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De ser um escritor

Estou muito longe de ser um escritor. Tenho ainda inúmeras dificuldades com escolha de palavras, estabelecimento de ritmos e tons, criação de personagens, descrição de situações, conhecimento da realidade banal e sentimental, e produção de roteiros de acontecimentos. Falta-me prática e me falta, sobretudo, teoria. Sinto necessidade de um grupo mais experiente para me dar dicas e criticar o que escrevo com olhos técnicos; não creio que isso seja essencial, mas com certeza ajudaria.

Escrever não é fácil como parece. Não basta conhecer um punhado de palavras e as normas da gramática; na realidade, as normas da gramática podem dançar no inferno, se quiserem, pois não são tão necessárias quanto parecem para a criação de um bom texto. Não basta, por outro lado, uma enxurrada de idéias se não há um mínimo de capacidade de colocá-las em palavras. Do modo como entendo, o escritor tem que ser um excepcional sintetizador da realidade; deste ponto inicial pode fazer o que quiser com ela: distorcer, esticar, espremer, descrever, etc. Também penso que é qualidade primordial a um escritor a capacidade de perceber o mundo minuciosamente e de maneira mais vívida do que a faixa do comum. Pode-se escrever um livro sem essas qualidades, mas aposto um frango assado como ele não vai ser grande.

Leio alguns blogs de escritores recentes e de críticos de literatura. O que li nesses blogs e percebi por mim mesmo é o quanto a internet está cheia de pseudo-escritores (coloco-me nesta categoria) que querem uma chance junto às editoras. Uma grande parte deles sabe os problemas que enfrenta por existirem tantos outros calouros como eles e pela dificuldade cada vez maior de escrever algo que se destaque em meio a tantos outros escritos produzidos. É brutal. Outros não pensam nessas dificuldades; não sei se são burros ou gênios.

Há grande dificuldade em definir um tema e um objetivo realmente válidos para uma obra. É preciso ser muito inteligente e observador para definir padrões humanos e de realidade que valham a pena ser mostrados e/ou explorados. Já escreveram sobre muitos temas e por isso há tanta dificuldade em mostrar outras perspectivas ou algo inteiramente novo. É valor meu: boa literatura é sobre padrões humanos e de realidade, mascarados estejam ou não. A forma é importantíssima, mas negociável, pois é submissa às necessidades do tema (também valor meu; os parnasianistas não concordariam comigo).

Futuro, futuro, aguarde.

Eu quero ser escritor, mas por enquanto é a ciência que se prende às minhas costas e a quem devo priorizar, e assim será por mais algum tempo. Depois que eu estiver com meu título de professor garantido, vou estudar literatura em primeiro plano. Por enquanto, escrever vai continuar sendo minha atividade secundária. Quero escrever livros e tudo indica que o primeiro deles vai ser científico. Ah, mas há arte em meu caminho! Há, sim!

Se eu gostasse de uma coisa só seria mais fácil, mas eu seria bem menos legal. Ciência e arte “é” lindo.

Categories: Diarices, Literatura
  1. November 18, 2006 at 11:58 pm

    Sou do tipo que acha que escritor nasce feito.

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