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Archive for March, 2006

Oqueéissoverão

Estou começando a ficar preocupado. Eu conheço esse sentimento. Começa com o gostar. Depois vem a paixão. Depois amor. E aí a decepção. Sem pessimismo, galera. Cada um sabe o que viveu na vida, então não venha falar para mim que tudo dá certo. Medo eu tenho pouco. Vontade eu tenho muita.

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Categories: Geral

Vantagens da pós-graduação

Quando você é aluno de graduação você é tratado como uma partícula anatômica sem conteúdo. Você é a escória do conhecimento, aquele protótipo de estudioso que saiu do berço estúpido do colegial para a vida corrida da universidade. Você é considerado, e as pessoas falam com você, como uma criança besta que aprendeu a ler, mas não sabe o que lê.

Não quero me estender no texto criticando essa postura infeliz dos professores. Quero falar do que acontece quando você deixa de ser um graduando e se torna um pós-graduando. Não sei se o que vou descrever acontece em todos os cursos de pós-graduação. Vou contar do que vivo.

Na pós-graduação os professores sabem que você é uma pessoa e respeitam verdadeiramente suas idéias. A discussão acontece de igual para igual e é muito comum que alunos e professores troquem informações sobre fatos, pesquisas, teorias desconhecidas. É fato que normalmente o professor tem mais experiência na área, e conhece (na área) mais informações, mas isso não inviabiliza verdadeiras trocas e acaloradas e respeitosas discussões.

Eu entendo um pouco os professores. Já participei de aulas na graduação em que havia discussão. Já vi vários casos. Pessoas que perguntavam as coisas mais absurdas e atrapalhavam a aula. Pessoas que pensavam estar contando grandes novidades e falavam sobre coisas que estavam cimentadas há décadas. Por incrível que pareça, durante a graduação vi até pessoas que contribuíam realmente… (que maldade a minha… eu já fui de todos os tipos de pessoas descritas acima).

Na pós-graduação, parece mentira, mas todo mundo fala coisas interessantes. Eu pago um pau. A galera realmente comenta, e discorda com argumentos válidos, e cita estudos sérios para provar pontos aparentemente estranhos, e toca rever conceito daqui, e teoria dali, e prática de acolá, e novas práticas que estão surgindo. As aulas são as coisas mais produtivas do mundo!

E tudo isso se deve a um fato óbvio, que está se tornando um problema sério no Brasil da malandragem: boa seleção de estudantes. Infelizmente, é a verdade. Ou felizmente. Quem está em uma pós-graduação tem que ser a galera que manja mesmo. É esse povo que posteriormente compartilhará conhecimento. Quem quer um professor bunda mole que nada sabe? Ali, na pós-graduação, formam-se as pessoas que formam profissionais. É a coisa mais séria do mundo.

Eu levo muito a sério. Escolhi isso para a minha vida. Quero auxiliar na formação de profissionais competentes. Eu odiaria professores palermas. E odiaria colegas que não têm uma base de conhecimento mínima. A época de ser menino é a graduação.

Na pós, consegui reencontrar meu prazer de aprender em conversas. Eu estava cansado de ouvir baboseiras. Quem estudou comigo na graduação sabe que eu dormia em 95% das aulas, sem exagero. Na pós, não tenho sono. Acontece o oposto: se estou cansado, as aulas me devolvem energia. É uma correria absurda, um grau de exigência além do que eu esperava. Mas as recompensas em conhecimento, em respeito dos colegas e professores, em saber se está realizando uma construção decente de coisas que ajudarão em futuras formações, compensam qualquer esforço.

Falta uma bolsa de estudo, infelizmente. Mas nada mais.

Categories: Ciência, Crítica, Diarices

A solução coletiva

A solução do mundo deve ser coletiva, necessariamente. Sem mais. Se você for capaz de somar dois mais dois sabe que de pouco adianta muita boa vontade e uma baita disposição individual para fazer coisas bacanas para as pessoas. No máximo, você pode ser o primeiro elo de uma cadeia que cresce geometricamente. Mas sozinho, meu amigo, você é do tamanho de uma pessoa. A solução deve ser coletiva, necessariamente. Crie, ao menos, os primeiros elos.

Uma solução coletiva interessante para cidades grandes seria a destruição de carros pessoais e a criação de uma frota imensa de coletivos com dois ou mais andares. Se triplicassem a frota, e todos os ônibus tivessem mais andares, talvez seria suficiente. Outra possibilidade é aumentar o combustível para carros pessoais, e manter igual para carros coletivos. Quero ver quantas pessoas vão andar de carro pagando R$5,00 pelo litro do combustível… O problema é lidar com as todo-poderosas montadoras de veículos e com os donos do mundo, digo, do petróleo.

Não quero terminar este texto. Bateu uma preguiça além do nível da preguiça. Não vou desenvolver a idéia, nem nada do tipo. Para bom entendedor meia palavra bosta. Pena que bom entendedor não significa boas ações coletivas.

Categories: Crítica, Crônica

Cena estranha

Hoje, no ônibus mais do que lotado, presenciei uma cena estranha, que durou tempo o suficiente para se tornar uma cena digna de nota.

As pessoas enlatadas, comprimidas umas contra as outras, naquele aperto que já é quase de costume, ao invés de estarem com as tradicionais caras de mau humor, com a comum dureza de tratamento, estavam sorrindo.

E mais… Estavam quase que brincando de xadrez para ajudar as pessoas que precisavam passar. Coisas do tipo “se você andar um passo para cá e ele um para lá, eu consigo passar”. E a resposta “isso aí, vamos fazer isso, então, mas aquela senhora tem que virar de tal maneira”. E todo mundo fazia!

Agora, talvez vocês não entendam o quanto isso é anti-natural… Mas acreditem que é. Estou estupefato. Talvez, só talvez, ainda haja uma mísera gota de esperança.

Categories: Crônica, Diarices

A chuva lá fora…

A chuva lá fora…
Gotinhas tão significativas…
Uma gota seria chuva?
Seria chuvinha uma gotona?

Chuva é real?

Chove mesmo lá fora.
É verdade porque falo sobre isso.
Mas se eu não falasse,
Também seria verdade porque me molharia,
E seria verdade porque o chão está molhado.

Categories: Filosofia, Poesia

A chuva lá fora…

A chuva lá fora…
Gotinhas tão significativas…
Uma gota seria chuva?
Seria chuvinha uma gotona?

Chuva é real?

Chove mesmo lá fora.
É verdade porque falo sobre isso.
Mas se eu não falasse,
Também seria verdade porque me molharia,
E seria verdade porque o chão está molhado.

Categories: Filosofia, Poesia