Pergunta

Fala, meu povo. Vou fazer uma introdução ao motivo da enquete, que pode ser chata para alguns, mas a enquete é boa, então deixem de ser mais chatos do que eu e respondam.

Ontem eu estava conversando com um amigo do qual gosto muito, mas do qual discordo veementemente sobre praticamente tudo; é impressionante (ainda bem que muro bem feito não conhece furacão). Estávamos conversando sobre o filme “quem somos nós?“. Enquanto eu baixava a lenha no filme, ele era bem mais ameno, tendo até gostado de algumas partes da coisinha horrível que é a película.

Em determinado momento, ele lançou um argumento forte: quem decide o que é bom e o que é mau? Quer dizer, quem decide se aquela baboseira do filme é boa ou má? As pessoas não têm direito de escolher o que ver e o que pensar?

Poderíamos responder que é o governo. Mas vamos ignorar essa coisa tosca chamada governo. Eu responderia de modo totalmente diferente: não pensamos “voluntariamente”, então tudo que pensamos é determinado pelo que vemos. Sendo assim, o que é escolher pensar? Nossos pensamentos são manipuláveis! Essa idéia ainda mantém a pergunta “quem manipularia?”, então continuemos.

De um lado temos a ciência de verdade. Aquela que demonstra suas descobertas e convida as pessoas a repeti-las, testá-las, virá-las de ponta cabeça, etc. De outro lado temos a “ciência alternativa” (ou pseudociência), que entre outras coisas diz que algumas experiências dependem apenas da pessoa, e por isso é difícil que elas sejam entendidas por outras. No grande extremo, temos o filme, que se chama de ciência para brincar de ser sério e utiliza argumentos absolutamente não-falseáveis, apregoando que não existe matéria, apenas mente, e que, portanto, podemos fazer tudo: implicitamente, está dito que podemos ignorar a gravidade. Está mesmo!

A pergunta é: todos os tipos de produções humanas devem ser liberadas para todos verem? Filmes como esses devem circular livres? Como os cientistas podem responder ao argumento: eu não gosto de ciência e não quero saber disso?

Essa é a enquete. Peço que todas as pessoas respondam, as que gostam de terapias alternativas: florais de Bach, acupuntura (recentemente provada ser efeito placebo), homeopatia, cromoterapia, enfim… E que respondam os que preferem a boa e velha ciência moderna, da navalha de Ockham (Occam), do princípio da falseabilidade, das demonstrações e resultados. E respondam as pessoas que passam de vez em quando por aqui, incluindo o pessoal do budismo e das filosofias orientais (ou pensamento oriental) em geral.

PS: Perdão pela puxada de sardinha forte acima, mas não pode ser diferente. Puxo sardinha mesmo. Todo mundo sabe a minha posição.
PS2: Estou ignorando o fato de que o processo de obtenção de conhecimentos precisa de regras. Imagine se todo tipo de afirmação for aceita! Regras são necessárias, uma certa padronização para que todos entendam e possam confiar no conhecimento. Esse argumento pode ser usado como parte da resposta à pergunta, mas eu o ignorei no texto propositadamente.
PS3: Repararam que a maior parte da pseudociência incide sobre o comportamento humano? Até temos uns fantasminhas, aliens, telecinese e afins, mas o grande peso é sobre as pessoas… Isso demonstra a fraqueza da Psicologia. Os analistas do comportamento, e os cientistas sociais, estão dormindo no ponto.

  1. June 24, 2006 at 2:29 pm

    Acho impressionate que vc como psicologo não admita que muitas experiencias pelas quais passamos são unicas e impossiveis de reproduzir em um laboratorio ou experimento. Nossas experiencias subjetivas, únicas e personalissimas. É como o amor…mas acho que vc vai falar que dá pra sentir amor verdadeiro por alguem em algum experimento qualquer. Não duvido que vai aparecer com algo do gênero, já que o que vc chama de ciência pode tudo. Coitado dos poetas!

    A acupuntura e a homeopatia, como eu já disse anteriormente em outro post, foi adotada pela medicina como uma de suas especialidades. Mais recentemente o CFP tambem adotou a acupuntura como pratica legal dos psicologos (Portaria 005/2002). Ou seja, um monte de gente bem mais experiente que vc em duas especialidades diferentes e sérias reconhecem a acupuntura como válida mas vc tira do chapéu um misterioso experimento sem nome que diz que provou que a acupuntura é placebo…muito cientifico de sua parte.

    Quem decide o que é bom e o que é mau? Vc diz que é o governo, mas só um povo subserviente deixa na mão do governo esse tipo de decisão, pois isso dá vazão a todo tipo de abuso por parte dos grupos dominates, quem tem mais poder e não quem está mais certo. O problema é a ideonidade de tais grupos, geralmente é uma simples disputa egóica, não se importando com o bem estar dos outros e sim em fazer valer suas certezas, para se sentir seguro com aquilo que se acredita ou pra ganhar dinheiro. O discurso dominante puxa a sardinha pro seu lado e com isso exclui todos os que vão contra eles. Os médico por exemplo adoram operar e dar remedio, que comprovadamente funcionam, mas muitas vezes podemos usar um tratamento menos invasivo seria a solução, mas isso não dá dinheiro, então opta-se pelo pior.

    Vc diz que não pensamos por nós mesmos. Isso é uma afirmação falsa. Posso me deparar com N tipos de ideias e pensamentos e optar por uma sintese particular. As pessoas não são robôs como vc propoe, em que tudo é programavel e reproduzivel. Talvez seja uma ideia sua que isso possa ser feito, mas para mim, isso não é real, não vejo o homem como um software programavel. Nem tudo que pensamos vem do que vemos, somos formados por nossos sentidos e pela nossa subjetividade, que não estimo – resposta para tudo. O modelo animal é uma tentativa de uma ciencia humana ser reconhecida pelas ciencias exatas que não admitem outro metodo. A psicologia não tem que entrar nessa crise de auto-estima. Eu digo fuck off paradigma cartesiano. Isso tem acabado com o homem. Eu estou aqui me daparando com sua ideia e vejo muito preconceito e arrogancia de sua parte. Aquilo que se ignora não é preciso destruir…ou vc manja de tudo que esta no filme para fazer uma critica concisa?

    Para finalizar eu digo que acho importante que se tenham ciencias seria, só que ser ingenuo ao ponto de achar que só existe um paradigma e ponto final. Não existe tal coisa com “A ciência”, ela não uma entidade absoluta, é feita de paradigmas e isso conforme as necessidades.

  2. June 24, 2006 at 2:59 pm

    Uma pesquisa recente demonstrou que a aplicação de agulhas nos locais indicados pela acupuntura funciona da mesma forma que agulhas aplicadas em qualquer lugar do corpo. E ambas funcionam melhor do que agulhada nenhuma! É muito interessante esse dado. Está provado que agulhadas funcionam!! É divertido até! Como disse ironicamente o cara que fez a pesquisa, isso vai facilitar bastante as aulas da terapia, pois bastará dizer aos alunos “fure em qualquer lugar”. Claro que ele exagerou, mas enfim.

    O que falta saber é se o que funcionou foram mesmo as agulhadas ou se foi a “crença” de que as agulhadas funcionam. Essa é outra parte de uma pesquisa científica que ajudaria muito a entender isso tudo que estamos discutindo. Vamos supor que façam a pesquisa com pessoas que não conhecem as agulhadas e não são avisadas de que isso é um processo terapêutico e pessoas que sabem disso. Os resultados vão nos dizer o quanto as pessoas melhoram por causa das agulhadas em si, ou por que acreditam que estão em terapia.

    O que eu disse acima não parece nenhum pouco absurdo. Nem poderia parecer. São pesquisas “relativamente simples”, que esclareceriam muitas coisas. Vamos supor que o que faz a melhora acontecer é a “crença” na terapia. Seria um dado importante. De certo modo, eu não preciso que a ciência me diga isso, pois eu acho que é assim que acontece (porém, achar nunca resolveu muita coisa). Os cientistas, após pesquisas, precisam dizer isso no meu lugar, para que confirmemos nossas hipóteses.

    O próximo passo seria pesquisar a origem dessa “crença”. Vamos supor que descobrimos que ela é criada principalmente pela leitura de revistas, e relato de pessoas que passaram por isso, e até pelo sorriso simpático do cara que aplica as agulhas. Essas coisas seriam mais dados que teríamos para melhorar qualquer tipo de terapia. Isso tudo parece muito certo, mas é preciso pesquisar para comprovar.

    Poderíamos ir mais fundo. O que é uma crença? É um nome que se dá a algo que acontece na relação do homem com o mundo. Assim como o amor. Diz-se que uma pessoa ama quando ela ficar perto da pessoa amada, quando liga para ela, quando a abraça, quando a beija, quando deixar de ir a um compromisso para ajudar a pessoa amada… É um nome que resume um monte de ações.

    Não, não é possível sentir como a pessoa que dizemos estar amando sente. Todos podem sentir amor, mas não se pode experienciar a emoção de outra pessoa. Isso sem dúvida é um limite. Como se demonstra que tal coisa pode ser explicada? Quando se pode criar isso, manipular isso. Creio que “amor” seja um conjunto de acontecimentos por demais complexos para, HOJE, ganhar um modelo experimental. A ciência se faz aos poucos. Talvez AMANHÃ possamos fazer isso.

    Mas já é possível criar o que se chama de ansiedade em laboratório. E é bastante fácil. O mais interessante é que se cria a ansiedade com animais e tais descobertas, com um pouco de adaptação, são usadas com sucesso na clínica comportamental para ajudar pessoas com esses problemas. Sim! Do animal não humano para o animal humano! É muito incrível! Quem duvida pode pesquisar à vontade. Há literatura imensa sobre esse tipo de transposição bem sucedida.

    Consegue-se também criar o que chamam de depressão no laboratório. E isso é igualmente usado em clínica, com igual sucesso. Não, o experimentador não “sente” a depressão do seu sujeito de pesquisa, assim como o clínico não “sente” a depressão do seu cliente, e ainda assim ambos conseguem fazer a depressão ceder. É realmente maravilhoso que possamos construir tal conhecimento. E que vamos modificá-lo para algo mais confiável no futuro. E que esse algo mais confiável eventualmente será também substituído por novas descobertas…

    Eu realmente não sei tudo sobre o filme. Na verdade, ninguém sabe. O caso é que, por exemplo, um dos cientistas entrevistados revelou que sua fala foi maldosamente editada. E existem uma porrada de cientistas criticando o modo como as coisas foram erroneamente explicitadas. Eu estou, sim, portanto, reproduzindo o que dizem esses cientistas. Mas eles não estão meramente emitindo opiniões. Estão relatando o que experimentos demonstraram.

    Voltando à acupuntura… Assim que for descoberto se ela exerce efeito “placebo”, ou se ela exerce efeito “de fato”, usemo-la! Se ela exerce efeito “real”, deixando claro para o cliente o efeito real. Se ela exerce efeito “placebo”, deixando claro que ainda não sabe como ela funciona, mas que funciona.

    O que quero dizer é: se for provado que dizer “o mickey é um rato sapeca” ajuda na terapia, então isso deve ser dito. Não me importo com a aparência, e sim o efeito. Mas se não sabe sabe por que dizer a frase do mickey ajuda, então isso deve ficar claro para o cliente.

  3. Tsu
    June 25, 2006 at 11:14 am

    O certo idela seria um mundo aonde as decisões tomadas fossem todas racionais e visando a sobrevivência e bem estar da humanidade, tendo em vista a preservação do meio em que vivemos. Mas as pessoas não tomam decisões racionais em 100% das vezes e nem todas elas têm conhecimento para decidir sobre questões cruciais. Para elas é mais importante um jogo de futebol do que estudar os fenômenos naturais. Então as pessoas, na maior parte das vezes, decidem baseados em seu lado instintivo, de resposta mais rápida.
    Quem deveria manipular a humanidade são os “governantes iluminados”, os filósofos, que questionam até descobrir a verdade, mas quem acaba governando mesmo são alguns desses irracionais que só pensam em suas necessidades básicas…Viramos uma sociedade governada pelo desejo…

  4. June 25, 2006 at 12:31 pm

    Infelizmente teclei um monte de coisa, monte mesmo!!😀 e apertei um botão errado e perdi tudo.

    Acho que vou voltar pro meu fiel bloco de notas, pra evitar que a minha erudição se perca…

    Mas respondendo a pergunta da enquete, é a questão primária da filosofia, o que é bom?, aplicada neste contexto. Existem milhares de respostas diferentes para esta pergunta, como todos devem saber, e a minha opinião é que coisas tal como este filme TÊM DE circular livremente, pois eu não acredito no senso crítico (no sentido crítico) de todas as pessoas – pensamentos realmente são bem manipuláveis – mas acredito que realmente as discussões acontecem, em termos dialéticos.

  5. June 25, 2006 at 2:30 pm

    Brero, tô no trabalho, e não pude ler. Entrei só para dizer que estavas certo sobre a progressão no número de gols do Brasil. Vão ser 64 na final, uhuuuuu!🙂
    Depois eu vejo a enquete com calma, bjo.

  6. Maximiliano
    August 6, 2006 at 10:32 pm

    e aí?

    Se a acunputura deve ser legitimada somente pelo fato de ser reconhecida pela medicina, e se por outro lado, “Os médico por exemplo adoram operar e dar remedio, que comprovadamente funcionam, mas muitas vezes podemos usar um tratamento menos invasivo seria a solução, mas isso não dá dinheiro, então opta-se pelo pior” , como prosseguir com o raciocínio?
    O argumento de que a medicina empírica, apoiada na observação de casos, distorce o “bem” em vista do lucro, assim como a ciÊncia é uma falácia retórica.
    Foucalt é lixo! Dialética é uma panacéia linguística!

  7. pedro
    August 14, 2006 at 10:18 pm

    meu caro amigo,

    ainda que correndo o risco de cair em saco roto, não posso deixar de colocar algumas questões.

    Ao que percebo, é licenciado em psicologia, deve pois conhecer o trabalho de Jung e de W. Reich.

    Certezas ninguém as tem, contudo há algo na mente humana que se chama intuição que como a razão, ninguém compreende muito bem ainda.

    Se o Universo é composto de matéria e de energia, ou só de energia, aí os físicos teóricos têm algo a dizer. Eles creem que tudo é energia.

    Uma coisa lhe digo. Há o falar de energia e trabalhar com energia. Os que trabalham com energia, os trabalhadores da Luz, não são mais do que ninguém, mas são em geral pessoas mais serenas e a serenidade traz capacidade de observação. Se você começar por se observar, vai descobrir muito de si e dos outros. Talvez perceba que tem consciência e ela é pura energia. Ao olhar para o lado, talvez compreenda que tudo é UM e você está lá também.

    Voltando á ciência, com diz Fritjof Capra, dá-nos uma visão reductora e fraccionada da realidade. A causa (como explica este renomado Prof de Física Nuclear em “O Ponto de Mutação”) está no modelo Cartesiano e Newtoniano. Não que esteja errado, ou seja mau ou bom, simplesmente não explica tudo.

    Sobre o bem e mal, o que está bem ou mal, é muito relativo. Já vê, o bem não existiria sem o mal e vice-versa. Depois veja por exemplo o dinheiro. Não é bom nem mau, bom ou mau é o uso que se faz dele. O mesmo princípio se aplica a muitas coisas.

    Fala num filme, que tentei identificar pelo link mas não consegui (desconsegui como diria Pepetela)
    Vi recentemente um que lhe recomendo vivamente chama-se “What the Bleep do we know” e a borda questões da ciência, espiritualidade e outras coisas interessantes.

    Tem ainda um renomado autor M.Scott Peck de seu nome que escreveu “O caminho menos percorrido” entre outros livros. É Prof de Psicologia em Standford e psicoterapeuta.

    Espero que aceite as sugestões e que estas fontes o ajudem na sua demanda.

    Obrigado pelo seu tempo

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