Home > Coisologia, Diarices > Quandos

Quandos

Quando eu inspiro, entra ar nos meus pulmões, oxigênio para o corpo inteiro, inclusive para áreas do meu cérebro que deviam ficar caladas.
Quando eu expiro, sai ar dos meus pulmões, gases não aproveitados de volta ao ambiente, mas as áreas do meu cérebro continuam falando: teimosas.
Quando eu inspiro fundo e expiro rápido, e repito o processo por algum tempo, eu fico doidão. Você também fica, experimente. Mas é ruim, não experimente, não.

Quando eu vejo torta de limão, eu me contorço todo e tento fugir.
Quando eu vejo feijoada, eu me contorço todo e tento agarrar.

Quando eu olho para o passado, sorrio.
Quando eu olho para o presente, desconfio.
Quando eu olho para o futuro, desvio.

Quando paro… para quem estou mentindo? Eu não paro.

Quando falo do tempo, falo do espaço.
Quando falo do espaço, falo do tempo.
Quando eu penso em dimensões, invento a quinta.
Quando invento a quinta, descubro que ela é o desejo.
Quando penso em dizer isso aos físicos, desconfio que eles não vão gostar da minha invenção e vão me dizer muito sérios e empertigados “você está insinuando que além das quatro dimensões conhecidas, a altura, a largura, a profundidade e o tempo, há uma quinta dimensão e que ela é o desejo? Faça-me o favor de voltar para a Psicologia”.
Quando ouço isto na minha imaginação, eu rio pensando “esses físicos nada sabem”.

Quando eu treinava kung-fu, tentaram me ensinar a me calar.
Quando eu li taoísmo e budismo, tentaram me ensinar a me calar.
Quando eu li Exupéry, ele tentou me ensinar a me calar.
Quando lembro disso, descubro que não aprendi.

Quando eu penso no budismo, lembro do mundo em que vivo.
Quando eu penso no mundo em que vivo, lembro do budismo.
Quando tento uni-los, eu rio, mas não desisto.

Quando ouço Raulzito, começo a pensar.
Quando ouço Buarque, começo a sentir.
Quando eu me ouço, começo a entender.

Quando eu leio livros, eu me esqueço.
Quando fecho livros, eu me lembro.

Quando eu penso em filhos, penso em felicidade.
Quando eu penso em filhos, penso em responsabilidade.

Quando sinto a realidade, penso e sinto minha grande viagem.
Quando penso a realidade, lembro de Tabacaria.
Quando penso e sinto a realidade, penso e sinto tudo que já senti e pensei.
Quando vivo a realidade, desejo uma mulher junto ao meu corpo.

Quando quero, vou atrás como um guerreiro.
Quando quero mesmo, só paro morto.
Quando não me interessa, é bom me dar dinheiro ou não me movo.

Quando lembro dos meus amigos, quanta alegria!
Quando lembro das aventuras, quanta euforia!
Quando os encontro, quanta magia!

Quando toco, torno-me um com a tocada.
Quando beijo, torno-me um com a beijada.
Quando amo, torno-me um com a amada.
Quando paro, descubro que ainda sou eu mesmo.
Quando com mulher, sou o melhor homem do mundo.
Quando sem mulher, sou o segundo melhor homem do mundo.
Quando penso em quem é o melhor, lembro que sou eu com mulher.

Quando eu penso, eu sinto.
Quando eu sinto, eu penso.
Quando paro… para quem estou mentindo? Eu não paro.

Quando jogo futebol, eu sou mais feliz.
Quando ando de bicicleta, eu sou mais feliz.
Quando eu faço muito disso sem parar, dói minha perna.

Quando penso em amor, eu…
Quando penso em amor, eu…
Quando penso em amor…

Quando chegar aqui, releia focando metáforas.

Quando vivo, vivo!!

Categories: Coisologia, Diarices
  1. March 22, 2008 at 9:57 pm

    quando penso em tudo que você escreveu
    quando eu procurei
    penso que não sou única
    tanto solitária com pensamentos perdidos.

  1. No trackbacks yet.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: