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Por que eu faço mais vezes (da série: Adeus, Mente)

A mais poderosa força da natureza é a sensibilidade que as criaturas têm às conseqüências do que fazem. Da barata ao homem, todos os seres têm essa sensibilidade. Ela explica o aprendizado e explica por que os seres repetem algumas ações e evitam outras. Mas a mesma natureza que “inventou” a sensibilidade às conseqüências, inventou os homens e as palavras, e eles entenderam tudo errado. Disseram que existe mente, alma, e separaram por séculos os homens dos animais.

O rato que pressiona uma barra para ganhar água é o homem que vai à festa para ver os amigos. O pombo que bica um disco para evitar choque é a mulher que desliga o celular para não falar com o namorado. Os princípios naturais que controlam essas ações não são parecidos: são idênticos, iguais em detalhes, exatamente a mesma coisa.

O problema é explicar o porquê de o rato pressionar a barra para ganhar água. Será que ele fez isso por que tinha a intenção de conseguir água? E o homem que foi à festa, será que ele foi controlado pelo futuro de encontrar os amigos? Talvez o rato tenha pressionado a barra porque ele sabe que fazendo isso terá água. E há a possibilidade de que o homem tenha ido à festa porque sentiu vontade de ir.

Todas as explicações do parágrafo acima são complicadas demais, pois recorrem a conceitos que fazem mediação entre um evento e outro. No caso, os conceitos mediacionais foram intenção, vontade, conhecimento. Mas existem muitos outros, como atitude, representações, cognição, etc. Não há necessidade de mediação.

Uma explicação econômica começa reparando em que situações esses conceitos mediacionais são usados. Logo se conclui que essas situações podem ser resumidas com explicações mais simples, que se limitam a descrever a relação ocorrida entre o mundo e o organismo.

Assim, o rato não pressiona a barra porque tem vontade de água, e o homem não vai à festa porque tem a intenção de ir. O rato pressiona a barra porque pressionar a barra no passado produziu água. E o homem vai à festa porque toda vez que vai encontra os amigos. Por sua vez, pode-se dizer que a água é uma conseqüência “importante” porque o rato pressiona a barra para consegui-la e os amigos são “importantes” porque o homem vai à festa para encontrá-los.

Parece repetitivo, mas não é. Acontece que toda a explicação dos acontecimentos “pressionar a barra – ganhar água” é baseada no próprio acontecimento, sem necessitar de elementos externos à situação, ou internos ao rato. E o mesmo pode ser dito do caso do homem na festa. Isso fica mais claro quando se diz que o rato não pressionaria a barra para ganhar água se a água não fosse importante para ele. Até mesmo dizer que algo é “importante” incorre em explicação desnecessária, mas infelizmente inescapável devido a problemas com a linguagem.

Depois é possível ir mais longe e notar que o rato só pressiona a barra quando uma luz está acesa, pois normalmente quando pressinou a barra com a luz apagada não recebeu água. Da mesma forma, o homem só vai a determinados tipos de festa, pois não encontra os amigos em outros tipos. Um passo a mais é descobrir que quanto mais tempo o rato fica sem água, torna-se mais provável que ele pressione a barra. Semelhantemente, o homem tem maior probabilidade de ir a festas quando o preço da entrada é mais barato.

Assim por diante. As descrições econômicas baseiam-se nas relações entre eventos. Conceitos mediacionais complexos são dispensados, pois podem gerar confusões, como, por exemplo, um dificil entendimento do que o conceito quer dizer.

No próximo texto da série, falarei sobre coisas que são mais do que coisas: são também ações. E falarei sobre a diferença entre interno/externo e privado/público. Vai ser supimpa. Quem é curioso sobre pessoas não pode perder.

  1. Tsu
    March 8, 2006 at 2:46 pm

    Behaviorismo?

  2. March 9, 2006 at 12:34 am
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