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Rua dos Banheiros Quebrados

Os sádicos governantes de São Paulo não instalaram banheiros públicos nas estações de metrô, forçando os apertados passageiros a se virarem pelos bares que banham as entradas das estações. Faz-se uma peregrinação singela rumo às espeluncas.

Não sei que centelha de auto-flagelação comanda meus rins e bexiga a ficarem próximos de estourar justamente quando chego à Rua dos Banheiros Quebrados.

Em qualquer dia, em qualquer bar próximo à Estação Tucuruvi, o banheiro não estará funcionando. Uma onda-Murphy varre a possibilidade de alívio dos transeuntes necessitados na Rua dos Banheiros Quebrados. É uma rua sem esperança: o deserto do bom funcionamento, o cemitério do extravasamento… assim é a triste Rua dos Banheiros Quebrados.

Não adianta ser simpático com os funcionários dos bares, o banheiro estará indisponível para uso. Apenas uma solução: consumir assim que chegar ao bar. Pedir o banheiro antes de tomar alguma coisa (peça algo de comer, não tome), ouvir “quebrado” e depois sugerir consumo desmentiria o dono do bar e o orgulho egoísta e mesquinho dele não permitira isso…

Certa vez eu me encontrava no estágio bailarino da inundação bexigal: contorcia-me como um dançarino de hip-hop. Aquela centelha de auto-flagelação levou o problema, claro, diretamente à Rua dos Banheiros Quebrados. No meu bolso estava apenas a passagem de ônibus.

Abandonai toda a esperança, disse aquele rapaz Dante depois de Cristo…
Antes de Cristo, escreveram no I-Ching: “o persistente encontrará fortuna”.
Murphy sorria para mim com olhos de ressaca.

Entrei no bar, uma pastelaria, dançando a minha dança da contorção. Olhei nos olhos do rapaz do caixa. Creio que ele compreendeu tudo. Implorei pelo banheiro. E…

Categories: Crônica, Diarices, São Paulo
  1. January 13, 2007 at 10:49 am

    Brero, teus últimos textos estão muito bons. E são engraçados e não me fazem chorar, o que já é uma grande vantagem no atual estado das coisas, como contei no blog hoje (sim, atualizei, finalmente).
    beijão.

  2. January 13, 2007 at 10:54 am

    Muito bom seu texto… bah… hehehehe “bailarino da inundação bexigal”… hauhauhauhauah me acabei de rir nessa parte. De fato, Murphy está sempre sempre presente nessas horas delicadas… sempre.
    beijo pra vc Rob!
    Quel

  3. January 14, 2007 at 12:15 am

    Bah…

    … o poder do reforço negativo…

    balarino de hip-hop… não sabia dessas suas habilidades hahahahahahaha

    Seguinte: li.

    Agora vê se aparece que estou desesperada pra conversar com alguem. beijos

  4. January 14, 2007 at 12:00 pm

    Cara, gostei do texto. Se vocês tiverem que ficar com as bexigas cheias para escrever este tipo de coisa, eu dou apoio total e incondicional para a prefeitura de Sampa.
    😀

  5. Tsu
    January 15, 2007 at 1:14 pm

    Huauahuahuahaua…e aí, no fim das contas…
    deu ou não deu?

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