Existem muitos textos sobre este assunto Blogs x Estadão:
O Márcio Pimenta provocou este texto quando postou o vídeo de um debate sobre Responsabilidade e Conteúdo Digital entre jornalistas, blogueiros e um vergonhoso professor da USP. Também falaram sobre blogs e o estadão o Alessandro Martins. O Catatau escreveu um excelente texto. O Inagaki também contribuiu. Os blogueiros do video falaram sobre o debate: Edney (do interney.net), Carlos Merigo (do Brainstorm#9) e a Bruna Calheiros (do Sedentário e Hiperativo). Por fim, Guilherme Azevedo sintetizou tudo, e explicita o pedido de desculpas do pessoal do Estadão.
Vejam quantas abordagens diferentes, e excelentes, sobre o mesmo tópico. Isso são blogs.
Eu enumerei algumas vantagens dos blogs em relação a um jornal ou uma revista.
Em primeiro lugar, a vantagem da quantidade. Quantidade é igual Variedade. Os textos de um jornal ou de uma revista são limitados no espaço. Também em suas formas digitais, os meios de comunicação “tradicionais” são limitados por editores, prazos, etc. A soma de todos os jornais e revistas não chegam perto da soma dos blogs. Eles tratam de todos os assuntos dos homens. É possível utilizar uma ferramenta de busca e encontrar seu tópico de interesse; com a imediata possibilidade de selecionar alguns dentre as centenas de resultados que serão encontrados.
Jornalistas de grandes veículos têm acesso a maior quantidade de informações e, teoricamente, a uma rede maior de contatos, do que tem um blogueiro. Isso permite que um mesmo jornal, ou revista, reúna diversos assuntos em um só local. Blogs, normalmente, são mais especializados. Isso não é um problema. Pelo contrário. O interessante sobre blogs é a rede que formam, e não tanto os fios que compõem a rede. A variedade é imensa, e não há necessidade de que todas as informações estejam em um só local.
Os blogs possuem especialistas em todas as áreas. Um jornal ou uma revista necessitam de entrevistas para falar sobre um assunto específico. Muitas vezes o resultado é bom, outras é uma síntese mal feita do tópico. Os blogs não passam por isso. Muitos especialistas têm blogs que falam sobre a área de especialidade do autor. Eu desafio, por exemplo, qualquer jornalista a escrever sobre análise do comportamento com a mesma desenvoltura que um profissional da área. (Acredito que alguns veículos grandes possuem especialistas em algumas assuntos, mas é impossível cobrirem toda a variedade.)
Os blogs são gratuitos. Ninguém precisa pagar para acessar um blog.
Os blogs são controlados por seus leitores. O editor de um blog tem muitas razões para se preocupar com a qualidade do seu conteúdo exposto. Blogs ruins não são visitados. Qualquer leitor pode interromper a leitura a qualquer momento. Pessoas realmente interessadas identificam blogs ruins imediatamente.
Os blogs vão além. É permitido e desejável aos blogueiros que falem sobre suas impressões pessoais. Uma mesma notícia ou assunto podem ser apresentados de diversas formas. Com cautela e impessoalidade e, como anexo, os sentimentos e opiniões do autor a respeito da notícia ou assunto, por exemplo. Os jornais e revistas são, de modo geral, falsamente impessoais (caso Veja, p. ex.).
Qualquer coisa escrita é escrita por uma pessoa. Seria ignorância imaginar que apenas jornalistas escrevem bem. Pessoas educadas possuem habilidades para escrever um texto claro. Em jornais, revistas ou blogs, quem escreve é sempre uma pessoa. A qualidade com que os assuntos são tratados depende mais da formação desta pessoa do que do veículo no qual publica.
Uma acusação é verdadeira: existem muitos blogs ruins. No entanto, eles tendem a diminuir. A nova onda de ganhar dinheiro com blogs produz dois fenômenos: caçadores de paraquedistas e blogs que desejam manter o leitor com base nos textos de qualidade. Esse dois tipos de blogs, especialmente o segundo, vão tomar conta da rede. Não se pode tomar os blogs ruins como síntese do que é a blogosfera.
A idéia deste texto não foi falar mal do jornalista em momento algum. A ênfase foi em enumerar as vantagens dos blogs.







