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As pessoas ‘pensam’ que têm “mente”

Eu sou um psicólogo. Dentro disto, sou um analista do comportamento. Dentro disto, utilizo uma perspectiva contextualista e pragmatista de entendimento da relação do homem com as palavras, com a vida, com o universo e tudo o mais.

Sendo que o tema é usualmente chato para os outros, serei breve como um relâmpago em uma chuva de verão, na qual ele tem a mesma velocidade do que um relâmpago em qualquer tipo de chuva. Mentira, não serei tããão breve assim, pois o assunto é difícil. Vale a pena se inteirar dele, no entanto, porque diz respeito a pessoas enquanto pessoas.

Primeiro de dois. Todo mundo precisa compreender que as palavras são inventadas. Elas não existiam antes dos homens e não são as coisas que elas nomeiam. Pode não parecer, mas um verbo também é um nome (de uma ação). Os homens inventam as palavras porque por meio delas podem operar eficientemente sobre a realidade, podem mudar o que outras pessoas fazem, e porque podem se comunicar. Elas são inventadas de acordo com uma série de fatores de uma situação. As palavras não são a situação! Os nomes são dados de acordo com uma relação do homem com uma situação. É fácil, pensando no dito acima, entender que não existe uma coisa chamada “mente”. Existe um nome (“mente”) usado pelas pessoas em determinadas situações, e isso permite que lidem com tais situações. Não há por que pensar que existe de fato a coisa que o nome nomeia.

Segundo de dois. Não existe uma teoria, ou religião, que seja uma verdade completa. Todas elas devem ser entendidas dentro dos contextos em que apareceram. Não está correto dizer que a religião de uma tribo pequena é inferior ao de uma tribo grande, nem é preciso fazer qualquer tipo de comparação desse tipo. Uma teoria, ou religião, ou o que for, é boa se for boa para quem a utiliza. Nenhuma delas representa uma realidade externa ao homem de forma fidedigna. Todas elas são feitas por homens, que se relacionam de maneiras particulares com o mundo. Nenhuma teoria ou religião é uma verdade, elas são sempre aproximações à realidade. Quando se trata de ciência, o esperado é que as teorias se modifiquem de acordo com os dados das pesquisas. Todos os conhecimentos, baseado no que foi dito acima, devem ser considerados válidos, tendo seus graus de eficiência determinados pelas condições em que os conhecimentos são utilizados. A partir de agora vamos deixar de lado a religião e falar apenas da ciência e da sua regra máxima: construir um conhecimento cada vez mais eficiente.

Exemplo dos dois parágrafos. É possível dizer que a chuva é obra de um Deus. É possível dizer que a chuva é produzida por algumas condições atmosféricas, e pensando assim pode-se prever a chuva com mais eficiência. É possível dizer que a mente controla alguns comportamentos. É possível dizer que determinados comportamentos ocorrem em algumas condições e em outras não. Pensando deste segundo modo, pode-se prever comportamento. Mais especificamente: podemos dizer que um irmão bateu no outro porque ficou com raiva (mas aí teríamos que explicar o que é raiva). Podemos dizer que um irmão bateu no outro porque o primeiro roubou seu doce, e que nesse tipo de situação, agressões são prováveis. Nem precisamos citar mente, raiva, consciência, etc.

Conclusão. O nome “mente” é apenas uma forma de lidar com a realidade. Pode ser a maneira mais eficiente, ou pode não ser. Tudo indica que é um nome dispensável. O nome mostrou muitas vantagens por muitos anos, mas do ponto de vista científico, utilizar “mente” não parece mais valer a pena. Não há por que lidar com os homens como se eles tivessem um tipo de acessório produtor de pensamentos, sentimentos, consciência, etc. Podemos lidar com os homens de maneira mais eficiente se deixarmos de lado o conceito de “mente” e utilizarmos descrições de situações em que os comportamentos acontecem. Além disso, substituir substantivos, como “pensamento”, por verbos, como “pensar”, é algo desejável, do ponto de vista da eficiência em lidar com os homens.

Ficou curioso e quer saber mais sobre isso? Leia os textos sob a rubrica “Análise do Comportamento” e “Adeus, Mente”. Ambos na coluna da esquerda. Eu parei com a série “Adeus, Mente” porque ninguém a lia. Eu sei que não é o assunto mais divertido do mundo, mas pense que fala diretamente sobre como as relações humanas podem descritas daqui a alguns anos. Caso queiram que eu continue com a série “Adeus, Mente”, deixem um recado aqui.

  1. August 5, 2006 at 11:37 pm

    “com a vida, com o universo e tudo o mais” Douglas Adams hahahahahahaha

    Muito bom o texto!! Eu tenho uma certa dificuldade em explicar essas coisas para o publico leigo. Um bocado é porque ainda não sei o suficiente. Outro tanto é por falta de “treino”, de não saber usar as palavras… enfim…

    Adorei seu texto! Muito claro, facil de entender, simples. Parabéns!

    Eu, por motivos muito egoistas, gostaria que você continuasse com a série “Adeus, mente”. É interessante ver as coisas por mais um angulo.

    Além do que eu adoro analise do comportamento… rs

    beijos

  2. Joao
    August 11, 2006 at 7:20 pm

    Eu gosto da série Adeus Mente! Acho muito interessante enquanto perspectiva e tu domina a parada.

  3. Marco Antônio Emerick Campos
    October 28, 2006 at 10:22 am

    Cara! Não me leve a mal, mas seu texto é pobre e sem conteúdo, está cheio de senso comum e de pensamentos ordinários e vulgares. Sua estética literária é péssima e seu conhecimento para com o assunto é muito limitado. Mas gostaria de parabenizá-lo pela coragem de escrever sobre m assunto que é muito interessante, mas acho que você antes deveria fazer um curso para a parimorar sua escrita e, conselho de quem quer ver as pessoas evoluiurem, leia-mais…você vai descobrir coisas muito mais facinantes…um abraço!

  4. Clecio Oliveira
    November 7, 2007 at 12:39 pm

    Senso Comum? Do que voce está falando Marco Antonio?
    Coisas muito mais fascinantes? Para quem?

    Muito interessante essa abordagem sobre o comportamento. Ainda nao comecei a ler o “Adeus mente”, mas de ja peço para nao parar.
    Abraços

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