Home > Coisologia, Diarices > De vez em quando

De vez em quando

De vez em quando eu fico surpreso com o fato de que as pessoas vendem seus comportamentos em troca de números. Não que seja algo notável. Todos nos acostumamos à idéia de que dinheiro pode ser trocado por praticamente tudo. Mas mesmo acostumado, às vezes eu me surpreendo com isso, e perde o porquê. O que sinto é um efeito semelhante ao que ocorre quando se repete a mesma palavra várias vezes, até o momento em que ela parece não ter sentido. Experimente com alguma palavra, pode ser com “guaraná”.

De vez em quando eu fico surpreso com quase tudo, na verdade. Algo que ainda é extraordinariamente fabuloso para mim é o movimento, ou melhor, o espaço entre as coisas e como esse espaço pode ser percorrido. Eu ando pelas ruas e fico admirado de ver o chão, de ver os carros, de ver as paredes ficando para trás. É muito legal! É um verdadeiro mistério que deixa de ser mistério assim que aceitamos o fato sem fazer maiores perguntas.

De vez em quando eu fico surpreso com as pessoas. Sim, ainda fico surpreso com as pessoas. Mas isso é um pouco de ingenuidade da minha parte, e talvez esse “de vez em quando” não entre na mesma categoria das coisas acima.

De vez em quando eu me pergunto como posso me surpreender com uma gota que cai e cujas gotículas se espalham. Sinto-me como o rapaz do filme “Beleza americana”. Será que a cor de uma folha é uma supresa somente para mim? É a mais pura verdade o que digo sobre me surpreender com tudo, de vez em quando.

De vez em quando eu me pergunto como, apesar de todas essas supresas, o mundo e as pessoas podem parecer absolutamente sem graça.

Categories: Coisologia, Diarices
  1. August 8, 2006 at 1:32 am

    Primeiro um comentario sobre o post abaixo…

    bom… pra fechar o quadro de tristeza e abobrinhas politicas que descrevestes, fico sabendo, hoje, que fui convocada pra mesaria…

    ok, a vida é bela. rs

    beijos

  2. August 8, 2006 at 1:36 am

    Que belissima crônica nos trouxeste hoje Robson!!!

    Ah, a beleza do mundo… essa beleza que só ve quem enxerga o mundo com os olhos e a curiosidade infantil… nem que seja só “de vez em quando”…😉

    adorei!

    beijos

  3. August 9, 2006 at 1:51 am

    Hoje estava andando e uma música me veio a boca… lembrei que ela tinha tudo a ver com este post…

    por isso aqui está ela:

    Há um menino, há um moleque, morando sempre no meu coração
    Toda vez que o adulto balança ele vem pra me dar a mão
    Há um passado no meu presente, o sol bem quente lá no meu
    quintal
    Toda vez que a bruxa me assombra o menino me dá a mão

    Ele fala de coisas bonitas que eu acredito que não deixarão de
    existir
    Amizade, palavra, respeito, caráter, bondade, alegria e amor
    Pois não posso, não devo, não quero viver como toda essa gente
    insiste em viver
    Não posso aceitar sossegado qualquer maldade ser coisa normal

    Bola de meia, bola de gude, o solidário não quer solidão

    Milton Nascimento – Bola de Meia, Bola de Gude

  1. No trackbacks yet.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: