Archive

Archive for February, 2006

Carnaval Furada 2006

February 28, 2006 2 comments

Este Carnaval foi uma furada. Eu não estava em Laguna, começa por aí. Aqui em sampa fui pra festança um dia só, ao invés das tradicionais 4 ou 5 noites de festa. Para piorar, a festa na qual fui não estava boa.

Mas tinha marchinha de carnaval, que é um negócio muito tosco e divertido demais! E tinha uma galera rindo comigo, o que ajuda bastante. Eu até tentei me sentir em Laguna: vesti uma camiseta de lá. Não deu muito certo. Em Laguna o carnaval é a céu aberto, a cerveja não é muiiito cara e o povo pira de um modo quase ordenado.

DUAS COISAS QUE ODEIO NO CARNAVAL:

1- Pessoas que odeiam o carnaval.
2- Pessoas que acham que são melhores que o carnaval.

Advertisements
Categories: Crônica, Diarices

Sonho meu

A noite passada foi singular. Tive sonhos estranhos e percebi que eu estava travando uma batalha entre a realidade particular dos sonhos e a que acontece nas horas de vigília.

Sonhos podem parecer muito reais. Com freqüência os meus me enganam, e de certa forma preciso vivê-los em detalhes até perceber que não estou em vigília. Os da noite anterior foram assim. A diferença foi a intensidade da batalha que travei entre realidade de vigília e realidade onírica.

Era como se o sonho me quisesse impor uma situação. A situação a ser imposta era boa, mas falsa, e era essa falsidade que eu precisava desvendar. Consegui perceber a trama, como sempre acontece quando meus sonhos são tão reais. Acontece que meu sonho, pela primeira vez, tentou impor novamente a situação, utilizando outros recursos, como se fosse um jogo de linguagem. E mais uma vez eu precisei viver um pedaço do sonho antes de perceber sua realidade onírica.

Foi assim a noite toda, como em um xadrez cheio de movimentos criativos. Depois de certo tempo, mesmo dormindo, eu tive uma certa “consciência de vigília”, e o que eram movimentos automáticos contra a realidade do sonho, tornaram-se movimentos planejados.

Algo bastante interessante é que a minha “consciência de vigília” conseguia se mover apenas racionalmente, enquanto a realidade do sonho se impunha emocionalmente, às vezes me fazendo sentir literalmente na pele a situação. Tornava-se cada vez mais difícil saber o que era a realidade de vigília.

Em certo momento, perguntei a mim mesmo qual era o problema em aceitar aquela realidade onírica. Não soube responder, simplesmente me parecia errado ter que viver naquele mundo diferente da vigília. Hoje pela manhã eu me lembrei de algo que talvez explique a minha necessidade de me manter na realidade de vigília. Foi algo que aconteceu uma vez em que a realidade onírica não foi desafiada:

Uma moça de quem gosto muito havia partido há alguns dias para os EUA. Eu estava sentindo a falta dela. Em uma noite, eu sonhei que ela ainda não havia partido. Foi um sonho muito real. Sonhei que andamos bastante pela cidade, depois fomos a um bar, sempre muito animados, e finalmente fomos dormir um ao lado do outro. Acordei de madrugada e notei que a moça não estava na cama comigo. Levantei e a procurei pela casa inteira, um pouco bravo por ela não ter passado sua última noite no Brasil comigo. Depois de terminar de procurar na casa toda, voltei para cama. Ainda não havia percebido que tudo fora um sonho. Imaginei que ela havia saído para comprar alguma coisa necessária àquela hora da madrugada. Demorou um tempo até eu perceber que ela já estava nos EUA há alguns dias. Foi bastante decepcionante. E muito embaraçoso para mim. Isso aconteceu a cerca de dois anos atrás.

Apesar de a realidade onírica imposta ontem não ter relação com o episódio narrado acima, creio que meu embaraço foi o motivo de eu não querer aceitar aquele mundo falso, ainda que bom. Tive sucesso. Foi uma experiência bastante diferente. Uma daquelas de repensar em muito do que acontece mundo afora. Acredito que eu me conheço um pouco mais do que antes. E tudo isso sem sair do lugar.

Categories: Geral

Muitas vezes “água” (da série: Adeus, Mente)

Nas teorias tradicionais mentalistas da linguagem as palavras são “místicas”.

Fale-se de “água”. Para a maioria dessas teorias, a partir do momento em que você aprende que aquela coisa incolor, inodora, insípida e potencialmente potável se chama “água”, você domina o significado da palavra e pode usá-la para muitas coisas.

Mas não é bem assim que funciona. A palavra “água” não pode ser usada misticamente: você precisa aprender a usá-la em diferentes situações.

Quando uma pessoa vê água e diz “água”, ela está demonstrando um aprendizado diferente de dizer “água” quando quer água. Depois de muito treino em dizer uma coisa quando a vê e descobrir que dizer pode fazer você conseguir a coisa, você aprende esses dois usos ao mesmo tempo quando aprende novas relações de coisas com palavras.

Há muitos usos diferentes de “água”:
1- Quero água, digo “água”.
2- Vejo água, digo “água”.
3- Vejo escrito água, digo “água”.
4- Ouço água, digo “água”.
5- Dizem “água”, escrevo “água”.
6- Leio “água”, copio “água”.
7- Penso “copo”, penso “água”.

Ufa! Essas são as sete relações básicas. Depois complica. Água se combina com outras palavras. Como eu disse, depois de um bom treino, que ocorre nos nossos primeiros anos de vida, todos esses usos são aprendidos quase que simultaneamente, dando a impressão de que aprender um uso da palavra permite usá-la em qualquer situação. Essa impressão é errada.

Agora a pergunta: qual o interesse em algo assim?
Ora, educação! Sabendo que os usos requerem aprendizados diferentes, podemos parar de perder tempo acreditando que as palavras são místicas e ensinar mais rapidamente.

* Texto baseado no livro “Comportamento Verbal”, de Skinner.

Muitas vezes “água” (da série: Adeus, Mente)

Nas teorias tradicionais mentalistas da linguagem as palavras são “místicas”.
Fale-se de “água”. Para a maioria dessas teorias, a partir do momento em que você aprende que aquela coisa incolor, inodora, insípida e potencialmente potável se chama “água”, você domina o significado da palavra e pode usá-la para muitas coisas.
Mas não é bem assim que funciona. A palavra “água” não pode ser usada misticamente: você precisa aprender a usá-la em diferentes situações.

Quando uma pessoa vê água e diz “água”, ela está demonstrando um aprendizado diferente de dizer “água” quando quer água. Depois de muito treino em dizer uma coisa quando a vê e descobrir que dizer pode fazer você conseguir a coisa, você aprende esses dois usos ao mesmo tempo quando aprende novas relações de coisas com palavras.

Há muitos usos diferentes de “água”:
1- Quero água, digo “água”.
2- Vejo água, digo “água”.
3- Vejo escrito água, digo “água”.
4- Ouço água, digo “água”.
5- Dizem “água”, escrevo “água”.
6- Leio “água”, copio “água”.
7- Penso “copo”, penso “água”.

Ufa! Essas são as sete relações básicas. Depois complica. Água se combina com outras palavras. Como eu disse, depois de um bom treino, que ocorre nos nossos primeiros anos de vida, todos esses usos são aprendidos quase que simultaneamente, dando a impressão de que aprender um uso da palavra permite usá-la em qualquer situação. Essa impressão é errada.

Agora a pergunta: qual o interesse em algo assim?
Ora, educação! Sabendo que os usos requerem aprendizados diferentes, podemos parar de perder tempo acreditando que as palavras são místicas e ensinar mais rapidamente.

* Texto baseado no livro “Comportamento Verbal”, de Skinner.

LITTERA

Está inaugurado o littera.

Agora deixa eu contar o que é o littera. É um blog/site (lê-se blog barra site) de literatura. O principal tipo de textos que vocês encontrarão lá são os escritos por mim, pela Renata e pela Sabrina (lê-se Bina ou Nina). Mas eventualmente encontrarão críticas, dicas e tudo o mais relacionado à arte da escrita.

Visitem, comentem, cliquem mesmo. O littera é um bom lugar para se estar. Três ótimos textos já estão lá esperando por sua leitura (lê-se leitura).

Categories: Literatura

O carnaval vai passar

February 23, 2006 1 comment

Tá chegando o carnaval. Eu queria ir para o litoral lotado, mas meus amigos são sensatos demais e me lembram que vai estar infernal. Queria ver o espírito guerreiro renascendo nas areias perigosas do litorial paulista.

A tradição de ir para Laguna foi assassinada pela falta de grana. Uma pena. Aquela cidade é a coisa mais bacana do mundo em época de carnaval. Além do mais, consta de um contingente imenso de lindas mulheres catarinenses, que não conseguem ser ofuscadas pelas turistas paulistas.

Ao invés disso, o mais provável é que eu amargue um carnaval em casa. Eu não entendo pessoas que odeiam tanto um tipo de festa, como o carnaval! Até raves valem a pena uma vez por milênio!

O carnaval vai passar e eu vou olhar da janela.

Categories: Uncategorized

Quando os olhos procuram II

Agora que expus minha idéia quanto à impossibilidade da verdade e o poder da aprendizagem de moldar tudo quanto sabemos do mundo, é necessário comentar uma outra força de influência, que regula o aprendizado.

Trata-se da filogenia, nosso passado evolutivo. É fato que somos animais com um alto poder de adaptação ao meio. Temos grande plasticidade comportamental, este é nosso forte. Evito falar de inteligência ou consciência, pois essas palavras mais atrapalham do que ajudam. Melhor é pensar em termos de capacidade de aprender diferentes atividades, o que temos de sobra.

Sentir amor, ódio, ou o que for, é uma adaptação evolutiva que facilitou a sobrevivência da espécie em algum momento. Amor ajuda no cuidado dos filhos, por exemplo, e na manutenção da comunidade. Ódio é auto-preservação: destruir o que faz mal. Assim por diante.

Um autor da análise do comportamento notou que é muito provável que as construções da comunidade sejam muito mais aceleradas do que a mudança genética. Nosso corpo é igual ao corpo dos romanos, e dos povos anteriores ao romanos, e dos povos anteriores… Essa discrepância de velocidade gera conflitos. Muitos dos sistemas naturais de defesa não são mais necessários, pois a comunidade tem sistemas alternativos. A raiva exagerada poderia ser dispensada, mas ela existe, como uma predisposição do organismo a agir de certa forma sob determinadas condições.

A comunidade ainda permite a ocorrência das condições que produzem raiva. Essas condições assim o fazem porque são semelhantes às condições que provocaram raiva em nossos antepassados. Agora vem a sacada: sendo que nosso corpo ainda sente raiva, o ideal seria a comunidade entender esse mecanismo e evitar a criação das condições que o ativam.

Conhecer o comportamento é fundamental para decidir o que ensinar. Tudo o que pensamos, sentimos, fazemos, etc, tem origem em três sistemas de seleção. O sistema de seleção natural (ou filogenético), a seleção dos nossos comportamentos por suas conseqüências (ontogenia) e a seleção de comportamentos imposta pela comunidade, que permite algumas atividades e condena outras.

Sendo que nos comportamos de acordo com a forma como nos relacionamos com os dois últimos sistemas acima expostos, amparados inevitavelmente pelo sistema biológico, é fundamental conhecermos as formas como nos relacionamos com o ambiente. É um conhecimento mais do que necessário para produzir alguma melhora no mundo.

A maioria da Psicologia ignora a seleção genética e parte do pressuposto de que a comunidade influencia tudo o que somos. Ingenuidade. É uma postura infrutífera.

Se tudo o que somos depende do aprendizado, significa que o modo como entendemos a realidade foi proveitoso para nós e se não mudamos o modo como pensamos, significa que nosso entendimento continua proveitoso de alguma forma. É preciso deixar claro, no entanto, que não é só o mundo que nos produz, nossas ações transformam o mundo, criando condições diferentes, que nos farão também diferentes.