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A derrota que vence

Lineu, para vencer na vida, foi obrigado a derrotar todos os seus sonhos idiossincráticos e apreender o sonho público de acumular matérias que o tempo gasta. Do topo do seu mundo de ferro armado, em inferno, contemplou silenciosamente sua imagem no passado: olhinhos brilhantes admirados da lua, coração apressado de quem corre aos sonhos, braços abertos de quem se sabe vivo, garganta presa da timidez de amar…

Sua esposa o surpreendeu em contemplação e, para espezinhá-lo, lembrou-o, fingindo preocupação, da junção com a nova empresa. Há muito a fazer, ela disse, não temos tempo a perder. Lineu foi, claro. Sabia que sua derrota o havia levado à vitória. Fez-se acreditar que a vida de garganta presa e braços abertos é para os que se contentam em viver paralelamente à realidade e suas exigências. O inferno disfarçou-se novamente de paraíso e Lineu se misturou mais uma vez à maioria.

Categories: Prosa
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