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Pancinha vai ao casamento

Casaram-se, enfim. Foi uma cerimônia simples em uma igreja azul, com um padre amarelo e padrinhos vermelhos de bêbados. Um cheiro de churrasco dominou toda a cerimônia; eram os coroinhas que tinham esquecido o dia do casório e fizeram um churrasco utilizando como churrasqueira os tijolos da ampliação da igreja. Um dos convidados da noiva, o Pancinha, levantou no “sim” do noivo para morder uma lingüiça. Estava boa, falaria depois se justificando para a inconsolável mãe.

A noiva estava deslumbrante de branco e branca de medo. Ela entrou na igreja sob uma chuva de confetes do último carnaval. Seu pai a acompanhou corado e sua mãe não pôde conter o choro ao imaginar o futuro da filha com aquele homem a quem entregaria sua menina. Aquele homem era rico, um negociante de cabras finlandesas que se tornou ator de filmes pornôs. Poucos sabiam da sua profissão; na verdade, dos presentes no casamento, só quem sabia da profissão era a ninfomaníaca mãe da noiva, fã do genro. Ele prometeu a ela que depois do casório não entraria mais em negócios desconhecidos. De fato, abandonou a carreira durante a fase de crescimento.

O filho adotado do padre ficou lendo revistas do homem-aranha durante toda a cerimônia e em um descuido gritou “não” bem na hora que o noivo disse “sim” e que o Pancinha levantou. Alguns pensaram que havia sido o noivo, outros que o Pancinha estava apaixonado pela prima e havia entrado em desespero. Esse incidente quase acabou com o casamento, demorou meia hora e muita reza para que tudo se ajeitasse. Todos perdoaram o menino mais tarde, quando ele explicou que a Gwen, a jovem e doce Gwen, havia falecido.

A madrinha da noiva estava apaixonada pelo padrinho do noivo e durante todo o casamento ficou se insinuando eroticamente. Fazer caras e bocas naquela situação a deixou tão excitada que chegou a ponto de tirar sua calcinha e atirar ao padrinho no mesmo momento em que o noivo beijava a noiva. A calcinha voadora chamou atenção apenas da madrinha do noivo, que a pegou no ar e olhou enlouquecida de desejo para a madrinha da noiva. Os três se casaram dois meses depois em uma cerimônia bem mais informal.

O casal foi feliz até o fim da vida. O trio também.

Categories: Crônica
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