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Retrospectiva relâmpago BFGF

Eu era um garoto “normal”, então conheci o Mario, que também era um garoto “normal”. Um ano passou e fomos viajar para a praia com o pessoal do colégio e afins (eu, Luis, Colino, meu irmão e o Mario). Conheci rock e bebidas, mas só curti rock na época. Uma viagem extraordinária e libertadora. Durante quinze dias só comemos hamburger e batata frita. Pela primeira vez, tive acesso a questões filosóficas mais complexas e de forma direta. Voltei “anormal” da viagem e desde então o processo de anormalização não cessou.

Começamos a andar mais com o John e com o Tsu e eles provaram que a “anormalidade” podia atingir graus extraordinários, mas eles eram gente boa e nunca morderam ninguém (espero estar certo). O John e o Colino se odiavam e discutiam interminavelmente quase todos os dias, enchendo o saco das pessoas ao redor. Até hoje ainda discutem bastante.

Fizemos mais viagens, afundando em um mundo absolutamente incrível. Fomos corrompidos por um jogo viciante, que nos tirou várias noites de festas dionísicas: o RPG. Mas nos divertíamos muito e acabamos por curtir várias festas também, mas só depois de muito tempo jogando muito.

O Colino, certa vez, foi posto no meio do colégio com uma garota muito feia e todos gritavam “beija, beija”. O beijo nunca aconteceu. Certa vez, voltando para o Guarujá, caminhando em Santos para a balsa, disse eu a uma Lotação, com sotaque nordestino acidental, matando meus amigos de rir: “Conheço não”. Na mesma noite, gatos lamberam o pé do Luis quando ele dormiu esperando o ônibus já no Guarujá. O Tsu e John nunca foram conosco para o litoral paulista, eles eram muito nerds naquela época.

Viajamos, eu, o Colino, o Luis, e mais alguns malucos para São Tomé das Letras, uma cidade mística em Minas Gerais. Pratiquei Tai Chi Chuan, arte que fazia na época, e descobri que queria fazer Psicologia enquanto jogando bilhar em uma mesa velha em um dia de chuva; que viagem. Dormimos na rua, na frente de uma padaria e zoamos o Léo, que estava sendo “cantado” pelo dono do sítio onde nossa barraca estava.

Certa vez, eu, o Colino, o Luis, o Makosha e acho que meu irmão, fomos fazer uma viagem para o litoral paulista, Toque Toque Pequeno. O Colino estava dirigindo e pouco depois de sairmos de uma rua de terra ele gritou com felicidade, enquanto acelerava o carro: “Finalmente asfalto”. Alguns metros adiante, acelerando o carro com empolgação, passamos por uma valeta imensa, que fez o chão do carro bater com força no mesmo asfalto tão aclamado. Acampamos do lado de um pequeno rio, entre um paredão e esse rio, a apenas alguns metros do mar. Acordamos com a barraca inundada e com as frutas e chinelos boiando no rio. No dia seguinte, tivemos que ir para um camping em Maresias.

Um dia, terminamos o colegial. Seguimos nossos rumos. O Luis foi embora, ele era o mais alucinadamente insano, um puta cara divertido, que foi meu melhor amigo durante muito tempo. Sinto saudades daquele figura, de verdade. O resto de nós continuou se vendo regularmente.

Comecei a beber. Fomos para Igaratá certa vez e o Mario ao invés de vomitar, peidou. Pouco antes, havia mergulhado na grama. Sim, ele estava bêbado. O John sempre foi um puritano e nunca bebeu a não ser Coca-Cola e Mc Donald´s; ultimamente tem bebido um pouco. O Tsu, logo da primeira vez que foi beber conosco, virou tantos copos de cerveja quanto o número de estrelas no céu e só ficou “alto”. O Colino sempre foi um bebum largado na porta de bares.

O John foi estudar Eng. Química na Unicamp, em Campinas, virou campineiro, e não preciso falar mais nada… para bom entendedor… Hoje ele é um Highlander tocador de baixo cotado para recorde em repetência e vive constantemente apaixonado por mulheres com curvas perfeitas. Será que ele resistiu mesmo às influências homocampineiras?

O Mario foi fazer sei lá que curso em sei lá que faculdade, ele fez um pouco de tudo. Depois de dar a volta ao mundo, parou em Florianópolis e arranjou uma namorada. Hoje ele faz Sistemas de Informação na UFSC e desenvolve softwares para controlar casas inteligentes. Sempre foi difícil tirar sarro dele, ele é muito certinho, um verdadeiro NERD.

O Tsu entrou na Adminstração da USP (responsa). Ele fez cursinho um ano antes. Corrija-me, Tsu, se preciso for. Hoje o Tsu atende pelo nome de Tsu e usa roupas normais, além de ser o maior e invencível bebedor de álcool do grupo, apesar de ter apenas alguns centímetros de altura (hehehehehe). Seu verdadeiro nome é, é… merda, esqueci.

O Colino foi fazer Psicologia, depois trancou, assumiu um lado místico, começou a trabalhar na CEF, assumiu um lado esportista-bombadão, voltou a fazer Psicologia e hoje trabalha também como corretor de imóveis e está prestes a começar a namorar de verdade e ainda não apareceu em nossos sonhos em forma astral como prometido anos atrás. Pretende um dia ser um lavador de carro milionário, eu acho (vindo dele, tudo é possível).

Eu estudei Psicologia na UnG e trabalhei como escravo. Libertei-me, fiz cursinho, e vim para Florianópolis, empolgado pelas histórias do Mario. Hoje faço Psicologia na UFSC e estou ficando louco a ponto de escrever em blogs. Além do mais, vejo fantasmas e falo com paredes, mas só quando respiro. Até parei de beber por tempo indeterminado! Estou louco mesmo!

Essa é a história relâmpago da lendária BFGF, que já brigou, já quase se matou, mas se mantém firme e forte. Vários agregados, como meu irmão, o Daniel, o Luis, o Makosha, etc, fazem parte informalmente da BFGF, mas seu substrato e membros “oficiais” são eu, o Colino, o Mario, o John e o Tsu.

PS: Quando tiramos carta, viajávamos ouvindo sons extraordinários, como Deep Purple, Led Zeppelin, Metallica, Nirvana, etc. O som “Roadhouse Blues” do The Doors tocava praticamente em todas as viagens.

PS 2: Continuando na cultura Doorzística, nosso local de baladas favorito foi e continua sendo para alguns de nós, o Morrison Rock Bar, localizado na Vila Madalena em São Paulo. Este lugar foi também minha primeira ida a uma balada de verdade.

PS 3: Outro artista que sempre foi uma constante entre nós foi Raul Seixas, sobre o qual dizíamos que havia chegado muito perto mesmo da verdade.

PS 4: A BFGF já se encontrou algumas vezes aqui em Florianópolis, encontros que sempre resultaram em festas doidas e esvaziamentos de garrafas de tequila.

Categories: Crônica, Diarices
  1. Carlos
    August 5, 2006 at 3:33 am

    Adorei a história de vocês!
    Bom blog!
    Abraços

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