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O homem-mundo

Eu estou pensando em algo interessante.

A idéia é a de que os homens são tão parte do mundo quanto são as pedras, o vento e assim por diante. De relance, essa idéia não é tão inovadora assim, mas ela implica considerar a vida como mais uma propriedade da realidade, nada especial em relação às outras propriedades, como a temperatura, a pressão atmosférica ou a cor das coisas.

O homem como uma fração do mundo relacionando-se com outras frações do mundo. Não uma fração especial, com qualquer tipo de propriedade especial (como liberdade, ou consciência). Uma fração do mundo igual a outra qualquer.

A idéia de que o homem é parte do mundo como qualquer outra coisa é o golpe final no antropocentrismo. Estou falando de uma integração do homem na natureza que vai além de pensar em consciência ecológica ou igualdade entre espécies. Se o homem é como o vento, então seus pensamentos são tão determinados pelo ambiente como o vento é determinado pela temperatura e pela pressão. Faz mais sentido pensar na realidade toda integrada. O próprio pensamento e a ilusão da idéia de um “eu” (como uma unidade de uma pessoa), sob a ótica de uma integração absoluta, não são mais especiais do que qualquer propriedade existente nas coisas que compõem o universo.

Assim como a velocidade das coisas, sua densidade e massa são propriedades diferentes, também o que chamamos vida tem propriedades únicas. Uma delas é ser afetada pelas conseqüências do que chamamos suas “ações” no mundo. A vida também tem a característica de acabar mais rápido do que uma pedra e mais devagar do que uma rajada de vento.

As palavras não devem ser consideradas conseqüências especiais. O vento abre janelas, a chuva corrói telhados, a pedra amassa folhas, o homem produz palavras. O céu lindo e o amanhecer são tão únicos e tão especiais como a risada dos nossos filhos. E no entanto nos parece que algumas aventuras do mundo são mais importantes do que outras. Comparar e julgar e atentar e classificar uma coisa em relação a outra são algumas propriedades do objeto homem.

Guerras são como folhas que se desprendem de árvores… Pessoas que são contra guerra são como folhas que se desprendem de árvores… Felizmente, uma das propriedades do objeto homem é agir de acordo com o que se é “aprendido”, e ser capaz de mudar o que é “aprendido”. Tais capacidades, embora naturais e determinadas, parecem ser imensamente importantes, e ainda bem que a realidade faz parecer assim.

O homem não está no mundo. O homem é o mundo, o homem é parte do mundo.

Todo o conhecimento é natural. Eu estudo uma parte do mundo.

Categories: Filosofia
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