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O ungido

Ontem meu sobrinho foi batizado na Igr. Católica. O menino deixou de ser pagão. Assim como eu, ele foi adicionado ao rebanho sem direito à escolha. No entanto, compreendo a decisão da minha cunhada e do meu irmão. Se meu filho escolher ser batizado na Igr. Católica, ele será. Claro, se ele escolher.

Fazia muito tempo que eu não ficava em uma igreja por mais de 5 min. A última vez tinha sido na Catedral da Sé, por curiosidade estética. Durante a cerimônia do batizado, o padre falou uma porção de coisas interessantes. Algumas besteiras sensacionais e outro tanto de coisas legais. Ele disse, por exemplo, que o batizado não é um milagre de salvação, pois ação é necessária: ação boa. Também alertou aos pais que agora eles tinham um ser especial em casa, e que ele deveria ser educado segundo preceitos morais e tal e tal. Tudo a ver com a lógica católica.

Aí… ele disse que a falta de crença conduz à criminalidade. E, neste momento, ao meu ver, tudo que era legal tornou-se subitamente tenebroso… Não entendo o suficiente para saber se esses ditos poderiam sair da boca de todo o rebanho, ou o padre criou a coisa. A idéia, de acordo com o contexto em que foi exposta, dizia que os criminosos são criminosos porque não têm fé. Isso se chama ignorar o mundo.

Outro fato curioso aconteceu antes. Meu irmão não gostou do que o padre disse no ensaio: “A partir do momento em que seu filho for batizado, o padrinho vai ser mais importante para a vida dele do que os pais”. Meu irmão quase foi embora, mas a namorada o segurou firme. Aparentemente, o escolhido para introduzir uma pessoa na igreja torna-se, aos olhos da igreja, mais importante do que as pessoas que introduziram a pessoa ao mundo. É uma idéia que pode assombar alguns pais, com certeza.

O que vocês pensam sobre batizado?

E essa é um parte da história do batizado do meu sobrinho bacanão.

Categories: Geral
  1. November 13, 2006 at 9:58 pm

    Ummm… vou pensar um pouco sobre isso, se chegar a alguma conclusão volto aqui pra conta-la, ok?

    Mas o que está me fazendo contorcer de curiosidade mesmo é uma certa história de uma viagem pra SanCa e uma das semanas mais interessantes da tua vida academica e tal… rs

    beijos

  2. November 15, 2006 at 2:05 pm

    Brero, eu adoro ter sido batizada. Nâo pelo que significa pela igreja, mas pq tive uma madrinha fantástica, que me enchia de presentes e, principalmente, me fazia sentir mais especial que os sobrinhos e tals. Uma relação bonita mesmo, de muito carinho. Nesse sentido, acho bacana a gente ter alguém especial assim🙂
    beijo

  3. November 27, 2006 at 9:21 am

    Caro Robson, é um prazer ter você como um dos meus (agora) três leitores.
    Quanto ao batismo, eu sempre lembro da Divina Comédia. No limbo, que fica às portas do inferno propriamente dito, Dante pôs as almas de grandes pensadores e artistas pagãos, como Sócrates, Aristóteles, Virgílio… porque viveram antes da era cristã, e por isso não podiam ser salvos (sem a redenção do Filho do Homem, etc.). Junto com eles, pelo mesmo motivo de falta de batismo, todas as almas das crianças que, mesmo tendo morrido sem cometer faltas voluntárias, não foram ungidas.
    Entre os gregos, dentre outros, no inferno, ou entre os santos no paraíso, onde seria melhor passar o tempo? E os filósofos seriam “castigados” com passarem a eternidade a ensinar metafísica para bebês?

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