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Puta que pariu

Vejam isso: Carta psicografada

Um trecho:
“Duas cartas psicografadas foram usadas como argumento de defesa no julgamento em que Iara Marques Barcelos, 63, foi inocentada, por 5 votos a 2, da acusação de mandante de homicídio. Os textos são atribuídos à vítima do crime, ocorrido em Viamão (região metropolitana de Porto Alegre).”

E essa: Vale-Tudo no SUS.

Um trecho:
“O Deus em que não acredito é testemunha de que nada tenho contra a homeopatia, a reflexologia e várias outras terapias em que não creio, desde que não precisemos enterrar dinheiro público em técnicas cuja validade científica ainda está por ser provada. Assim, vejo com preocupação a edição da portaria nº 971, do Ministério da Saúde, que determina a inclusão de acupuntura, homeopatia, fitoterapia e termalismo social/crenoterapia nos serviços públicos de saúde.”


E ainda dizem que eu devia ser menos radical com respeito à pseudociências e afins!
Ora! Agora tenho que deixar criminoso solto e gastar dinheiro com bananada!

Categories: Ciência, Crítica
  1. Tsu
    May 30, 2006 at 3:32 pm

    hahahaha….eu tb vi essa notícia…aonde já se viu, carta psicografada servindo de prova….soh em júri popular mesmo…
    daqui a pouco vai ter gente alegando que é inocente e que na hora do crime estava possuída pelo demônio…
    é cada uma viu!

  2. May 30, 2006 at 4:53 pm

    Muito bom! Espero que tenhamos mais cartas deste tipo, mas claro, sob a supervisão de pessoas que sabem o que fazem e que sejam éticas.
    E mais acupuntura, homeopatia, moxa, florais e todas essas terapias mais humanas que temos a disposição e que a alopatia sempre quis abafar. Elas já me ajudaram muito!

  3. May 30, 2006 at 5:21 pm

    Qualquer terapia é humana. Só que algumas são éticas e outras não. As não éticas acabam sendo menos humanas. Então, em um continuum de humanitarismo, homeopatia, florais e afins são menos humanas.

    O problema é que agora além de a pessoa poder escolher com que baboseira vai gastar dinheiro, quem paga imposto vai pagar pelas baboseiras dos outros.

    Muito mais honesto uma análise decente, verificando as relações do dia a dia da pessoa, mostrando a ela como cada uma dessas relações pode estar sendo prejudicial a ela, sugerindo algumas alternativas, discutindo-as decentemente, e partindo para uma solução conjunta. Isso uma análise científica pode fazer de verdade, também sendo humana o suficiente para enfatizar que determinadas relações ainda não foram descobertas. E mais, até descrevendo que as pesquisas científicas demonstraram que florais e etc não ajudam na doença em si, mas reduzem o estresse, e que se a pessoa acha que uma massagem pode ajudar, então vá fazer uma “massagem” chamada floral ou homeopatia. E que a ciência também descobriu que a redução do estresse está vinculada a maior produção de anticorpos. Isso é ser humano. E ser ético. E ser honesto.

    Porque parte da ética de um profissional está em lidar com as limitações da própria prática.

    Vale a pena dizer também que todas as teorias são apenas diferentes maneiras de olhar para o que acontece. E o que acontece pode ser chamado de fatos, de espíritos, ou influências extraterrenas. E, olha que coisa, a explicação mais eficaz normalmente é a mais simples. Então, que nos atenhamos aos fatos e não aos extraterrestres.

    Mais interessante ainda: os cientistas são capazes de olhar para um cidadão e dizer “se você quiser aprender a fazer isso, eu te ensino”. Eles nunca inventarão que a pessoa precisa de mediunidade, ou qualquer tipo de dom ou sensibilidade especial, ou que a pessoa tem que treinar sua consciência ou seu espírito. Não, o conhecimento é bastante público e nada esotérico. Isso é ser humano. E não ser um padre vendendo uma idéia que só os escolhidos podem ver.

    Ser humano é olhar nos olhos dos pais de uma criança autista e dizer “a ciência descobriu isso e isso, e é o que podemos fazer. Aqui estão os dados do que os procedimentos conseguiram com outras crianças. O que os senhores acham disso? Como vêem, não há nada mágico. Vamos trabalhar duro e precisaremos de sua ajuda”. E eu sou testemunha do que uma análise científica pode fazer por uma criança autista. Desafio, a qualquer momento e em qualquer lugar, uma terapia alternativa à científica conseguir os mesmos resultados que venho observando.

    É fácil ser humano: é só ser ético e honesto, e mostrar por que as coisas funcionam e no que podem não funcionar muito bem. E é claro, mostrar que o conhecimento pode ser aprendido, não dependendo de qualquer “disposição mística especial”.

    E vou transformar esse comentário em post.

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