado no meu quarto
    O tempo voa
    Lá fora a vida passa
    E eu aqui a toa
    Eu já tentei de tudo
    Mas não tenho remédio
    Pra livrar-me deste tédio

    Vejo um programa que não me satisfaz
    Leio o jornal que é de ontem , pois pra mim , tanto faz
    Eu já tive esse problema, sei que o tédio é sempre assim
    E se tudo piorar, não sei do que sou capaz (repete a paritir do refrão)

    Tédio, não tenho um programa
    Tédio , esse é o meu drama
    O que corrói é o tédio
    Um dia, eu fico sério
    Me atiro deste prédio.

    ————————-

    Na pior das hipóteses, veja a mesma banda, com a mesma música, em uma mídia diferente.

    Como em um comentário no blog…

    Resposta:
    Fala Aécio,
    Bom te ver por aqui. Eu não sabia que você tem um blog. Vou dar uma olhada nele.
    Não vou à Brasília, mas espero te encontrar na SBP, em Floripa.
    E eu não conhecia a música. Viva a descoberta.
    Abraço.

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