Home > Brasil, Crítica > Paliativo neles, Brasil

Paliativo neles, Brasil

Para o governo, a melhor solução é aquela que finge que soluciona. O que importa é que as pessoas vejam que algo vem sendo feito.

Dêem uma sacada na bola de neve da má educação:
1. Muitas crianças abandonam a escola.
2. Parte delas, pois repetem de ano (em parte, porque trabalham).
3. O governo tem a idéia de acabar com a reprovação (agora, em ciclos).
4. As crianças avançam com dificuldades não resolvidas.
5. Elas chegam ao colegial, e vemos este tipo de notícia.

Isso se traduz em universitários deficitários e em profissionais que constróem prédios que desabam. O sistema de cotas é tão complicado, e envolve tantas considerações, que sua aplicação ou não se torna questão de opinião. Dos que opinam, ganha o mais poderoso, e não o mais racional.

Eu sou a favor de que todas as pessoas cursem a universidade. É claro que sou, quem não é? No entanto, não adianta diminuir o nível do ensino para que mais pessoas o acompanhem. É o que vai acontecer com o sistema de cotas. As crianças passarão pelo ensino fundamental carregadas de problemas, passarão por colegiais fraquíssimos e embarcarão, via cotas, na universidade. Que tipo de profissionais teremos? Que tipo de pensadores?

A solução verdadeira é melhorar o ensino fundamental e médio. Há pelo menos uma nota em um grande jornal afirmando que os universários que entraram via cota estão se saindo tão bem quanto os estudantes via vestibular. Este dado isolado pode enganar muito. É bem possível que as aulas tenha se tornado mais simples para que todos pudessem compreender o ensinado. Caso contrário, é um contrasenso que os estudantes via cotas não tenham sido aprovados no vestibular.

O problema é deixar várias pessoas que não tiveram acesso a bom ensino (provavelmente por serem pobres) fora das universidades. É um problema, realmente. E só pode ser resolvido com uma melhora no ensino fundamental e médio. Tal melhora não deve envolver apenas ampliação de espaço e pintura de paredes. O principal em uma instituição são os professores bem qualificados. Seria também uma ótima motivação para o trabalho um salário decente.

Eu fico puto com tudo isso. Os sanguessugas estão em toda a parte, roubando o dinheiro da saúdem da educação e por aí afora.

Agora, vamos tentar pensar de maneira ainda mais global. Calculem a quantidade de pessoas formadas no colegial e o total de vagas em universidades. Vamos contar também as particulares. A constatação mais óbvia é que as universidades públicas não têm vagas para todos (daí o vestibular). Fica a dúvida se as universidades particulares conseguem abarcar os que não cabem nas públicas. Desconfio que não. Além do mais, poucas pessoas podem pagar pelo ensino superior. Para piorar, é possível contar nos dedos universidades particulares de qualidade.

O que se faz com tantas pessoas? É impossível servir a todos. Que eu saiba, isso se repete em qualquer lugar do mundo. Camisinha não é solução apenas para o trânsito de São Paulo. Quanto menos pessoas desempregadas e sem estudo, também é melhor para o país.

Categories: Brasil, Crítica
  1. August 1, 2006 at 1:05 pm

    E isso aí Róbissocét, CALCINHA!

    Falou e disse quem manja. A prova do que vc falou são os países de 1o mundo que investem muito mais em educação. Aqui é palhaçada.

    Abraços

  2. August 2, 2006 at 1:09 am

    Eu também me revolto com isso. E muito.

    Só que como o Skinner já dizia: investir em infra estrutura é importante mas não é o que vai resolver o problema.

    O problema está nos metodos de ensino. Bom… e ai você já sabe… rs

    Eu poderia me estender sobre esse assunto mas tenho que admitir algo: ainda me doi. Ainda me doi toda a educação ruim que recebi. Ainda me doi as oportunidades que não tive. Ainda me doi os livros que não li por falta de biblioteca. Ainda me doi os professores que nos chamavam de preguisosos, de incompetente e não olhavam para o seu proprio comportamento nessa história.

    Ainda me doi saber que passei os ultimos 17 anos da minha vida estudando, para que o subproduto final fosse dor e revolta.

    E estamos falando de alguem que fez faculade. E, ironia, publica.

    Fazer o que? Ainda me dói…

    beijos pra ti

  1. No trackbacks yet.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: