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Quando os olhos procuram

Se eu ganhasse dinheiro pela minha verdadeira profissão, eu ficaria rico. Minha verdadeira profissão, para quem não sabe, é procurar respostas (para as Grandes Questões).

Os pragmatistas dizem que uma afirmação vale mais do que a outra se permite melhores conseqüências práticas. Desse modo, a verdade não importa realmente. A solução pragmática de não procurar respostas para as Grandes Questões é uma boa solução. Mas às vezes o mundo salta aos olhos de maneira mais chamativa, tornando inevitável pensar sobre o que é tudo isso que respiramos, e sobre o que é não respirar.

Por vezes, parece-me ridiculamente igual estudar para ser um bom moço e sair por aí quebrando tudo da pior forma possível. Igual porque o fim é igual e os caminhos são relativos. Quando os olhos procuram, eles encontram a verdade de que valores são tão arbitrários e efêmeros quanto a vida.

As Grandes Questões têm tantas respostas quanto a imaginação permite. O problema não é escolher uma entre todas. Isso é possível. O problema é saber que isso é uma escolha (ou uma imposição) e não uma resposta fidedigna. Devido a esse fato, tudo que existe aparece um pouco gasto e um pouco chato.

Por que diabos levantar às 4:30h para ir ao outro lado da cidade em busca de um conhecimento que inevitavelmente vai me proporcionar pouca grana? Por que ao invés disso eu não vou até o malandro mais próximo e digo que quero me filiar ao partido que vai dominar o Brasil muito em breve?

Eu sei por quê. Porque eu aprendi a ir ao outro lado da cidade! Por isso: porque eu aprendi. E quando digo isso, afirmo também que o malandro aprendeu, e que você aprendeu, seja lá qual o seu caminho. E assim deixo subentendido que nem eu e nem o malandro e nem você estamos certos ou errados. Aprendi a questionar e aprendi a relatividade. E outros aprenderam outras coisas, por motivos estes ou aqueles.

A questão importante, por isso, é o que aprender. Na verdade, o que ensinar. A realidade vai ter o sabor do aprendizado e as Grandes Questões têm as respostas do aprendizado.

Nossa consciência não se rebela contra o mundo sem um acontecimento para lhe dar corda.

Categories: Filosofia
  1. February 17, 2006 at 3:14 am

    Eu já não disse por aqui que a ignorância é o segredo da felicidade? mas agora já sei que existe felicidade, que existe mega-sena e que existe gente que faz poema como o quintana. Como fico longe de tudo o isso que eu sei que existe do jeito que eu queria, não consigo ser feliz. Mas sigo levantando e indo. Para onde ainda não sei.

  2. Tsu
    February 19, 2006 at 12:40 am

    bom, qto à sua verdadeira profissão…so sorry…filósofos não ganham muito dinheiro…vide nota de corte na fuvest…segundo o sistema capitalista, pensar dah dinheiro, mas não eh pra ficar massificando.

    E qto às grandes questões…admito que os sentidos humanos sejam insuficientes para respondê-las, e mesmo com o raciocínio isso não seja o trabalho de uma vida apenas…mas eu não desisto..vou continuar perguntando como uma criança: Daonde vim, para onde vamos, como o universo surgiu, etc etc…a única questão que eu tenho resposta eh como nasci…ehehehehehe essa eu descobri!

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