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Escrever

Faz tempo que não paro para escrever com a atenção que costumo dar à essa ação. Minhas últimas postagens foram escassas e superficiais, os mergulhos foram esquecidos e os temas foram reduzidos. Quero voltar.

Lembro de quando comecei a escrever pensando em arte, foi acidental. Na época, eu estava curtindo uma de desenhista: olhava os desenhos e os reproduzia. Mas algo me deixava irritado: eu não conseguia desenhar o que minha mente imaginava, isto limitava-me às possibilidades dos gibis que possuía. Fiquei um bom tempo sem desenhar e, em uma viagem para o litoral paulista, peguei papel e lápis para recomeçar. Ao invés de exteriorizar um desenho, exteriorizei um texto. Esse é o meu texto n.1:

Corra Por Sua Estrada

Corra. Corra pela estrada.
Corra pela estrada que você mesmo criou,
Corra pela estrada de sua mente.
Veja suas paisagens, altere-as, deixe-as perfeitas.
Corra sempre. Não pare.
Não se preocupe com os que correm contra você,
Preocupe-se com os que correm com você.
Corra, mas não fuja.
Corra para onde quiser.
Corra livre!
(fim)

Fiquei impressionado com o texto e questionando de onde ele havia saído. Sempre me considerei um péssimo escritor (e ainda me considero), mas aquele texto conseguiu reproduzir exatamente o que eu estava pensando na época. Hoje, relendo meu texto n.1, entendo que ele foi o precursor de Veasv Ael Vep e que, de certa forma, a maioria dos meus textos posteriores são apenas desenvolvimentos de suas idéias.

Depois do meu primeiro texto, amargurei um período de latência muito grande. Voltei a fazer cópias de desenhos e a tentar desenhar a partir da minha criatividade. Nunca consegui. Quando comecei a trabalhar, de office-boy, voltei a escrever. Sentar na frente de um caderno era terapia para aquela vida não querida de trabalhador superficial. Paralelo ao trabalho, existia o curso de Psicologia que estava fazendo na UnG (Universidade de Guarulhos), que me fazia pensar em estudar o que queria em outro lugar. Infelizmente, estava impossibilitado de mudar de faculdade. Durante nove angustiantes meses, trabalhei com o que não queria e estudei onde não me agradava. Foi minha dark age e meu período de maior produção textual.

Relendo meus textos dark ages, sinto sua profundidade, o modo como retratava minha dor e cansaço, mas vejo como estavam mal escritos, demasiadamente subjetivos, com temas repetidos e sem estruturas inteligíveis. Guardo-os todos, mas não penso em tirá-los da gaveta.

Claro que meu estilo mudou um pouco depois do meu período triste, mas meus textos continuaram confessionais e nada artísticos ou opinativos. Foi assim durante um ano e alguns meses. Mudei-me, enfim, para Florianópolis, para estudar onde queria e morar onde queria e fazer tudo que eu queria. Mudei de temática radicalmente, mas meu estilo confessional e pouco artístico continuaram.

Assim foi na ilha durante alguns meses, até que um amigo pediu para ler meus textos porque pensava em começar a escrever. Quando vi seus primeiros textos, tive contato com arte… confessional, mas arte e resolvi reestruturar alguns dos meus textos. Daí em diante, meus textos entraram em uma fase mais artística, mas ainda não me satisfizeram. Ainda não consegui escrever poesias com a beleza que vejo em outros autores, mas estou sempre tentando. E vou continuar.

De repente, entrei com contato com os blogs e meus textos mudaram. Abandonei um pouco a poesia e me concentrei em textos dissertativos, para expor idéias, e narrativos, para narrar meus dias. Estou desenvolvendo esses tipos de escrita, e ainda poesia. Tenho muito que aprender e não cheguei nem perto do meu objetivo ainda, mas continuo. Falta aprender a descrever, nunca fiz, preciso tentar.

Sempre me perguntaram o porquê de eu escrever tanto. A resposta foi sempre a mesma e continua sendo: porque me faz bem, porque gosto de me expressar e dentre as formas de fazê-lo, prefiro as palavras escritas.

Acho que é isso. Deixem-me ir.

Categories: Crônica
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  1. April 26, 2006 at 8:35 pm

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