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Suspensão

Parece que não é, e na realidade não é, mas a vida é dividida em fases, mesmo não sendo. Elas não existem, e ainda assim existem de maneira didática, ainda que não seja possível entendê-las. É como deus, que existe em mente, em ações, em construções humanas, mas na realidade não passa de uma idéia. Uma boa idéia, por sinal, como a de que deus não existe. Como tudo: boas idéias.

Entre estas fases há conteúdos, de apego forte a alguma idéia, a alguma pessoa, a alguma situação. São intensas e passageiras. Têm a beleza de criar amor, paixão, de levar ao gozo e ao sofrimento supremo. O conteúdo humano é absolutamente fantástico e inefável. É puro estremecimento!

Existe um buraco em meio às fases. Um buraco que ocorre em quem é capaz de tocar com algum sentido, ou mesmo algum pensamento, um infinitésimo do universo. No mesmo momento compreende-se a pequenez e gigantismo humano e tudo ganha e perde o sentido um milhão de vezes em um suspiro. Tudo fica suspenso. Alguns esquecem. Outros não.

Fazer tudo ou fazer nada é a mesma coisa. Ser feliz ou infeliz é a mesma coisa. Viver hoje ou não viver é a mesma coisa. O que é essa coisa? Tudo fica suspenso. O que fazer se tudo vale nada e nada vale tudo? É a inocência corrompida, é o poder corrompido, é o conceito corrompido, é a decepção corrompida, é o animal corrompido. É suspensão.

É tudo ridiculamente a mesma coisa.

Talvez o oceano volte rápido à onda na praia…

Categories: Diarices, Filosofia
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