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A saga dos pneus

Finalmente uma boa noite de sono. Ótimo.

Mesmo assim, acordei lembrando que eu tinha aulas chatas pela frente e um dia inteiro de trabalho em um projeto de pesquisa para entregar amanhã e que nem havia começado. Dia lindo! Ao estilo Murphy. Ficou ainda mais bonito depois que descobri que os dois pneus do lado do passageiro do meu carro estavam no chão (algum feladaputa fez o favor, o que me faz perguntar que tipo de pessoa faz uma coisa dessas…). Por um breve momento lembrei de tudo de ruim que aconteceu ultimamente (inclusive o roubo dos meus cd´s e as garotas loucas) e quase brinquei de “Um dia de Fúria”. Mas segurei a onda e fui à universidade.

Depois do chato dia de aula, almocei e me preparei para encontrar meu colega de trabalho não começado, mas antes de encontrá-lo decidi definitivamente que iria arrumar os pneus do carro. Saquei R$20,00, esperando pelo pior e fui atrás da solução.

Não tinha como o borracheiro ir até o carro. Eu teria que trocar o pneu da frente pelo estepe e andar até o conserto com o pneu de trás no chão. Tudo certo, não fosse o problema da bateria do meu carro. Fui até o alto do morro e realizei o procedimento padrão para a ignição de carros com problemas na bateria: soltei o freio de mão para que o impulso da descida fizesse o carro pegar no tranco. Meu mundo caiu quando o carro não andou.

“Mas está na descida…” disse meu neurônio ingênuo… “Sim, mas com dois pneus no chão” disse a contraparte realista. Não tive dúvidas. Desci do carro e dei aquele primeiro empurrão. O carro se moveu! “êêêêê”. A 2 km/h… Não era o suficiente. Eu lá, tentando dar a partida… e nada… e nada… e a descida acabando junto com minhas esperanças. Coisa de filme: deu partida na última hora possível!

Estacionei o carro na frente da vendinha e meu neurônio ingênuo “isso, agora troca o pneu com o carro ligado, se não ele não liga nunca mais”. Eu gosto tanto desse neurônio… Mas lá vem o realista “ô, esperto, e como você vai deixar o carro ligado se você precisa da chave para abrir o porta-malas e para pegar o estepe e o macaco?” Dããã… “aaaa Rutinhaa é miiinhaaaa amigaaaa…”

Risco máximo. Desliguei o carro e bati meu recorde de troca de pneus. Não sei quanto tempo, mas foi bem rápido e sem sujar nada além das mãos (um outro recorde). Fui ligar o carro bem feliz e esperançoso. Nada! Girei a chave e nada! Girei de novo e nada!

Afundei no banco. Chamei os anjos para recolherem o corpo. Eu estava derrotado? Não! Eu sou invencível, porra! Olhei para o lado, um tiozinho bebendo sua cervejinha das 13:00h.

Usando meu sorriso ultra-simpático, perguntei se ele podia me ajudar. Ele se prontificou imediatamente e ainda chamou o cara da vendinha. As atitudes se mudam aos poucos… Depois que os dois estavam prontos para empurrar, a bomba: “Então, só tem um probleminha: o carro vai estar bem pesado porque tem um pneu no chão”. Ele se sentiram traídos, mas não titubearam e até me impressionaram: “Vamos fazer uma chupeta”. Nisso, meu neurônio ingênuo “ué, mas eles são homo…?” O realista não deixou ele terminar e emendou “idiota! eles vão dar carga na bateria”.

Deu certo. Finalmente o carro pegou. Tinha um carro estacionado atrás do meu e uma moça no banco do passageiro, esperando o motorista que estava na vendinha. Olhei para ela meio que pedindo licença. Ela, bem simpática e preocupada, perguntou-me se eu ia sair com o carro mesmo com o pneu furado. Não tive paciência para explicar o ocorrido. Olhei para ela e disse “sim”. Ela me olhou como se eu fosse louco. Eu quis rir, mas me segurei. “Não vai estragar o carro?” ela perguntou, toda simpática e preocupada. “Não tem problema” respondi me segurando para não corresponder à expectativa dela com uma cara de louco. Coitada da moça simpática e preocupada, ela é uma boa pessoa. O motorista chegou, tirou o carro e fui para o borracheiro.

Finalmente uma notícia boa. O feladaputa que fez aquilo com os meus pneus pelo menos não os furou, apenas os esvaziou. Ao invés de R$20,00, gastei apenas R$2,00 como agradecimento ao tiozinho da borracharia.

Dia acabado? Não! Eu ainda tinha um trabalho inteiro para fazer… Mas isso é uma outra longa, interessante e cômica história. Só interessa saber que eu consegui também: fiz o trabalho inteiro!

Dá-lhe, Gurizão. Esse dia foi uma loucura! O que não me mata, deixa-me mais forte!

Categories: Crônica, Diarices
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