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Archive for May, 2006

Terapias científicas e alternativas

Qualquer terapia é humana. Só que algumas são éticas e outras não. As não éticas acabam sendo menos humanas. Então, em um continuum de humanitarismo, homeopatia, florais e afins são menos humanas.

O problema é que agora além de a pessoa poder escolher com que baboseira vai gastar dinheiro, quem paga imposto vai pagar pelas baboseiras dos outros.

Muito mais honesto uma análise decente, verificando as relações do dia a dia da pessoa, mostrando a ela como cada uma dessas relações pode estar sendo prejudicial a ela, sugerindo algumas alternativas, discutindo-as decentemente, e partindo para uma solução conjunta. Isso uma análise científica pode fazer de verdade, também sendo humana o suficiente para enfatizar que determinadas relações ainda não foram descobertas. E mais, até descrevendo que as pesquisas científicas demonstraram que florais e etc não ajudam na doença em si, mas reduzem o estresse, e que se a pessoa acha que uma massagem pode ajudar, então vá fazer uma “massagem” chamada floral ou homeopatia. E que a ciência também descobriu que a redução do estresse está vinculada a maior produção de anticorpos. Isso é ser humano. E ser ético. E ser honesto.

Porque parte da ética de um profissional está em lidar com as limitações da própria prática.

Vale a pena dizer também que todas as teorias são apenas diferentes maneiras de olhar para o que acontece. E o que acontece pode ser chamado de fatos, de espíritos, ou influências extraterrenas. E, olha que coisa, a explicação mais eficaz normalmente é a mais simples. Então, que nos atenhamos aos fatos e não aos extraterrestres.

Mais interessante ainda: os cientistas são capazes de olhar para um cidadão e dizer “se você quiser aprender a fazer isso, eu te ensino”. Eles nunca inventarão que a pessoa precisa de mediunidade, ou qualquer tipo de dom ou sensibilidade especial, ou que a pessoa tem que treinar sua consciência ou seu espírito. Não, o conhecimento é bastante público e nada esotérico. Isso é ser humano. E não ser um padre vendendo uma idéia que só os escolhidos podem ver.

Ser humano é olhar nos olhos dos pais de uma criança autista e dizer “a ciência descobriu isso e isso, e é o que podemos fazer. Aqui estão os dados do que os procedimentos conseguiram com outras crianças. O que os senhores acham disso? Como vêem, não há nada mágico. Vamos trabalhar duro e precisaremos de sua ajuda”. E eu sou testemunha do que uma análise científica pode fazer por uma criança autista. Desafio, a qualquer momento e em qualquer lugar, uma terapia alternativa à científica conseguir os mesmos resultados que venho observando.

É fácil ser humano: é só ser ético e honesto, e mostrar por que as coisas funcionam e no que podem não funcionar muito bem. E é claro, mostrar que o conhecimento pode ser aprendido, não dependendo de qualquer “disposição mística especial”.

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Puta que pariu

Vejam isso: Carta psicografada

Um trecho:
“Duas cartas psicografadas foram usadas como argumento de defesa no julgamento em que Iara Marques Barcelos, 63, foi inocentada, por 5 votos a 2, da acusação de mandante de homicídio. Os textos são atribuídos à vítima do crime, ocorrido em Viamão (região metropolitana de Porto Alegre).”

E essa: Vale-Tudo no SUS.

Um trecho:
“O Deus em que não acredito é testemunha de que nada tenho contra a homeopatia, a reflexologia e várias outras terapias em que não creio, desde que não precisemos enterrar dinheiro público em técnicas cuja validade científica ainda está por ser provada. Assim, vejo com preocupação a edição da portaria nº 971, do Ministério da Saúde, que determina a inclusão de acupuntura, homeopatia, fitoterapia e termalismo social/crenoterapia nos serviços públicos de saúde.”


E ainda dizem que eu devia ser menos radical com respeito à pseudociências e afins!
Ora! Agora tenho que deixar criminoso solto e gastar dinheiro com bananada!

Categories: Ciência, Crítica

Andando em círculos

Há algo nos meus olhos
Como uma lupa muito forte
E agora esse algo na minha frente
Está perto demais para eu ver

Em um dia comum
Há muitos anos atrás
Eu pensei que eu podia voar
E saltei para ver o que aconteceria

Consigo ouvir um barulho
Sussurrando alguma ordem para mim
Esse barulho que fala comigo
Está longe demais para eu entender

Em um dia comum
Há muitos anos atrás
Eu pensei que nada podia acontecer
E paguei para ver criando uma rebeilião

Eu paro por um momento
Percebo que não paro de andar em círculos
Há algo tocando levemente meu peito
Mas eu estou com roupas demais para sentir

Categories: Poesia

Vida curva

Vejam só que coisa: se o google earth estiver correto, a distância da minha casa à USP é de apenas 23km. Pouquinho. Mas ir pelo meio da cidade faz maravilhas com essa distância. Cliquem no link abaixo para verem que bonita (feia que dói) a cidade vista bem de cima (mostrando a ligação da minha casa à USP). Distância; sampa de cima. Dá para ver onde está o Clube do Corinthians, toda a Marginal Tietê plus boa parte da Marginal Pinheiros. Viram que tem um lugar ali chamado Sapopemba? Credo, né?

E essa imagem mostra a USP vista de cima (esta sim bonita): USP, bom, vista de cima. Tão vendo que na parte de cima tem uma faixa verde abaixo de uma faixa preta? A faixa preta é o rio Pinheiros. A faixa verde é a raia olímpica da USP, onde o pessoal vai treinar remo. Um pouco à direita de onde está escrito Psicologia tem um campo aberto, bem grande, que se estende um pouco para baixo. É a Praça do Relógio (tem um relógio lá: ele tá em azul bem pequenino… metam a cara na tela para vê-lo e a sombra dele). Reza a lenda que nesta praça tem tipos de vegetação de todo o Estado de São Paulo. Idéia bacana, mas eu acho que é mentira.

Imaginem! 23Km! Não me conformo…

Categories: Geral, São Paulo

Como pode, né?

Semana que vem não terei aulas.

Sabem por quê?

Meus professores, todos os quatro que me dão aula, estarão… adivinhem onde?

Florianópolis…

E eu mofarei em São Paulo, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, até que o fim do mestrado e um emprego decente nos separe.

Categories: Geral

Diversificando o sotaque

Bom, eu já morei em Santa Catarina, e de lá veio comigo de brinde o “massa”, o “palha”, o “guria” e o “tu” (sem conjugação do verbo). Devido aos meus amigos gaúchos, o “bah” também faz parte do meu vocabulário. Mas eu gosto de sotaques, e me sinto defasado.

Eu gosto tanto de sotaques, que gosto até do sotaque carioca, sendo paulista! Creeedo!

Na expectativa de criar uma maneira de falar mais afim com todas as populações brasileiras, e também com o intuito de confundir as pessoas para que elas não saibam de onde eu vim, vou diversificar meu sotaque.

A partir de agora vou usar o “trem” e o “uai”, da época em que morei em Belo Horizonte. Ah, você não sabia que eu tinha morado lá? Mas morei! Uia! Já morei em três estados… Que chique, né?

Depois não sei. O mundo é grande. Sotaques rules!

PS: até sei que para falar de sotaques não adianta umas palavrinhas. Mas vocês já ouviram minha pronúncia fidedigna?

Bah, que texto palha. Eu devia apagar esse trem. Sacou como vai ser, mano?

Categories: Coisologia, Diarices

Comentários sobre “E se Freud”

Antes que algum colega psicanalista fique chateado (o que parece já ter sido o caso), vamos a alguns pontos:

1. Freud foi um cara foda.

2. Para mim Freud foi um cara foda como Shakespeare foi um cara foda. Ou como foi um cara foda, o Machado de Assis. Nunca um cara foda como Darwin foi (se bem que por alguns lados, até que foi um cara foda como Darwin).

3. A Psicanálise tem alguma validade prática. Inegável. Só me parece que é possível ser mais prático.

4. Tirem o humor do texto “E se Freud” e pensem um pouco sobre a história de Ícaro. Édipo não é muito idissiosincrático, não? Quero dizer, é fato que quando somos crianças o que há de mais importante para nós são os nossos pais, e principalmente nossa mãe. Mas daí a dizer que todos temos um desejo de derrotar o pai para ficar com a mãe e que o desenrolar disso gera o caráter… Um caráter é coisa demais para ser decidido para sempre por um processo apenas.

5. A melhor descrição de psicanálise que já me deram foi a de que tudo que está construído acerca da sexualidade é apenas para exemplificar os processos da psique humana. Segundo essa pessoa, sexualidade poderia ser substituída por muitos outros objetos sem que a essência da psicanálise fosse alterada. Sei lá se isso tem a ver com Lacan (tem?). Tendo ou não, não acredito que isso tenha surgido de Freud; deve ter sido posterior. Parece um caminho bem interessante.

Categories: Crítica, Psicologia