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Archive for March, 2005

Como é que é?

Sábado último experiência estranha tive eu.

Sabe quando você está muito empolgado e bebe tanto, mas tanto, que quando você acorda no outro dia fica se perguntando como é que podem 12 horas terem desaparecido da sua mente? Pois é…

O pior é quando você tem amigos bem amigos que ficam mentindo para você, dizendo que vocês fez coisas mais loucas do quando voou pela cachoeira em algum sonho bem passado. Pois é…

Somando os relatos, eu já consegui montar 30% da minha noite. Os outros 70% já não importam mais, já passaram. Pois é…

O mais incrível, no entanto, é o poder do esquecimento. Eu não me arrependo de nada, seja lá o que eu tenha feito, e não devo nada a ninguém. Pois é…

Eu não sei o que aconteceu, mas sei dos efeitos sobre meu coração. Depois de ter colocado para fora (eu não vomitei) tudo que eu tinha para colocar, no domingo eu fiquei em casa em forma latente. Segunda-feira acordei mais chateado que lombriga de boi nordestino. Finalmente, na terça-feira tudo de ruim foi embora até… até sei lá quando.

Então, viva os dias bons. Que sejam longos e se reproduzam.

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Categories: Crônica, Diarices

Suspensão

Parece que não é, e na realidade não é, mas a vida é dividida em fases, mesmo não sendo. Elas não existem, e ainda assim existem de maneira didática, ainda que não seja possível entendê-las. É como deus, que existe em mente, em ações, em construções humanas, mas na realidade não passa de uma idéia. Uma boa idéia, por sinal, como a de que deus não existe. Como tudo: boas idéias.

Entre estas fases há conteúdos, de apego forte a alguma idéia, a alguma pessoa, a alguma situação. São intensas e passageiras. Têm a beleza de criar amor, paixão, de levar ao gozo e ao sofrimento supremo. O conteúdo humano é absolutamente fantástico e inefável. É puro estremecimento!

Existe um buraco em meio às fases. Um buraco que ocorre em quem é capaz de tocar com algum sentido, ou mesmo algum pensamento, um infinitésimo do universo. No mesmo momento compreende-se a pequenez e gigantismo humano e tudo ganha e perde o sentido um milhão de vezes em um suspiro. Tudo fica suspenso. Alguns esquecem. Outros não.

Fazer tudo ou fazer nada é a mesma coisa. Ser feliz ou infeliz é a mesma coisa. Viver hoje ou não viver é a mesma coisa. O que é essa coisa? Tudo fica suspenso. O que fazer se tudo vale nada e nada vale tudo? É a inocência corrompida, é o poder corrompido, é o conceito corrompido, é a decepção corrompida, é o animal corrompido. É suspensão.

É tudo ridiculamente a mesma coisa.

Talvez o oceano volte rápido à onda na praia…

Categories: Diarices, Filosofia

Sem nada a dizer

BURP!

CRASH!

SOC!

TUIM!

POW!

Batman! Tananananan! Batman!

PS: O “Burp” foi de Homer Simpsom em participação especial. Homer, o personagem mais amado do mundo! Homer, o que come rosquinhas! Homer, o amante da televisão. Homer, o pai do Bart! Bart rules! Todos querem ser como Bart! Bart tem as manhas. Bart fuckin rules!

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Vida e Obra Decadente da Vida Agora

Veículos de comunicação de massa espalham rápido.
Como seria viver há vinte e sete séculos atrás? Teriam essas pessoas uma percepção de caos como a que tenho hoje?

Está tudo ao alcance dos olhos e dos cliques:
Pessoas assassinam filhos e pais e mães e irmãos. Rouba-se aqui e ali e lá e acolá. As estradas quebram, os motoristas bêbados. Adolescentes espancam. O sexo deixou de ser livre e se tornou obrigatório. Todos os sistemas estão em pane; perigo, perigo. Nada é feito como antes? Subverte-se o tempo todo, porque subverter… é… porque… ãnh. “É a pior fase que ‘a profissão, o local, a família, a escola, a empresa, o estado, o país, a alma, etc, tudo’ está vivendo”. Esta última é a frase mais falada e ouvida destes tempos.

Confrontando o eu com o outro é fácil entender. Pensa-se no eu, esquece-se do outro. É mais do que falta de base moral, é percepção real. Não se sente pelo outro, não se vê o outro. Roubar fica fácil. Desviar milhões dos cofres públicos não gera culpa. Enfiar a arma na cara de um menino e apertar o gatilho é banal como sentar à TV. A voz do outro é apenas um barulho. É preciso eu vencer, eu divertir, eu subir, eu conquistar, eu provar.

Nasce nasce nasce gente. Não pára, não pára, não pára, não, até o chão. Quanto mais gente mais desemprego, mais miséria e competição. Sejamos livres para nos reproduzirmos até o fim do oxigênio!

Está mais fácil controlar. Está simples se apegar.

Caiu.

Categories: Filosofia

Por cima do mundo

É complicado.
Estou na minha fase romântica e a principal caracterísitca dela é não ser nada romântica. Minha vontade de demolir estruturas é infinitamente poética! Meu desejo de recriar conceitos é de uma harmonia chorosa! Meu amor pela crise em troca de renovação é puro!

“Faz o que tu queres, pois é tudo da Lei. Da Lei”

De um dia para o outro vou para São Paulo em menos de 6 meses, comecei a cursar a disciplina de ética e aumentei minha carga horária em 100%. Tudo isso para me formar no fim deste semestre ou começo do outro. Estou indo embora de Floripa.

Há muitas razões que me levam daqui. A principal delas não está totalmente formulada pelo meu consciente, mas o que ele me contou, soprando no meu ouvido, é que eu consegui conquistar o que eu mais queria quando saí de São Paulo. Agora, com isso emaranhado no meu ser, posso voltar e me elevar aos céus.

Como eu disse no texto “Ir?”, aceito o desafio de achar um muro branco em sampa para me pintar nele de vermelho. A resposta ao texto “Ir?” é “Sim”.

Os manézinhos podem comemorar mais essa evasão paulistana, mas sei que a Ilha vai chover dez dias. São Paulo vai chover também; chuva radioativa: guarda-chuva que fura.

Muitas despedidas. Daqui até a hora de ir embora começo a sentir saudade, começo a ver tudo novo, tudo primeira vez.

Que seja!

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pópó mómó

Pós-modernismo é foda. Este termo foi tão lido, ouvido, assistido por mim nos últimos tempos que minha cabeça se desfragmentou, ou seja, tornou-se uma só unidade que grita dúvida.

O pópó mómó, nome carinhoso ao pós-modernismo, é tudo que você vê hoje, com exceção daquilo que se vê. Porque tudo é igualmente inválido na sua tênue validez condicionada. E o que é agora não é mais o que era e pronto.

Se fosse possível, neste momento passaria um filme sobre uma estátua cantando uma música. Ela vestiria chapéu de cowboy e roupas gregas. A voz seria heavy, mas a música lembraria a dos aborígenes. Depois isso seria reproduzido infinitamente e vendido com um rótulo chamativo a um preço que não tem sentido.

Pópó mómó é abrangente demais em sua desmensuração.

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Ir?

Quero ir embora. De Floripa. Sei que ir embora vai ser difícil, que mais difícil vai ser me readaptar a São Paulo, que ainda mais difícil vai ser andar sem meus amigos daqui. Mas quero ir embora. Sinto que Floripa encolheu, ou cresci. A ilha da Magia já exerceu sua mágica sobre mim, e o efeito vai perdurar. Agora preciso me pintar de vermelho em uma parede branca de São Paulo. Aceito o desafio de procurar uma parede branca em São Paulo.

O que mais me impulsiona a partir é a voz besta que me diz que meu lugar é aqui. Meu lugar é qualquer lugar, voz idiota! Não tente me desanimar.

Ir embora vai ser minha redenção, uma libertação incrível do paraíso: quero o mundo real das sombras. Quero cultivar mais um mundo.

Categories: Diarices