Home > Diarices > A verdade sobre a nostalgia

A verdade sobre a nostalgia

Agora que o processo de seleção do mestrado acabou, posso me dar ao luxo de analisá-lo mais friamente. Vou fazer isso de trás para frente.

As provas foram muito fáceis. Não apenas para mim, mas aparentemente para todos. O processo de seleção ocorre, na realidade, antes da prova. O teste é apenas para eliminar candidatos que realmente não tenham noção nenhuma (o que é muito difícil, já que os alunos que fazem a prova já foram ensinados pelos possíveis orientadores).

Fiz um estágio de 4 meses, que incluiu participar de um curso de pós-graduação lato senso (como ouvinte; vi metade do curso), assistir a aulas em que analisávamos o processo clínico do começo ao fim, e participar de um grupo de pesquisa sobre o comportamento verbal. Foi durante esse estágio que aprendi o que eu precisava para ser aprovado nas provas. Foi também nesse período que aprendi muito mesmo sobre a ciência do comportamento. Em 4 meses, conheci mais do que em muitos semestres da UFSC. No entanto, percebi que não fosse a base que obtive na UFSC, eu não conseguiria entender os conceitos mais complexos.

Tive que fazer um projeto de pesquisa. Esta foi uma parte da seleção particularmente difícil, pois não conhecia o assunto e tive que começar de baixo. Li muito sobre a correspondência dizer/fazer, tive que ler bastante sobre um método de pesquisa todo próprio da análise do comportamento e, finalmente, sintetizar tudo em uma idéia, explicitando um método que produzisse novidade. Foi trabalhoso, mas foi a parte da seleção mais recompensadora. Meu projeto ficou muito bom (e sou auto-crítico demais!). Quando minha orientadora o leu, disse “bem vindo à USP”. Belo dia aquele.

Uma parte da seleção foi chegar à USP e convencer de que eu era um bom aluno. Nesse ponto, preciso agradecer enormemente a um professor da UFSC. Eu não gosto de citar nomes, mas ele vai receber uma ligação minha. Sem a ajuda desse professor, talvez não tivessem me dado a chance de mostrar minhas qualidades. Com um misto de humildade e orgulho, posso dizer que fiz tudo direito: se fui bem na seleção, foi porque estudei bastante para isso.

O momento mais difícil de todo o processo foi deixar Florianópolis. Eu gosto de sampa, mas floripa está em outro nível. Lá eu aprendi muito. Meus melhores amigos estão lá, todo um ambiente que construí em 4,5 anos, eu deixei para trás. E fiz isso por causa desse mestrado. E por isso ele tem esse gosto especial. Não conseguir a aprovação seria a frustração suprema. Depois que parti de floripa, decidi que o resto eu teria que conseguir de qualquer modo. Eu ainda tenho saudade da ilha. Talvez eu não volte a morar por lá, mas certamente ela continuará sendo uma verdade para mim. Eu sei que fui embora da melhor época da minha vida. Meu maior desafio é criar uma época melhor.

E acho que é isso. O resto é transporte, suor e palavras.

PS: Roubei o título de uma música do Raul Seixas.

Categories: Diarices
  1. No comments yet.
  1. No trackbacks yet.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: