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Rezar

Uma noite de quinta-feira. Estavam no Bar Paratodos, sem variar, Alton, Mauricio, Otávio e Rafael. Na mesa, sem variar, quatro copos, garrafas de cerveja, de água e de refrigerante. O passatempo também era o mesmo: criticar Otávio e seu monoteísmo.

Mauricio: Explique porque uma pessoa acredita em rezar.
Otávio: Cada pessoa deve rezar por um motivo, eu acho. Eu rezo para me manter em contato com o que acredito.
Mauricio: Mas você reza para pedir coisas?
Otávio: De vez em quando eu rezo para pedir, sim…
Mauricio: E do que adianta rezar para pedir? Você realmente acredita que é ajudado?
Otávio: É claro que eu sou ajudado, caso contrário eu não rezaria.
Mauricio: (Risos) Faz sentido. Rafael?
Rafel: (Terminando um copo) Claro que faz sentido, Otávio.
Mauricio: Mas imagine o seguinte: Dez pessoas disputando por uma vaga de emprego que requer boa nota em uma prova difícil… Três dessas pessoas estudaram loucamente. Cinco dessas pessoas mal estudaram. Duas estudaram medianamente, e ambas rezam. Qual delas seria aprovada no exame?
Otávio: O que eu sei é que cinco bestas não passariam. Das pessoas que estudaram loucamente, com certeza passaria a que leu assuntos que apareceram na prova. Sobram três possíveis, então.
Rafael: Agora eu fiquei curioso. Entre as pessoas que rezaram, qual delas tem mais chance de ser aprovada, a que rezou mais? E entre o vencedor desses dois e o vencedor dos estudiosos, quem seria aprovado?
Otávio: Provavelmente o que estudou mais.
Rafael: Ué, então do que adianta rezar?
Otávio: Por que vocês não colocaram no páreo o estudioso que rezou? A fé e a ação têm que andar juntas. Vocês insistem em ignorar isso.
Mauricio: Então o estudioso que reza seria aprovado, pois ele tem mais vantagens. Mas qual a vantagem de rezar mesmo?
Otávio: A pessoa de fé sabe que tem Alguém olhando por ela.
Mauricio: Esta é a explicação?
Otávio: Sim, ela é mais confiante.
Mauricio: E se a pessoa que não reza também for confiante?
Alton: Posso falar?
Rafael: Ora, vejam só quem vai falar. Alton, o calado.
Mauricio: Fala, então.
Alton: A explicação da fé do Mauricio tem sentido, ainda que a reza funcione como placebo. O que o Mauricio quer dizer também faz sentido; mas para vocês responderem a essa questão inútil vocês teriam que explorar muitos “e se…”. A cerveja vai esquentar. Vocês nunca perderão essa mania pervertida de contrapor fé e razão? Besteira de colegial!
Risos gerais.
Mauricio: Verdade, a razão ganha de largo. Mais uma cerveja?
Otávio: (De cara fechada). Claro, manda vir.

— xx — xx — xx — xx — xx —

Estes personagens fazem parte das histórias de Alton. Em breve, mais; e os outros personagens que compõem o texto.

Categories: Filosofia, Prosa
  1. November 5, 2006 at 1:11 pm

    uma água pra mim, por favor.

    hahahahahahhaha

    beijos

  2. November 10, 2006 at 10:19 pm

    tem tequila?
    eu voto que é aprovado o cara que é amigo do filho do lula.

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