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On the road, The Doors e Neal Cassady

OBS: Todos os dados deste post são baseados em minha própria leitura e em artigos da Wikipedia em inglês. Todos os links levam a esses artigos.

Em 1957, Jack Kerouac publicou o livro “On the road” (Pé na estrada), que alguns chamaram de a Bíblia beat. O livro foi seminal. Além de imensamente referenciado em músicas, livros e etc, produziu um novo tipo de conteúdo: as histórias de estradas regadas a álcool, liberdade, sexo, e irresponsabilidade; um estilo libertário e anti-tudo que é bacana até hoje. Se você já se imaginou vagando mundo afora, Pé na Estrada é o seu livro.

No livro, o narrador Sal Paradise conta sobre suas andanças com Dean Moriarty e outros amigos; entre eles, Carlo Marx. O livro é escrito em primeira pessoa com um estilo muito, mas muito fluido. Os acontecimentos vão se passando e ficando para trás sem maiores contemplações. Os personagens têm desejos intensos. Vivem em uma clima quase irreal, vagando pelos dias como vagam pelas estradas. A lei é a vontade, e a vontade não conhece prisões. O clima de desprendimento dos personagens é de alguma forma parecido com o que um dia eu chamei de “Iluminação ao estilo ocidental”.

ondaroad.jpg
Capa de uma das edições do livro. “Busca frenética por Experiência e Sensação”

O bacana é que os personagens do livro são conhecidos do Jack real. O narrador do livro, Sal Paradise, é na realidade o próprio autor, Jack Kerouac. Dean Moriarty, o grande centro do livro, é Neal Cassady (uma pessoa lendária que será comentada mais a frente). Por sua vez, Carlo Marx é Allen Ginsberg, outro amigo de Jack, e Old Bull Lee é William Burroughs. A lista completa dos personagens e suas contrapartes reais nos livros de Kerouac está aqui. Essas pessoas formam a geração beat, que mais tarde, em teoria, daria origem aos hippies e tudo aqulo que vocês conhecem sobre eles (fonte: beat generation).

Neal Cassady é personagem de mais de um livro de Kerouac. É também um ícone para mais autores. Aventurou-se muito mais do que Kerouac poderia descrever. Tenho certeza que você clicou no link acima, com o nome dele. Não? Pois clique na lenda. Os modos de Cassady, ou Moriarty no livro, são a essência de toda a idéia libertária. Se existe o livro, foi porque Kerouac conheceu Cassady. Se existiu a geração beat, foi por causa de Neal. Se existiu The Doors, foi por causa de Neal Cassady. A melhor forma de descrevê-lo é como um Jim Morrison (como representado por Oliver Stone no filme The Doors) que não ficou diretamente famoso. Teve uma dessas mortes idiotas, mas compreensíveis, para alguém como ele. Uma figura impressionante, extremamente apaixonada pela vida, e totalmente desprendido e perdido, em busca de sabe-se lá que tipo de paz.

É muito gostoso de ler! É muito gostoso se imaginar um dos personagens daquela turma, conhecendo diversos lugares e pessoas, e reencontrando velhos amigos. Pela primeira vez em minha vida, eu fiquei tão triste ao fim de um livro… Um pouco pelo modo como ele acaba, mas principalmente por não haver mais páginas para ler… Preciso encontrar, de qualquer maneira, o livro “The visions of Cody”, do mesmo autor, que também conta das andanças Kerouac-Cassady.

O livro me levou pela vida americana no final dos anos 40. Conduziu-me por incontáveis pensamentos fantásticos, descritos com muitos adjetivos puros e extraordinários, em uma linguagem quase poética. Dirigiu meus desejos de viver intensamente, de conseguir sacar toda a beleza de qualquer mínima coisa, a beleza e a dor infinita de entender que todas as coisas são maravilhosas apenas por existirem e de certo modo inalcançáveis por nossas mãos e pensamentos efêmeros. Que maravilha é ler “On the road”!

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Neal Cassady ao lado de Jack Kerouac

Ray Manzarek, tecladista da fabulosa The Doors afirmou que o grupo não existiria não fosse pelo On the road de Kerouac (veja isso no wiki sobre o livro). No wiki sobre Jim Morrison também há referências ao livro como um dos grandes influenciadores da sua arte e postura. Se você já leu alguns versos de Blake por causa do Doors, precisa ler esse livro, que é muito menos esotérico.

Está claro que recomendo fortemente. Você será um zé mané se não ler esse livro. É possível encontrá-lo em qualquer livraria, pois ele faz parte da coleção L&PM Pocket. Menos de $20, mais de $15. Se nada do que escrevi o convenceu, bom, então você é mesmo um zé mané. Você já ouviu a expressão “tudo ao mesmo tempo agora”? É uma expressão bastante usada para se falar dos jovens de hoje e da internet. Pois ela está lá, no comecinho do livro. Talvez tenha sido sua primeira aparição.

Categories: Crítica, Literatura
  1. September 21, 2006 at 2:20 am

    Não deu tempo de ler tudo e já está ficando tarde para comentar…

    mas tenho tempo pra duas coisas… talvez três:

    1. adorei te conhecer!!!!!!!!!!!!!!!!!

    2. muitooooooo obrigada pelo livro! Terminei de le-lo agorinha e… bah… como disse o Gabriel: é uma alimento para a alma!!!!! (por mais trialista que isso seja… rs) Obrigada, obrigada, obrigada, obrigada!

    3. Que texto de mudança de compto em congresso é esse??????????

    beijos, e depois eu volto…

    ps.: no meu blog algo sobre Brasília
    ps2.: acho que só agora estou me recuperando das viagens… rs

  2. July 18, 2007 at 8:02 pm

    o livro é mesmo tudo isso e muito mais. mistura poesia e alta velocidade. baixei uma versaõ em pdf q estou devorando

  3. July 18, 2007 at 8:02 pm

    o livro é mesmo tudo isso e muito mais. mistura poesia e alta velocidade. baixei uma versaõ em pdf q estou devorando

  4. Luciano Benfica
    February 11, 2008 at 10:59 pm

    É isso aí! deitado na caçamba de um caminhão, sob uma lona, olhando para as estrelas e cruzando o país de leste a oeste numa noite fria. Só quem faz uma coisa dessas é capaz de descrever a sensação, o desejo de viver!

  5. gi
    January 14, 2009 at 2:00 pm

    Olá, poderia me diz\er como faço pra baixar este livro??? ja procurei em tudo, mas nao estou tendo sucesso. Obrigado.

  6. Tiaguim
    January 22, 2009 at 4:34 pm

    Só que Neal, quando encontrou a miséria no México, quis voltar

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