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Sonho meu

A noite passada foi singular. Tive sonhos estranhos e percebi que eu estava travando uma batalha entre a realidade particular dos sonhos e a que acontece nas horas de vigília.

Sonhos podem parecer muito reais. Com freqüência os meus me enganam, e de certa forma preciso vivê-los em detalhes até perceber que não estou em vigília. Os da noite anterior foram assim. A diferença foi a intensidade da batalha que travei entre realidade de vigília e realidade onírica.

Era como se o sonho me quisesse impor uma situação. A situação a ser imposta era boa, mas falsa, e era essa falsidade que eu precisava desvendar. Consegui perceber a trama, como sempre acontece quando meus sonhos são tão reais. Acontece que meu sonho, pela primeira vez, tentou impor novamente a situação, utilizando outros recursos, como se fosse um jogo de linguagem. E mais uma vez eu precisei viver um pedaço do sonho antes de perceber sua realidade onírica.

Foi assim a noite toda, como em um xadrez cheio de movimentos criativos. Depois de certo tempo, mesmo dormindo, eu tive uma certa “consciência de vigília”, e o que eram movimentos automáticos contra a realidade do sonho, tornaram-se movimentos planejados.

Algo bastante interessante é que a minha “consciência de vigília” conseguia se mover apenas racionalmente, enquanto a realidade do sonho se impunha emocionalmente, às vezes me fazendo sentir literalmente na pele a situação. Tornava-se cada vez mais difícil saber o que era a realidade de vigília.

Em certo momento, perguntei a mim mesmo qual era o problema em aceitar aquela realidade onírica. Não soube responder, simplesmente me parecia errado ter que viver naquele mundo diferente da vigília. Hoje pela manhã eu me lembrei de algo que talvez explique a minha necessidade de me manter na realidade de vigília. Foi algo que aconteceu uma vez em que a realidade onírica não foi desafiada:

Uma moça de quem gosto muito havia partido há alguns dias para os EUA. Eu estava sentindo a falta dela. Em uma noite, eu sonhei que ela ainda não havia partido. Foi um sonho muito real. Sonhei que andamos bastante pela cidade, depois fomos a um bar, sempre muito animados, e finalmente fomos dormir um ao lado do outro. Acordei de madrugada e notei que a moça não estava na cama comigo. Levantei e a procurei pela casa inteira, um pouco bravo por ela não ter passado sua última noite no Brasil comigo. Depois de terminar de procurar na casa toda, voltei para cama. Ainda não havia percebido que tudo fora um sonho. Imaginei que ela havia saído para comprar alguma coisa necessária àquela hora da madrugada. Demorou um tempo até eu perceber que ela já estava nos EUA há alguns dias. Foi bastante decepcionante. E muito embaraçoso para mim. Isso aconteceu a cerca de dois anos atrás.

Apesar de a realidade onírica imposta ontem não ter relação com o episódio narrado acima, creio que meu embaraço foi o motivo de eu não querer aceitar aquele mundo falso, ainda que bom. Tive sucesso. Foi uma experiência bastante diferente. Uma daquelas de repensar em muito do que acontece mundo afora. Acredito que eu me conheço um pouco mais do que antes. E tudo isso sem sair do lugar.

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