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Engolindo sapos

Sabe o que eu tenho feito bastante?
Engolido sapos.

Eu os vejo se aproximando. Eles não são silenciosos, vêm fazendo muito barulho, pulando alto e miram invariavelmente a minha boca. Eu, ao invés de desviar, engulo-os todos. A indigestão é certa!

Faço porque desviar seria fugir. Faço porque sei que serei recompensado. Faço porque cheguei agora na cidade e preciso mostrar boa vontade, porque preciso que confiem em mim e me ensinem o que eu quero saber. Engulo sapos apenas temporariamente.

Mas não gosto. Sinto minha mão pesada batendo em mim mesmo a cada sapo. E juro que quando eu estiver em posição de poder escolher se as novas almas vão ou não engolir sapos, vou pelo caminho justo de permitir que cada um escolha o que quer comer.

—– x x —– x x —– x x —–

Se me perguntassem…

Se fiz boa coisa vindo para sampa, eu demoraria muito para responder. Entre a pergunta e a resposta poderia passar muito tempo de cara impassível, escondendo um pensamento tumultuado.

Eu consegui o que eu queria em sampa: passei no mestrado. Queria isso há muito tempo, direcionei-me para isso e fui atrás disso com força. É claro que é delicioso ter passado, e ter passado bem. Aprendi muito no processo, o que foi um efeito bônus excelente. Mas acho que passar no mestrado não está sendo suficiente para garantir minha felicidade.

Acho que posso resumir a coisa com uma cena verdadeira. Eu estava na USP quando fiquei sabendo que havia sido aprovado. Fiquei absurdamente feliz e me dei o direito de faltar à aula e voltar para casa para começar as comemorações empolgantes. E fui eu para o ponto. E esperei o ônibus. Veio. Sentei. Passou muito tempo pelas mesmas ruas, vendo o ônibus lotar. Cheguei ao metrô. Estava cheio. Fiquei de pé apertado. Baldeação na Estação Paraíso (que lembra muito o inferno). Diversas estações depois cheguei ao outro ônibus. Esperei. Sentei. Depois de muito tempo pelas mesmas ruas, vendo o ônibus lotar, cheguei. Minto, desci do ônibus. Andei um bocado, cheguei em casa. Fui para o meu quarto emputecido de ter passado no mestrado, pois sabia que teria que realizar essa caminhada toda mais vezes por semana.

Soma-se a isso eu ter uma fortuna calculada em R$0,10. Essa fortuna me faz dizer “não” a muitas festas. Eu me torno um prisioneiro da minha casa. Só saio para pegar ônibus para ir à USP ou para atender (atendo em um local ainda mais distante do que a USP). Parece idiota reclamar, ainda mais considerando que sou apenas mais um entre milhões de pessoas que fazem percursos tão longos quanto o meu. Eu considero o contrário, errado é aceitar essa pouca saúde, essa infelicidade enlatada.

Começo a pensar em uma opção horrenda: morar no CRUSP… Não quero isso por nada! Mas preciso de uma solução urgente.

E vejam bem: eu curto sampa. Curto mesmo. Mas sampa vem com brindes dispensáveis: trânsito, distância, preço alto.

Categories: Diarices, Geral
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