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Com a buzudanga do seu amnirilo

Com a buzudanga do seu amnirilo, eu gostaria de lhes pedir atenção.

Vi chocantes cenas acontecendo diante dos meus olhos abertos. Juro que vi. Tudo na mesma tarde, o que me faz desconfiar de certo sarcasmo transcendental… se houvesse tal coisa.

Vinha pensando no fato assustador de que a maior diferença de uma idéia em relação à outra é o quanto amamos cada uma delas. As idéias, descobri, são sobretudo diferenciadas pela quantidade de pessoas apaixonadas por elas. Verdade, validade, funcionalidade, ducaralioidade, não importam. Até porque são, no fundo, também idéias necessitando de amor.

Era nisso que estava pensando quando a menina bateu no irmão menor. Logo vi na mão do menino dois doces e na mão da menina, nenhum. A mãe brigou com a filha por ela ter batido no pobrezinho do ladrão. O ladrão ficou com o doce da vítima para ela aprender a não se defender mais. O futuro dos dois vocês imaginam: um vai ser o corrupto no poder, a outra o rebanho conformado.

Pouco depois, no centro da cidade, um dos profetas da rua alertava as pessoas para olharem para o céu. “Mais um religioso maluco” pensei. Eu estava errado. O profeta, que era na verdade um paranóico, queria alertar as pessoas para a possibilidade de que algo caísse do espaço em suas cabeças. Não um raio divino, e sim algo muito mais concreto, como uma lata de refrigerante de algum astronauta porcalhão.

O que me deixou boquiaberto mesmo foi um cachorro todo cinza, com pêlos curtos e olhar bonachão. Trafegava em meio as pessoas como um carioca da gema pisando propositadamente em ovos. Andava abanando o rabo no gingado de um samba que diz “malandro é malandro, mané é mané, diz aí, podes crer que é”. Fui obrigado a seguir o cachorro furtivamente. O danado foi até uma padaria, onde o esperavam com um pãozinho. Logo depois foi até outra onde o esperavam com uma mortadela. Ele cortou o pão, colocou a mortadela dentro e ofereceu para uma cadela, à qual depois comeu.

E continuava eu pensando que uma idéia é igual a outra, igual igual. Só muda mesmo é a paixão.

Categories: Diarices, Prosa
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