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Morte? Religião, Ceticismo – Aprendizado

Um dos sentimentos humanos mais perturbadores é o medo da morte. Há quem afirme que tal medo foi a pedra inicial sobre a qual se fundamentou a cultura. Os animais evitam o perigo instintivamente, assim como os homens. Mas situações limites ocasionam ações impressionantes, provas vivas (mortas) disso são os kamikazes, os homens-bomba e os suicidas.

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O olhar confiante de quem dará a vida pela glória

Por que temer a morte? é uma das perguntas mais interessantes que podem ser feitas. Será que os kamikazes, os homens-bomba e os suicidas não a temiam? A minha opinião é que a temiam, mas esperavam que ela conduzisse a algo muito recompensador. Mesmo no caso de um suicida cético, deixar de viver pode ser considerado como essa recompensa.

Pessoas religiosas costumam afirmar que seus parentes mortos estão descansando, indo para um lugar melhor, ou livres do corpo, etc. Mas essas mesmas pessoas temem a morte. Às vezes interpreto isso como uma falha na crença, ou seja, a pessoa não Acredita, ela apenas acredita, nos preceitos de sua religião. Mas essa interpretação é simplista e ignora o que parece ser um padrão fixo de ação dos organismos de preservar a própria vida (que pode ser apenas uma conseqüência de evitar automaticamente o perigo).

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Nada mau se o paraíso fosse assim. E o das virgens, então?

O paraíso é usado como forma de controle do que se faz em vida. Somente aqueles que se comportaram de um modo coerente com sua religião podem adentrá-lo. Aqueles que foram “pecadores” têm outro destino. No caso do catolicismo, você pode fazer todas as “maldades” que desejar em vida, desde que no último segundo se arrependa verdadeiramente. A idéia da vida após a morte é uma forma inteligente de controlar o comportamento das pessoas.

E os céticos? Um cético (no sentido mais estrito) acredita que após a vida, nada existe. Nada existindo, não há arrependimento, não há saudade, não há lamentos. Por que ele haveria de agir de forma altruísta? Por que ele deveria se preocupar com as conseqüência dos seus atos? Por que ele deveria temer a morte? Não é lógico!

A verdade é que os céticos, como os religiosos, aprendem sobre o que é a realidade, a vida, o universo e tudo o mais. A chave é o aprendizado. O pensamento de alguém sobre o que é a morte e sobre o que há depois dela é apenas uma dentre muitas de suas características. O aprendizado como um todo não deriva apenas do conhecimento sobre a morte. Dos religiosos aos céticos, desde criança aprendemos o que é ética.

Mais importante: as pessoas vivem. E vivendo se relacionam com o prazer de comer, de dormir, de contato físico, de amigos, de ser bem sucedido, etc infinito. Seja uma pessoa a mais pura cética ou a mais fervorosa religiosa, o pensamento sobre a morte não a define. Não a todos, pelo menos.

Não há como estabelecer uma regra de qual é o melhor modo de pensar sobre a morte. Fazer isso seria um reducionismo tolo. Cada pessoa, no todo de suas relações, deve encontrar aquilo que lhes proporciona maior conforto com relação ao fim da vida. Ainda que precisem de ajuda, um verdadeiro conselheiro estaria sendo desrespeitodo se desse uma resposta pronta.

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A Morte, segundo Neil Gaiman: uma mocinha simpática

O que é a morte?
A resposta mais honesta é “parar de viver”, ou “aquilo que cada pessoa aprende que ela é”. As tentativas científicas, ou mesmo religiosas, de conceituá-la vão falhar indefinidamente. No fim das contas, o bem-estar com relação à morte depende da força com que se acredita no que ela é. Dizem alguns que se pode aprender com ela; outros afirmam que não pensar nela é o melhor jeito de viver; um terceiro grupo tem membros que lembram um ao outro diariamente sobre a morte. Os exemplos continuariam… Que cada um decida o que é a morte.

Se eu fosse acreditar em alguma coisa, gostaria que ela fosse como a Morte criada por Gaiman. Pelo menos haveria uma conversa bacana antes de a luz apagar.

A morte dos outros é que é o verdadeiro terror. Isso todos temem, o último adeus… Mas esta é outra discussão.

  1. July 18, 2006 at 1:05 am

    Bah… tanta coisa!

    Acredito que uma palavra que você colocou no titulo é a chave para algumas das questões que colocas logo no primeiro paragrafo. Todos tentamos escapar da morte, então… como existem pessoas que se matam, por diferentes razões? Acredito que aqueles que se matam por uma “ideologia” como é o caso do kamikazies e homens-bombas, são mais do que as promessas de recompensas ou céu pós-morte, são os beneficios e e escapatorias de punições que acontecem em vida mesmo. Em geral as pessoas que se preparam para esse tipo de “missão” estão em um ambiente em que isso é estremamente reforçado. São tratadas como herois, possuem uma missão de confiança, tornar-se-ão martires! Além das promessas de vida melhor, há muito reforçamento para ocorra a “modelagem” do comportamento de um “suicida ideologico”. A historia dos suicidas parece ir para um caminho um pouco diverso. Mas isso fica pra outro dia…😉

    A cada dia me convenço mais que a beleza das coisas está nos ciclos. Viver/morrer. O importante é deixar o ciclo correr “naturalmente”… vamos morrer mas sim. O corpo desintergra-se-a e as moleculas se rearamjaram de novas formas formando outras formas de existencia (pedra, flores, merda, baleia… enfim… e porque não, a Leticia Birkheuer? rs). Tem um ditado que diz “Isso também passará”.

    (vida louca vida, vida breve, já que eu não posso te levar que que você me leve, vida louca vida imensa, ninguem vai nos perdor: nosso crime não compensa! – Cazuza tocando neste exato momento no rádio…)

    Ontem escrevi o seguinte:
    “Viver é perigoso”
    Morrer invitavél.
    Aventure-se!

    Não pretendo dar explicações definitivas. Adorei tudo o que falaste por isso procurei não repetir.

    Ah… já ia esquecendo… O que é a morte?

    … a morte, a morte é parte indissociavél da vida…

    memento mori

    Marcela

    Ps.: boa sorte com os prazos ai!!

    Ps².: Ah, passa lá no blog pra ler os comentarios que o poema que escrevemos juntos geraram… afinal, eles se destinam a pra ti também!!! beijos

  2. John
    July 18, 2006 at 11:30 pm

    Cara na verdade quanto aos Kamikazes o rolo é diferente.

    A cultura japonesa, acredita em ressureição. Portanto, não há necessidade de temer a morte, pois depois da morte, se reinicia o ciclo da vida novamente, portanto, sabendo disso e sabendo que o tempo que dura uma vida, não é nada mais do que o tempo que dura um simples sopro, eles buscam (ou buscavam) a perfeição em cada ato e não temiam a morte para atingir seus objetivos.

  3. July 19, 2006 at 2:34 am

    Fazia tempo que não tinha tempo para ler nada. Gostei do seu novo blog e já atualizei o novo endereço no meu. Sempre que eu tiver um tempo, quero vir aqui ler e deixar algum comentário.

  4. July 23, 2006 at 4:46 am

    A morte é a presença da ausência marcada. É como você disse, a morte dos outros é o verdadeiro terror. Acho que aceito a morte, na boa, só não aceito a saudade…rs

  5. dalton
    May 24, 2009 at 12:15 pm

    A minha visão de morete e a salvação em cristo ou não, mais vai ter pessoa e ja teve que vao ser julgada sem conhecer o evangelio. E para min vai ser pior, pois ja conheço o evangelio.

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