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A história do monge ocidental

história que era originalmente uma piada que somente duas pessoas do universo acharam engraçada, mas que tem uma mensagem verdadeira que só pode ser compreendida por sábios

A história do monge ocidental

Era ainda um jovem rapaz de quinze anos quando causou em casa verdadeiro alvoroço ao anunciar que seu desejo era se mudar para a China e procurar um mosteiro onde pudesse aprender budismo e artes marciais. Os pais não aceitaram a idéia, mas a insistência de cinco anos e a dedicação com que lia livros budistas e freqüentava as academias de artes marciais acabaram por convencer os pais de que aquilo não era um pedido infantil.

Contra a vontade de todos, menos a própria, o rapaz embarcou aos vinte anos rumo à China. Não demorou a encontrar um mosteiro aos moldes dos seus sonhos e se tornasse um dos mais disciplinados e ardorosos seguidores do budismo do local. Aprendeu, junto com artes marciais, o valor da simplicidade, da parcimônia e da vida sem luxos. Foi-lhe ensinado sobre o condicionamento do mundo, sobre o samsara, sobre o nirvana, sobre a igualdade de todos os seres, sobre a necessidade de fazer o bem, sobre o perigo da vaidade e da ganância e sobre as quatro nobres verdades.

No rigoroso treinamento marcial, descobriu a necessidade de usar seus conhecimentos apenas para auto-defesa, de forma humilde e somente se o uso fosse inevitável. Durante vinte anos viveu apenas para o budismo e para as artes marciais, aprendendo tudo quanto podia, dedicando sua vida e sua alma à causa da paz e do despertar. Transformou-se em um exemplo para os monges de outros países e mesmo para os monges da China.

Os mestres estavam contentes com o desenvolvimento do rapaz, da impressionante facilidade com que aprendera os princípios do desapego ao eu, da busca pela paz; estavam impressionados com a persistência que o jovem mostrara em vencer suas dificuldades, em ajudar seus companheiros, em ir às vilas próximas ensinar os preceitos da simplicidade do amor universal. Todas essas qualidades lhe valeram uma indicação para voltar ao ocidente e espalhar aos desejosos de paz os conhecimentos que havia adquirido.

No ocidente, foi bem recebido e se tornou responsável por um mosteiro existente em uma grande cidade. Apesar de o mosteiro não ser exigente como o chinês e ter horários flexíveis, o rapaz gostou da idéia de poder tocar vidas com a paz budista. Era o grão-mestre do templo, respeitado por suas qualidades e facilidade em explicar o modo de pensamentos pacífico e simples que vivera por vinte anos. Sentia-se, no fundo, orgulhoso por sua posição, por ter sido recompensado com tantas honrarias.

Certo dia, sozinho no templo, foi surpreendido por um barulho estranho. Descobriu que o templo estava sendo assaltado por um homem armado. Não se preocupou, pois os vinte anos de aprendizado o haviam preparado para lidar com qualquer tipo de situação da maneira mais simples e efetiva possível. Alguns de seus mestres teriam conversado com o ladrão e oferecido uma vaga no templo; caso o ladrão não aceitasse, ofereceriam uma ou outra peça do templo, já que o apego ao material era um erro leigo; outros de seus mestres nocauteariam o intruso com um golpe simples, tirariam-lhe a arma e ofereceriam ao homem, quando acordasse, a chance de se tornar um discípulo no templo.

O rapaz pensou diferente. Percebeu que o momento era perfeito para mostrar a si mesmo o quanto havia aprendido sobre artes marciais. Queria sentir orgulho dos seus vinte anos de treino. Aproximou-se silenciosamente do ladrão e executou um dos movimentos marciais mais complexos existentes. Seu corpo girou no ar de forma magnífica, suas pernas mirando o alvo em um movimento majestoso… mas o golpe saiu errado… O monge caiu no chão, chamando a atenção do ladrão, que lhe apontou a arma na direção da cabeça. Não compreendendo a possibilidade de ter falhado, o monge pensou rapidamente, justificando e ampliando a queda:

— Alguém passou cera no chão.

O ladrão foi embora sem feri-lo, tal sua comoção diante de um monge que precisava de ajuda.

história criada originalmente na cidade de Sabino, interior paulista, por Robson Brino Faggiani e Marcus Vinícius Rossi de Oliveira – baseada em fatos reais.

Categories: Coisologia, Filosofia
  1. April 26, 2006 at 11:56 pm

    Template legal esse, e é nativo do wordpress…

  2. John
    April 28, 2006 at 12:22 am

    Ei essa história eu tb conheço, eu tb participei do nascimento dela…

  3. April 29, 2006 at 1:23 am

    Não participou não John. Estar lá não faz de você um cavalo campeão.😀

    A iluminação foi apenas minha e do Robson. A glória é nossa!

  4. Leonardo
    October 2, 2006 at 9:25 pm

    Amigo…espero que você leia isso e responda: essa é uma história real mesmo?Se foi, com quem aconteceu?Muito interessante.Até mais e parabéns pelo blog.

  1. April 26, 2006 at 8:36 pm

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