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As sete verdades temporárias

Eu sou um contestador. Contesto tudo quanto posso. Por contestar tanto, aceitei poucas idéias como reais. Contesto-as freqüentemente, mas elas resistem, são fortes. Essas idéias são minha “crença” pela pertinência e durabilidade que demonstraram. No entanto, chamo-as temporárias porque tudo é impermanente e nada é de fato fixo, senão a impermanência:

*** Primeira: existe o sofrimento como sentimento humano mais freqüente (DUKKHA) e tudo que existe é impermanente (ANICCA). Esta é a primeira nobre verdade do budismo.

*** Segunda: a existência do sofrimento é causada pelo desejo. Esta é a segunda nobre verdade do budismo. Paro por aí no budismo: a terceira e quarta nobre verdades não resistiram à contestação.

*** Terceira: todo fenômeno tem uma causa. Isso implica que nada vem do nada, que nada é por acaso e que todos os fenômenos estão determinados por uma espécie de linha de causalidade inexorável.

*** Quarta: são verdadeiras as contingências da ciência comportamental: reforçamento, punição e extinção; junto com as contingências, aceitei suas implicações dinâmicas para o organismo.

*** Quinta: o cérebro é plástico e complexo o suficiente para engendrar toda espécie de percepções, ilusões e realidades. Todos os aprendizados, esquecimentos, sentimentos e pensamentos realizam mudanças na estrutura cerebral, tão maleável ela é.

*** Sexta: nossa realidade é socialmente construída e somos produtos e produtores dessa realidade. Nossa percepção da realidade é condicionada pelo que nos diz nossa cultura.

*** Sétima: nosso sistema perceptual é limitado e estamos cercados por fenômenos que não podemos perceber. De qualquer forma, somente o que pode ser provado é crível.

Além dessas sete idéias resistentes, há outras mais fugazes competindo pelo posto superior, como a idéia de que a mente não existe e de que o “eu” é uma ilusão. Essas idéias, apesar de não cederem à contestação, não são suficientemente conhecidas por mim para que eu as aceite como corretas.

Há também a verdade de que vamos morrer, mas esta é óbvia demais e, espero, todos a conhecem. Se repararem, aumentei há algum tempo a assinatura abaixo. Acrescentei “memento mori”. Três dias depois recebi um e-mail de E. em que ele me falava disso. Dois dias antes havia relembrado a idéia quando a li em algum lugar. De qualquer forma, está ali o memento mori para que não esqueçamos de nossa finitude.

Categories: Filosofia
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