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Asserção

Ontem eu fui ao mercado e me impressionei com o japa. Ele foi o exemplo máximo do problema que é a falta de assertividade.

Eu estava, bem folgado, em um canto do corredor, enquanto deixava o carrinho no outro canto. Desse modo espreguiçado, eu fechava o corredor inteiro. Estava esperando minha mãe pegar a carne que o açougueiro estava moendo. Minha mãe me chamou a atenção, dizendo “olha, acho que aquele moço quer passar”. Era o japa.

O japa não olhou na minha cara, andou com seu carrinho alguns centímetros para frente e outros para trás, e assim fez umas três vezes, como quem decide se deve ou não dar um passo adiante. Eu fiquei parado, esperando para ver o que ele ia fazer, até por que depois daquela dança tímida eu já não sabia se ele queria passar ou não.

Ele deu meia-volta e continuei observando seus movimentos. O japa contornou o pedaço imenso das prateleiras de frutas (mas imenso mesmo), para poder chegar no balcão do açougue, que estava a 15 cm de mim. Uma volta imensa e um ponto a menos de auto-estima para a conta do japa. Enquanto que, um simples “com licença, por favor”, faria todo o serviço.

Esse é um exemplo em baixa escala. O que quero dizer é “quando em uma situação de timidez, em que a assertividade é requerida, lembre-se do cara do mercado”.

Chega de falta de asserção. Todos vocês que estão lendo depositem U$1000000,00 na minha conta até amanhã

Por favor?

Categories: Crônica
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