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Archive for July, 2004

Amores gigantes

São Paulo
Minha relação com São Paulo é estranha, cheia de altos e baixos. São Paulo é minha mãe e meu desejo por ela é tipicamente edípico. Suas ruas e luzes me hipnotizam, sua fumaça e cinza me desesperam. Sempre volto a ela, sempre minha referência, meu ponto de partida e apoio. Preciso dela. Preciso saber que posso ir até ela sempre que precisar.

Florianópolis
Florianópolis vai morar para sempre em mim. Se Sampa foi minha mãe, Floripa é meu primeiro amor. Descobri o mundo inteiro de dentro da ilha. Tornei-me o que eu queria ser, exatamente o que eu queria ser, sendo conduzido pelos desígnios e maravilhas de Floripa. Foi com a ilha que cresci. Foi a ilha, tudo, tudo, foi a ilha…

Porto Alegre
Paixão platônica. Eu quero e desejo, mas minha vida lá ainda está distante. Porto Alegre só me mostrou sorrisos, ao contrário de Floripa e Sampa, que se mostraram inteiras. POA é uma grande promessa, um lugar encantado, um vale a ser descoberto. Preciso vivê-la para conhecer suas verdades.

Curitiba
Minha passagem por Curitiba foi veloz e intensa, marcada por maravilhosas companhias. A cidade foi o palco perfeito para uma história inesquecível. Ainda há muito de Curitiba que preciso ver, muito para saber desse lugar que sempre vai estar associado ao prazer e a pessoas especiais.

Guarulhos
Má! Guarulhos é má! Vivi com ela muitos anos e ela nada me deu em troca. É como se eu fosse morar com uma mulher por simples comodismo. Quase todos os dias eu ia visitar sampa. Ainda vou bastante à cama de Guarulhos, mas me sinto um prostituto.

Guarujá
Um amor de verão, vivido com grande prazer, mas que um dia cansou… Continuo indo visitá-la de tempos em tempos, mentindo a mim mesmo e a ela, fingindo um romance há muito extinto. A cidade marcou a minha vida, porém, e o que vivi e aprendi em seus braços jamais será esquecido.

Belo Horizonte
Uma passagem de alguns meses. Eu ainda era criança, não sabia o prazer que cidades podem proporcionar. Lembro-me com carinho de Belô e gostaria de curti-la agora que estou crescido. O fato mais marcante de Belô era o futebol grátis na quadra de taco, pois conhecíamos o filho do dono.

Rio de Janeiro
Sabe aquela mulher de revista, com um belo corpo invejado e pela qual todos são apaixonados? Bom, eu não sou apaixonado. Rio de Janeiro para mim é obra de programas de edição de imagem. Confesso que tenho curiosidade de conhecê-la, mas conhecerei desconfiado.

De resto… Ainda há muitas cidades a conhecer.

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Há 24 anos atrás comecei a nascer

Comecei a nascer no dia primeiro de julho de 1980, quando meu avô morreu, fato que iniciou uma série de reações na minha mãe, que resultaram no meu nascimento prematuro. Dizem, até hoje, a ala cardecista da família, que a morte do meu avô e meu nascimento estão conectados e que ele é meu espírito mentor. Familiares menos conhecedores da religião afirmam que sou a reencarnação dele (fetos têm espírito, então…). Outros simplesmente me associam ao meu avô com tal intensidade que quase me chamam de Tide. Falam-me muito do meu avô Alcides Brino (Tide), e sempre muito bem. Não há primeiro de julho que não pense no meu avô que nunca conheci e se somos realmente parecidos!

Meu outro avô, Otílio Faggiani (vô Tílio), pai do meu pai, morreu quando eu era bastante jovem. Foi em um dia mais-que-inesperado e que, de início, ano a ano, era lembrado com imensa tristeza, mas que hoje faz esbanjar alegria. Ele morreu no mesmo dia em que seu filho mais moço (meu tio) e seu segundo neto (meu irmão Dennis) comemoravam aniversário: 24 de fevereiro. Há duas coisas que nunca esquecerei: as vezes que meu avô me levava para comer lingüiça com os amigos dele no bar da avenida e o doce de leite “em forma de batata frita” que ele sempre comprava para mim e meus irmãos (que provavelmente não se lembram, pois eram pequenos demais).

Aí estão duas pessoas que amo muito, mesmo sem conhecê-las verdadeiramente. Sempre que penso neles, penso com saudade e alegria.

Categories: Coisologia, Diarices