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Comida cara e não tão boa

É muito comum que os paulistanos encham a cara na balada. É muito comum que todas as pessoas encham a cara na balada. Mas, como eu ia dizendo, é muito comum que os paulistanos encham a cara na balada. Muita gente não sabe, mas paulistanos têm dois fígados. É verdade! Darwin explica.

Então, mas eles enchem a cara na balada. Aí eles saem em bandos, mijam em muros, entram em carros e dirigem até lanchonetes que ficam abertas durante a madrugada. Além de terem a possibilidade de conversarem sobre as coisas engraçadas da noite, os paulistanos podem se alimentar e recuperar a consciência que fora diluída em álcool. Paulistanos pensam que são invencíveis, mas eles não são. Para não confessarem a destrutibilidade, eles vão a lanchonetes para ficarem sóbrios.

Existem três tipos de lanchonetes que ficam abertas de madrugada. Uma delas é o tipo dog de esquina. Muito famoso na Vl. Madalena. Não sei se tão famoso em outros bairros de sampa. Também conto como dog de esquina aqueles botecos copos sujo mundo afora. O segundo tipo é o fast death (fast food). Aí você pode escolher para qual das megacorporações assassinas você vai dar dinheiro. O terceiro tipo é a lanchonete de playboy. É o pior tipo de lanchonete…

Na lanchonete de playboy tudo custa muito caro. Olhar para o lado custa R$0,10. Parece pouco, mas olha-se bastante para os lados. O lanche mais barato pode ser trocado por R$5,50, e você pode comê-lo em duas mordidas. Alguns lanches têm nomes bacanas e contém vários ingredientes, mas é bastante caro. Tão caro, que quando você arranca o primeiro pedaço, os funcionários vêm recolher seus olhos.

As lanchonetes de playboy sobrevivem em São Paulo porque os paulistanos, como todas as pessoas, gostam de status. Eles não se importam de gastar cerca de R$40,00 na balada (ou mais) e lançar outros R$20,00 (ou mais) na mão dos donos de lanchonetes de playboy. Citei o status, porque o lanche só é diferente dos dogs de esquina porque ficam em locais arrumados. Não vou ser desonesto: a comida é mais gostosa do que a dos dogs de esquina, mas não tão boa que haja uma proporção custo/benefício proveitosa.

Eu voto nos dogs de esquina. Neles a comida tem o preço que vale. Ah, paulistanos, paulistanos, como vocês são bobocas.

Categories: Crítica, São Paulo
  1. June 4, 2006 at 8:20 pm

    Manu, não exagere nas qualidades do dog de rua :p

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