Os apagados

Tinha uma época em que eu colocava coisas sem sentido no blog quando não tinha nada sobre o que escrever. Surgiram coisas engraçadas naquela época.

Agora eu não tenho muito sobre o que escrever. Toda vez que sento diante da tela vazia do blog, preciso pensar muito antes de sair alguma coisa. Vocês não têm idéia de quantos textos eu apaguei nos últimos meses. Estou muito mais exigente com a minha própria escrita. Tenho um melhor treino de leitura do que tenho de escrita, então para mim é fácil ler meus próprios textos e perceber pequenas contradições nas idéias expostas. É mais fácil do que realmente escrever um texto coerente do princípio ao fim. Eu tenho essa fixação por coerência e bom desenvolvimento do texto.

Minha exigência comigo mesmo é excelente, no sentido de que me força a querer melhorar e melhorar. Por outro lado, está me enchendo o saco isso de apagar 90% do que escrevo. Vejam assuntos recentes sobre os quais eu estava prestes a publicar, mas foram barrados pela auto-crítica:

  • “Os Vagabundos Iluminados” – Livro de Jack Kerouac que fala sobre alguns budistas nada convencionais. O livro não é melhor do que “On the Road”, mas vale a pena ser lido. Budistas ocidentais, o próprio caminho. Eu ia traçar um paralelo com o “Sidarta” do Hermann Hesse: cada um faz seu caminho para a paz. Sugiro que o Lucas dê uma olhada.
  • Extraterrestres – Queria dizer que acredito que existe vida em outro planeta. A probabilidade de não haver nem mesmo seres unicelulares fora da Terra, em um universo teoricamente infinito é ridiculamente pequena. É mais fácil ganhar na mega sena 100 vezes seguidas. ETs provavelmente acabariam com algumas religiões e fortaleceriam outras.
  • Não Escrever – São tantos textos e isso gera tanta informação inútil (vide este blog), que talvez valha mais a pena parar de escrever. Um texto com boa intenção, por exemplo, de alertar alguém para algo não produz quase efeito nenhum; por dois motivos principais: são muitos textos falando a mesma coisa (diluição), e as pessoas não costumam ouvir de verdade outras idéias (vide campanhas para lixo reciclável e afins). A maioria das pessoas que escreve faz isso apenas para satisfazer a si mesmo. Acho que é preciso ter consciência disso… raramente seu texto afetará alguém de verdade
  • Decadência do Mundo – Estou tão de saco cheio do nosso modo de vida que queria escrever um texto diferente sobre isso. No entanto, milhões de textos com a temática já foram escritos. Eu mesmo me arrisquei em alguns. Não escrevi principalmente por causa das reflexões do tópico anterior.
  • O Gesto e a Palavra – Seria um conto para discutir como os gestos são mais poderosos do que as palavras, e como os gestos podem ser falsos e permanecerem escondidos quando não se revelam os “pensamentos” (ou palavras).

Era isso.

  1. January 17, 2007 at 11:19 am

    Que engraçado. Uma coisa semelhante acontece comigo.

    Tenho uma mão cheia de textos que eu tento começar, mas não consigo terminar. O último, eu queria falar sobre aquela coisa que todo mundo fala um pro outro, “conviva com as pessoas como se fosse o último momento”. Esta questão do último momento tem que ser bem pensada.

    Mas daí eu coloco outros textos – principalmente as partes que mais me chamam a atenção nos livros, tanto os que eu tou lendo agora, como os que eu li e leio faz anos – por aquele velho motivo: eles falam de uma coisa que eu gostaria de dizer.

    E, de quebra, dizer melhor. Ser escritor “de verdade” deve ser uma coisa muito complicada, e somente o acaso, com um pouco de pitada de mistério, pode explicar.

    “Os vagabundos iluminados” já está aqui em casa. É interessante.

  2. January 18, 2007 at 11:51 am

    Só para dizer mais?

    Eu acho que os cinco tópicos arrolados acima estão tão conectados, mas tão conectados, que você só escreveria alguma coisa que se satisfazesse se fosse os cinco de uma vez. Ou, melhor, não ia escrever, mas ia fundar uma religião nova – os gestos são mais importantes.

    Brincadeira, sei que você não é o tipo de pessoa que funda religiões.

  3. January 18, 2007 at 12:49 pm

    Rob querido… eu concordo com o Lucas quanto a existência de uma certa conexão entre os temas… =D Entretanto, sou muito fã do Kerouac e adoro o livro Sidarta… eu adoraria ler um texto seu sobre esse tema. E como adoraria! Ainda não li “Os vagabundos iluminados”, mas comecei a ler “O livro dos sonhos” do Kerouac em que ele registra todos os sonhos que teve com os personagens de “On the road” e mais um outro livro. É engraçado porque tem até legenda correlacionando os personagens do sonho e dos livros.

    Bom… eu acredito em extraterrestres também. E tenho até um ponto de vista mais romântico sobre isso, mas só falo sobre isso ao vivo porque é muito polêmico… =P

    O tema da decadência do mundo tem me interessado muitíssimo e inclusive eu ando atrás de soluções, alternativas e pessoas afim de AGIR… de colocar em prática gestos para mudar esse realidade. Sim, eu acredito em mudança, embora o mundo esteja em colapso. Uma coisa legal para contrapor esse assunto do mundo em colapso são as ecovilas. Rob, você mora em Guarulhos e está perto das ecovilas mais legais do país. Por favor, algum final de semana desses chame a sua amada para ir conhecer e ver qual é. Posso te passar os nomes, caso você se interesse. =D

    Me empolguei com esse sue post. hehehe

    Ah, e quando você vier aqui eu te conto mais sobre os meus planos de dominar o mundo e o interior… hehehehe
    Saudades de você amigo!

    Beijão,

    Quel

  4. January 18, 2007 at 12:50 pm

    Aliás, esqueci de falar que peguei outro livro do Herman Hesse para ler que chama “Narciso e Goldmund”. Depois eu te conto o que achei.
    beijos,
    Quel

  5. January 19, 2007 at 1:29 am

    entendo perfeitamente a crise…

    mas tenho boas noticias: as pautas foram aprovadas, já tens temas para os proximos 5 posts rs

    Sério, escreva sobre esses assustos! fiquei curiosa! de verdade!!!

    Beijos

    ps.: terminei de ler A ilha. altas ideias, apareça!

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