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Sobre mudar de casa: adeus Eng. Goulart

Mudar de casa é um processo sinuoso. São muitos adeus, muitos ois. Você nunca sabe o que vai acontecer na próxima curva. Eu tenho experiência em mudanças. Vou contar aqui para me lembrar um dia:

nasci em são paulo, morando em eng. goulart
mudei para a casa da frente
mudei para o centro de guarulhos
mudei para um bairro de guarulhos do qual não lembro o nome
mudei para belo horizonte
mudei para o centro de guarulhos
mudei para o bairro macedo, em guarulhos
mudei para florianópolis, bairro trindade
(enquanto isso ajudei minha família a se mudar para o santa mena, em guarulhos)
mudei para outro lugar do bairro da trindade, em florianópolis
mudei para o bairro da carvoeira (será isso mesmo?), em florianópolis
(enquanto isso minha família mudou para o bairro pq renato maia, em guarulhos)
mudei para o bairro pq renato maia, em guarulhos

Foram algumas. Não estou contando outras mudanças em que participei como ajudante; ou de casas de passeio (mais 3 viagens). Em todas elas houve muita encheção de saco. Bagunçar, embalar, carregar, desembalar, arrumar. Cansa!

No último momento você fecha a porta da casa antiga, dá adeus ao quarto, à sala, à cozinha, tanta coisa aconteceu… Segue pela rua talvez pela última vez; é um processo bastante melancólico. São muitas lembranças de um lar com cheiros, barulhos, características únicas. É sempre estranho deixar o lugar onde você se alimentou e dormiu por tanto tempo. Adeus aos amigos, aos bons vizinhos, ao povo da região; pessoas que são o cimento de muitas idéias e sentimentos. E agora em outro bairro, outra cidade, outro país? Quem será você no novo terreno inédito?

Quando você escolhe sua nova casa, a felicidade é a entrada pela porta. Olhar pela janela: outra vista a explorar. Gosto de ouvir os barulhos (odeio se forem muitos), sacar as pessoas que passam. Fico fascinado se houver crianças brincando na rua; eu fui uma criança que brincou na rua, de pega-pega, esconde-esconde, amarelinha, muito futebol com golzinhos de pequenas pedras. Vizinhos divertidos ainda existem, apesar de raros. Novas cidades são empolgantes, muito mais para ver e gostar. Ou então você não escolhe sua casa: chateação, algo sobre o qual este texto não é.

Vejam a lista acima. As duas primeiras casas em Eng. Goulart. Naquela rua fui a criança brincando de futebol. Meus primeiros amigos fiz lá. Andávamos de bicicleta em bandos. Nunca esqueço um amigo que morreu atrás de um pipa; todos éramos muito jovens. A primeira vez que briguei foi lá, e também foi naquela rua que estourei o queixo ao cair depois de empinar minha bicicleta para me exibir para uma menina. Geniais campeonatos de futebol 1 contra 1. E quando jogávamos em 3, éramos eu, meu irmão e meu primo que ganhávamos metade das partidas. Tinham outros caras bons: Adriano, Edson e Balé.

Nunca saí de verdade de Eng. Goulart, minha avó continuou morando lá todos esse anos. A rua esteve sempre ao meu alcance. Até hoje: minha avó veio morar em Guarulhos e a rua de boas histórias perdeu sua âncora…

Depois de tantas mudanças, estou acostumado a dizer adeus. Já foram tantos e tão tristes. Hoje foi de raiz. Adeus, Eng. Goulart.

Categories: Coisologia, Crônica, Diarices
  1. January 10, 2007 at 11:10 pm

    Fostes aos pontos: mudar é dificil e bom.

    … acho que estou com vontade de mudar… de novo…

    Belo texto!

    Beijos

    ps.: estou lendo, estou lendo!

  2. January 13, 2007 at 10:43 am

    Fazia um tempinho que eu não passava por aqui! Muito gostoso ler o seu texto e lembrar da minha própria história de mudanças e mudanças que participei… é doloroso fazer a mudança raiz mesmo. Essa eu fiz quando tinha 10 anos e mudei de cidade. Não restou nenhum vínculo familiar na cidade, somente lembranças e saudades.
    Mais recentemente, o lugar que me traz muitas saudades é o apartamento em que o Ju morava quando começamos a namorar. Era uma república e aparentemente não tinha nada demais. Mas na verdade tinha tudo.
    Quando você chegará à Ilha da Magia?
    beijos!!!
    Quel

  3. André
    January 29, 2007 at 5:31 pm

    eu moro no Engº goulart …
    conheço o balé . hj ele ta maior marmanjo…
    tb conheço o tessaro e o o bran …
    tenho 13 anos… esse amigo q vc citou q acabou morrendo
    atrás de pipa deve c chamar glauber num é ? ….
    eu acho q vc deve ser o baihano .
    flw e um abraço

  4. Clóvis ( Cocó )
    November 20, 2008 at 9:04 am

    Olá…amigo.
    Estava procurando algo na internet referente o passado de Eng. Goulart, bairro onde fui criado, e morei por muitos anos.
    Mudei para lá em 1969, tinha na época 06 anos de idade.
    Acho que o meu pai vc já ouviu falar, Sr. Edson, Chefe da Estação Ferroviária de Eng. Goulart. Toda a minha infância foi naquela casa amarela, na beira da linha de trem, onde havia muitas frutas e também um campinho de futebol, onde meus colegas da escola, o República do Uruguai, iam após as aulas jogar bola. O meu apelido na época era Cocó. É isso aí um forte abraço.

  5. Juliana
    November 9, 2010 at 7:58 pm

    Vc é o robson ? irmão do Denis e do Diego?
    acho q sim, pelo menos parece muito .
    Eu sou juliana prima do pernê , neta da marlene.
    abraço!

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