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Aventuras em Brasília

Brasília é uma cidade insana. Os acontecimentos da viagem são muitos. Anos de experiência me dizem que há duas maneiras de apresentar os fatos. Uma delas é descrevendo as situações o mais perfeitamente possível, para que todos sintam de forma um mínimo semelhante como senti. A outra é por meio de pequenos tópicos que contam os fatos sem maiores explicações, confiando na capacidade do leitor de se colocar na situação. A desvantagem do primeiro é o comprimento do texto, que desvia os leitores mais preguiçosos. Então, vou optar pelo modo rápido.

BRASÍLIA
Brasília é uma cidade insana.

É verdade, ela tem a forma de uma avião. Andei somente pelo “corpo” do avião. As duas pequenas incursões que fiz por suas asas não merecem comentários especiais. Na parte central de Brasília, que é uma avenida reta imensa, encontra-se praticamente tudo o que vivi. Em uma ponta, a antena de TV. Avançando pela avenida, os hotéis, do congresso e o que fiquei, separados pela imensa praça em que está a antena de TV. Um pouco mais para a frente, a Rodoviária Plano Piloto. Seguindo adiante, a Biblioteca, o Teatro Municipal, a Esplanada dos Ministérios, terminando na Praça dos Três Poderes.

Quase tudo que é interessante aconteceu no primeiro dia. Vai a lista:
* Cheguei na Rodoferroviária e não na Rodoviária Plano Piloto, como pensei que aconteceria.
* Nos últimos 30min das 14h de viagem descobri que um conhecido meu estava no mesmo ônibus. Merda, quanta conversa perdida…
* Fui direto ao congresso de mala e cuia e comecei a assistir um curso muito interessante.
* Finalmente encontrei o Bié, meu companheiro de aventuras.
* Não conseguíamos encontrar a pessoa que nos cederia a casa de forma gratuita.
* Fiz turismo: Esplanada e Congresso. Depois fui a UnB tirar cópias de dissertações.
* Voltei para o congresso. E ainda nada de encontrar nosso contato na parada gratuita. A preocupação chegou.
* Fomos até o local “grátis” e descobrimos que se tratava de um hotel que cobrava R$320,00 a diária. A pessoa não estava lá. Depois de muito xaveco, deixamos a mala na recepção e fomos fazer turismo.
* Vimos Brasília toda de cima da grande torre de TV. Uma visão que realmente vale a pena.

brasi-2.jpg
Olha que loucura. A imagem está pequena, mas ao fundo está o Congresso

* Pegamos uma lotação até a Praça dos Três Poderes. No meio do percurso, o motorista mudou o itinerário e expulsou uma passageira que iria pelo itinerário antigo. Eu juro, ele expulsou a passageira! Que absurdo…
* A Praça dos Três Poderes é realmente bonita.
* Voltamos para o hotel caro e, ainda bem, encontramos nosso contato e nos livramos da preocupação infinita de ter que pagar por um teto.
* Tivemos que voltar para a UnB. Dessa vez, quem nos levou foi um carro que faz as vezes de ônibus, cobrando 2 reais. Ou seja, um carro-buso-táxi. Absolutamente inacreditável. E ilegal.
* Na volta, um universitário nos contou da péssima condição do transporte público em Brasília. Situação que produz o tipo de coisas bizarras narradas acima.
* Depois da viagem e de um dia de caminhadas, ainda tivemos coragem de ir a uma festa. Pegamos o táxi mais barato do mundo, que cobraria R$10,00, ao invés dos R$25,00 que todos os outros taxistas queriam cobrar.
* Na volta, todos queria R$25,00. Eu e o Gabriel não titubeamos e pedimos carona para um casal de meia idade.
* Claro que o casal pensou que fôssemos assaltantes. Mostramos nossa identidade e o casal descobriu que o Bié era do Sul. Perguntaram quem ganharia a eleição para Governador no Estado de SC. Bié respondeu que seria o candidato X com o vice Pava(n). O casal garantiu que nos daria carona, pois trabalhavam com Pava(n) há muito tempo. Ou seja, uma situação quase carona por voto. Apesar de muito agradecidos, devo comentar: ê Brasil!
* E assim voltamos de graça para o hotel grátis, depois de um dia que esses parcos fatos jamais conseguirão cobrir por inteiro. Um dos dias mais incrivelmente recheados de maravilhas de toda a minha vida. São esses dias bem vividos que me mostram como são muitas as 24h, e como as aproveitamos mal.

A sexta-feira foi um pouco mais sossegada. O grande acontecimento do dia foi o encontro com o pessoal da Comunidade “Análise do Comportamento”, do orkut. Além de simpáticos on-line, são também simpáticos ao vivo. De noite, ficamos pelo hotel do congresso. A minha orientadora organizou uma roda de violão e ficamos, professores e alunos, até altas horas bebendo, cantando e rindo. Que coisa mais legal esse povo! Não conheço outros congressos em que algo tão intimista acontece, ligando palestrantes e “palestrandos”. Muito gostoso mesmo.

brasi-1.jpg
Aí está o pessoal do orkut. Curte AC? Entra lá, mané

No sábado apresentei um trabalho básico no congresso aplicado, esperando uma população de 3. Mas até que tinha uma quantidade razoável de pessoas na platéia. Fomos 3 apresentadores, todos seguros. E tivemos bastante sucesso. No sábado, eu e o Bié voltamos à torre de TV. Lá encontramos um amigo em comum da UFSC, que nada tinha a ver com o nosso congresso, ou com Brasília de um modo geral. Uma coincidência absurda do mundão.

Meu diagnóstico sobre Brasília é que a cidade é insana. Sem dúvida, os prédios do governo são muito bonitos. Interessante é que, próximo a eles está a Rodoviária Plano Piloto, um local horrível. É uma rodoviária e um mercadão maluco, cheio de pessoas com caras de bandido. Rodoviária suja, escura, medonha, com pessoas assustadoras, de onde se podia ver todos os prédios de onde o Brasil é governado. A Rodoferroviária é igualmente feia e selvagem. O transporte público é deprimente. As pessoas são de duas categorias: ou atendentes muito mal treinados e mau humorados, ou cidadãos dispostos a uma boa conversa e boas dicas sobre a cidade. Creio que Brasília consegue ganhar de São Paulo no quesito paradoxo social.

Apesar de tudo, gostei da cidade. Ela é ampla e clara, com algumas exceções.

POUCAS PALAVRAS SOBRE O CONGRESSO
É sempre possível encontrar boas palestras. As duas que mais gostei foram de americanos, o que me diz alguma coisa triste sobre o nível brasileiro… Fiquei bastante chateado por ter ouvido os brasileiros dizerem a mesma coisa que disseram no ano passado…

Na minha última participação no congresso, eu e dois amigos conversávamos sobre criatividade e sobre o que fazia uma obra ser genial. O orientador de um deles, um professor que contribuiu bastante para a análise do comportamento, juntou-se a nós. Lá pelas tantas, depois de alguns risos, eu tive que sair correndo em busca do ônibus para sampa. Contei ao professor da brincadeira que fazíamos sobre os engraçadíssimos comportamentos de congresso (vejam o final do texto anterior). Comentei que graças a um texto dele pássaramos a ter referências bibliográficas para as brincadeiras. Mais uma incrível coincidência ter sido justo ele a ter sentado conosco. Rindo com ele e meus amigos dos comportamentos de congresso, fui-me embora para a Cidadona paulista.

brasi-3.jpg
Aquele ponto preto na rampa sou eu, meditando sobre o Brasil

BREVES DESPEDIDAS
Descobri, neste congresso, que conheço muito mais gente do que pensei que conhecia. É muito bacana vagar por um encontro desses e ter conversa com bastante gente.

Este post, que serve mais para minhas próprias recordações, tem que ser dedicado para o meu amigaço Bié. Ele foi meu companheiro em todas as aventuras. Um puta cara divertido. Vou deixar um beijo para a Maga, que sempre comenta aqui, e que finalmente conheci pessoalmente. Valeu pela simpatia, guria.

E é isso. Se você chegou até aqui, também lhe cumprimento pela paciência e interesse. Adios.

Categories: Brasil, Diarices
  1. September 19, 2006 at 11:22 pm

    Minhas aventuras por brasília sempre foram legais. Fui pra lá muitas vezes, e sempre me diverti. Mas confesso que não gosto muito da cidade não.. hehe
    beijo

  2. Eduardo Gastaldo
    December 15, 2006 at 2:29 pm

    Encontrei seu blog por acaso…
    Você chama de paradoxo social? É porque vc veio como aventureiro! Venha morar aqui. Vc vai perceber que existem civilizações, lugares onde habitam pessoas centradas que vivem em torno de um porquê e almejam coisas de algum valor, não simplesmente material. E existe essa barbárie, um local sem identidade, sem senso de coletividade, com pessoas que não sabem sorrir e dizer um bom dia se não houver algum interesse pessoal. Tudo aqui só funciona na base de grupinhos, panelinhas. É uma big cidade provinciana, cheia de superficialidades e ostentação, vazia…
    Ah! E adoram falar mal de paulistas e de SP. Naturalmente temem o que absolutamente não conhecem e reagem assim, discriminando de uma forma totalmente ignorante e desinformada. Mas dizem que aqui as pessoas acabam acostumando. Grande consolo, acostumasse até com uma cela!
    Enfim, nunca venha morar aqui se vc gosta de lugares onde as coisas funcionam e os cidadãos convivem de forma harmoniosa.
    Tem seu lado bom… como tudo. Mas vim aqui pra decer o pau mesmo, he he he…
    Abç

  3. January 26, 2007 at 11:43 pm

    Umas correções: não é teatro nacional, mas sim nacional; e a torre de tv não fica no outro extrema do eixo monumental, mas sim a rodoferroviária, onde vc desceu.

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